Milagre na rua 34




Título: Milagre na Rua 34
Título original: Miracle on 34th Street

O filme tem duração de 1 hora e 54 minutos

Roteiro: John Hughes, o mesmo autor de Esqueceram de Mim e Curtindo a Vida Adoidado.
Direção: Les Mayfield.

Trata-se de um remake do filme de 1947, cujo roteiro foi escrito por George Seaton.

Hoje, o filme completa 31 anos, tendo sido lançado em 21 de dezembro de 1994.

---

Resumo


Kris Kringle, acreditando verdadeiramente ser o Papai Noel, vai trabalhar em uma loja de brinquedos administrada por **Dorey Walker**.

Dorey foi abandonada pelo marido e precisa cuidar sozinha da filha pequena. Por isso, faz questão de criar Susan sem acreditar em fantasias, incluindo o Papai Noel.




No entanto, Dorey começa a refazer sua vida ao lado do advogado **Bryan Bedford**, que parece ser o homem perfeito para um recomeço. Susan, inclusive, o adora. Mesmo assim, a falta de crença de Dorey de que coisas boas possam acontecer com ela a faz desistir do relacionamento quando Bryan a pede em casamento.

Susan, então, decide testar Kris para saber se ele realmente é o Papai Noel. Ela pede algo que a mãe não poderia saber: um novo pai, uma casa bonita e um irmãozinho.

Enquanto isso, Kris é acusado de agredir um antigo funcionário da loja, que foi demitido por causa dele e passou a trabalhar na concorrência. Esse ex-funcionário o ofende com palavras terríveis relacionadas ao Papai Noel, e Kris acaba reagindo, gerando uma repercussão negativa na mídia contra a loja, que até então fazia sucesso por ter um Papai Noel tão especial.




Por conta disso, Kris corre o risco de ser interditado pelo governo e enviado a um manicômio, sendo considerado louco por acreditar ser o Bom Velhinho.

Bryan aceita defendê-lo em julgamento. Sua estratégia é mostrar que não há como provar que Kris não é o Papai Noel, chamando crianças para depor, todas afirmando que ele realmente é.

No fim, o juiz utiliza o argumento de que, se o Estado acredita em Deus, também pode acreditar no Papai Noel, e Kris é libertado.

Dorey, ao aceitar acreditar no Papai Noel, também passa a acreditar em Bryan e em seu relacionamento. Kris arma uma situação para que eles se casem em uma igreja da cidade, realizando assim o primeiro desejo de Susan.

Como consequência do sucesso da campanha da loja, Dorey ganha uma casa como bônus da empresa, concretizando o segundo desejo de Susan naquele Natal. O terceiro só poderia ser realizado nove meses depois.

---

Resenha


Vi uma cena linda de **Richard Attenborough**, o ator que interpreta o Papai Noel, interagindo com uma garotinha muda (ou surda) no Instagram. Quando minha esposa sugeriu que assistíssemos a um filme de Natal juntos, não tive dúvidas sobre qual escolher.

Temos também a atriz Mara Wilson, eternizada como Matilda, interpretando Susan, a protagonista da história. Assim, não havia como escolher um filme melhor para essa temática.

É um filme antigo, com 31 anos, e por isso apresenta uma narrativa mais lenta do que estamos acostumados hoje.




O protagonista é um idoso, e, querendo ou não, o protagonismo de um senhor — mesmo sendo o Papai Noel — pode não agradar tanto à criançada.

Além disso, ele não é o Papai Noel tradicional, vestido de vermelho, com renas e trenó. Mas logo entendemos por que ele é, de fato, o Papai Noel. Richard Attenborough cativa desde as primeiras cenas, mostrando a pureza do Bom Velhinho, e percebemos que a magia do filme é outra.

Quando essa pureza e magia são atacadas pela inveja, pela maldade e pela sede de dinheiro e poder — especialmente pela empresa concorrente — o filme toma proporções diferentes.

Meus filhos sentiram essa realidade. O mundo, às vezes, é terrível quando nos deparamos com pessoas que querem destruir a magia. Ainda assim, tivemos a magia do Natal presente dessa forma este ano.

Em determinado momento do filme, quando Dorey ganha a casa, minha esposa comentou que aquilo era mentira, que ninguém ganharia uma casa de Natal. No entanto, percebemos que algo semelhante aconteceu conosco neste Natal. A magia pode, sim, acontecer.




Assim como no filme, a cobiça e o ódio quase estragaram o Natal, mas não conseguiram.

Outro ponto marcante é a comparação feita no julgamento entre Deus e o Papai Noel. No filme de 1947, o argumento usado para defender Kris não é esse. Já no de 1994, a existência de Deus é comparada à do Papai Noel. Essa parte me soou um pouco ateísta e despertou um sentimento de revolta em mim, por eu ser cristão.

Enquanto o Papai Noel remete mais ao desejo e ao consumismo, Deus representa um sentimento verdadeiro de fé, que melhora nossas vidas e nem sempre está ligado a bens materiais.

Embora, no filme, o desejo de Susan fosse menos consumista — um pai e um irmãozinho —, o meu pedido a Deus foi mais material: uma casa quitada.

Assim, correndo o risco de ser um pouco blasfemo, como o próprio filme, surge a pergunta: onde começa Deus e termina o Papai Noel?

O filme também provoca uma reflexão lógica sobre os dogmas do Bom Velhinho. Se apenas crianças boas ganham presentes, as crianças pobres não são boas?

A existência do Papai Noel está realmente ligada ao consumismo?
Essa é a verdadeira magia do Natal?

Eu, como um consumista nato, tenho condições de fazer a magia do Natal acontecer em casa, seja ela qual for. Mas e os pais que não têm?

É um filme maravilhoso, que nos leva a refletir profundamente sobre vários aspectos do Natal — real ou não.

---
4,2⭐

Comentários