Warbreaker - Brandon Sanderson





Querido leitor,

Voltei para o universo de Brandon Sanderson com o livro Warbreaker.

Um livro encantador, até o momento sem continuação, mas que está interligado ao universo fantástico que ele criou em outra série que li, passando-se no mesmo universo, porém em mundos diferentes — cada um com regras de magia próprias.

---

Resumo


Um mundo fantástico


Nesse mundo, reis são considerados deuses por um povo chamado Hallandren.

Eles formam um conjunto de deuses que, teoricamente, comandam o lugar, pois retornaram à vida após terem sido humanos que sacrificaram suas vidas por um significado digno.

Por serem deuses-reis, são beneficiados vivendo em um castelo isolado do povo, com todos os seus desejos atendidos por súditos extremamente dedicados.

O mais poderoso deles é Susebron, o Deus-Rei. Ele é quem recebe a maior quantidade de Respirações.

As Respirações são a energia vital das pessoas daquele universo e é isso que concede poderes aos deuses. Quando uma pessoa perde sua Respiração, fica como se não tivesse alma.

Esses poderes também permitem dar energia vital a seres inanimados, que passam a obedecer como escravos — inclusive pessoas mortas, tornando-se uma espécie de zumbi-escravo.

O povo vizinho, Idris, apesar de manter a paz com Hallandren, nutria uma forte rivalidade, especialmente por causa das rotas de transporte da região. Essa paz estava abalada pelo medo constante de guerra.

Eles viam os poderes de Hallandren como algo errado: dar e retirar almas, criar zumbis. Por isso, em Idris, objetos e roupas não tinham cor, como forma de protesto. Afinal, quando alguém perde a Respiração, a cor também se esvai.

---

Siri


Para manter a paz, o rei de Idris treinou uma