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Querido leitor,
Um livro no susto.
Esse livro, em vários sentidos, foi assim.
Que a Deusa da Morte te Abençoe— ou Goddess Bless You From Death — foi, na verdade, uma série indicada por minha amiga Emily. Como eu não tive oportunidade nem tempo para assistir à série, resolvi pesquisar se havia algum livro do qual ela tivesse se originado.
Foi assim que descobri MTRD.S e as novels asiáticas.
As novels asiáticas são, na maioria das vezes, a forma como os livros são divulgados aos fãs, já que a publicação física vem se tornando cada vez mais rara. Os autores publicam seus trabalhos em plataformas online, capítulo por capítulo, como se fossem novelas.
Como ponto positivo, os autores recebem o retorno do público quase que imediatamente, podendo ajustar o enredo da história de acordo com a reação dos leitores — o que normalmente acontece.
Outra curiosidade é que esses autores, na maioria das vezes, não buscam fama. Eles preferem o anonimato como forma de se proteger do assédio dos fãs, que por lá pode ser intenso e exagerado. É como se todos fossem Annie Wilkes.
E esse foi o caso de MTRD.S, nome pelo qual é conhecido o autor de *Goddess Bless You From Death*.
Não há informações sobre quem ele é, onde mora na Tailândia, quando iniciou a publicação ou mesmo em qual plataforma o livro começou a ser divulgado. Como a obra se tornou muito famosa, vários fãs passaram a republicar suas histórias em diferentes lugares ao mesmo tempo, além de traduzi-las para diversos países.
Mas sabe-se que há outros livros publicados pelo autor — e, com certeza, eu ainda irei lê-los.
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Resumo
O livro conta a história de August Sing-ha, um investigador criminal que, ao analisar a cena de um crime bárbaro — em que pessoas foram penduradas em árvores com olhos e bocas costurados — encontra apenas uma única testemunha: Thup.
Thup vê espíritos desde pequeno e, guiado por um fantasma, vai até a floresta onde ocorreu o crime. Sing-ha, mesmo sendo cético, acredita na inocência do rapaz.
Thup percebe que, perto do policial, ele não vê fantasmas — ou ao menos consegue controlar o medo que sente deles — e decide segui-lo para ajudá-lo na investigação.
O problema é que os assassinatos fazem parte de um ritual de magia negra. Espíritos malignos tentam impedir que a investigação avance, causando diversos problemas para Sing-ha e seus colegas. Aos poucos, torna-se impossível para toda a delegacia negar que existe algo sobrenatural envolvido no caso.
Descobrimos então que todas as vítimas haviam se refugiado em um templo budista, cujo líder era, na verdade, o pai de uma família que morava na antiga região onde Thup viveu.
Quando o filho desse falso líder budista adoece, ele faz um pacto com espíritos demoníacos, permitindo que consumam a energia vital da esposa e da outra filha para manter o filho vivo. Após a morte das duas, o espírito passa a precisar de mais “alimento”.
O líder inicia então uma série de assassinatos rituais para alimentar o espírito e garantir a sobrevivência do filho tão amado.
Sing-ha e Thup conseguem identificar os criminosos — pai e filho — que tentam iniciar um novo “banquete”, tendo como alvo os próprios investigadores. Thup seria o mais valioso deles, por possuir energia espiritual intensa.
Com a ajuda do espírito que sempre o guiou — que ele descobre ser o de sua mãe, que o abandonou no templo para ser criado pelos monges — Thup consegue vencer os inimigos e libertar os colegas. Yapatha acaba morto pelos espíritos de suas próprias vítimas, que se vingam.
Sing-ha entra em uma luta sangrenta com o filho do vilão, que termina incendiado em meio ao próprio desespero. Ele sobrevive, mas permanece em uma cama de hospital, incapaz de morrer devido aos constantes rituais feitos pelos pais, sofrendo dores extremas pelas queimaduras e pelos tratamentos, além de ser atormentado pelos espíritos das vítimas.
Thup, sabendo do tormento do rapaz, tenta ajudá-lo. No entanto, os espíritos se escondem dele, para que ninguém perceba que o sofrimento do vilão também é sobrenatural.
A história termina com Thup e Sing-ha assumindo o amor perante a delegacia e passando a viver como um casal.
A obra ainda apresenta vários outros casos ao longo dos anos que passam juntos. Entre eles, um ringue de leilão humano, no qual Thup acaba se tornando um dos “prêmios”, obrigando Sing-ha a salvá-lo — episódio que, curiosamente, ajuda Thup a melhorar sua autoestima ao perceber o quanto era valorizado.
Há também o caso da moça de vermelho que pede carona a caminhoneiros e provoca acidentes fatais. Thup intervém usando seu dom para conversar com o espírito, mostrando que sua habilidade pode ser usada para o bem.
Os colegas da delegacia também têm seus próprios desfechos, cada um encontrando sua alma gêmea.
O final, com Thup acreditando que Sing-ha foi gravemente ferido em um confronto policial, deixa claro o quanto eles se amam mesmo após tantos anos juntos.
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Resenha
O livro, que li por meio de uma tradução feita pelo Google — o que dificultou bastante a compreensão de algumas concordâncias — teve seu maior problema superado pela forma como o autor conseguiu transmitir emoção.
Emoção, antes de tudo, no amor entre os personagens.
O romance sexual não foi o que mais me marcou. Ele aparece com mais força apenas nos capítulos finais, no “felizes para sempre”.
O que realmente me tocou foi o companheirismo e a amizade entre Sing-ha e Thup. O cuidado extremo de Sing-ha com Thup é lindo: como ele o protege em meio a situações tão apavorantes. E como Thup é dedicado a Sing-ha, mesmo sem nutrir qualquer esperança de viver um relacionamento amoroso com o policial.
Quando a relação deles se desenvolve nos capítulos finais, é bonito ver esse amadurecimento, onde o jogo de proteção e submissão evolui para admiração mútua.
É inspirador para qualquer casamento.
A parte hot, presente apenas no final, foi bem detalhada. Poderia ter prejudicado a história deixar isso restrito aos momentos finais, quase como se fosse o início de outro livro, mas consigo aceitar esse pequeno defeito — talvez por ser outra cultura — e porque as cenas são muito bem construídas.
Mesmo com a tradução ruim, era possível visualizar tudo claramente.
As cenas de terror também foram extremamente impactantes. Eu realmente me assustava com os fantasmas assombrando os pobres policiais — eram sustos de pular da cadeira.
O vilão foi muito bem construído: um líder religioso budista acima de qualquer suspeita, que depois se revela alguém sem limites para alcançar seus objetivos.
E o objetivo? Amor pelo filho. Um amor doentio, mas que, ainda assim, toca fundo.
Será que eu enfrentaria fantasmas e demônios para dar uma chance melhor de saúde ao meu filho? Qual é mesmo a receita dessa macumba?
O pior é que a doença do filho — lúpus — apresenta sintomas muito parecidos com os da Doença de Still, às vezes até os mesmos tratamentos. Eu sei como isso pode ser difícil.
Isso me aproximou ainda mais dos vilões da história. Eu me vi na situação deles várias vezes durante a leitura, o que me deixou profundamente abalado.
A cena final da luta pela sobrevivência dos protagonistas contra os vilões e os fantasmas foi de deixar o coração na garganta.
Teve de tudo: superpoderes, luta estilo Van Damme, a mãe de Thup aparecendo.
O castigo dos vilões — tanto do pai quanto do filho — foi perfeito, quase desenhado a pincel.
Os orientais parecem saber criar o sobrenatural de uma forma muito particular. Conhecer um pouco da cultura deles, da religião, dos dogmas e das crenças foi como realmente visitar outro país.
Eles vivem de forma muito diferente da nossa, e vale a pena conhecer esse lado do mundo.
Para mim, é um livro completo. Não me arrependo de tê-lo colocado à frente de outros. Teve tudo o que eu gosto — e arrisco dizer que pode facilmente ser o melhor livro do ano.
Nota ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ♥️

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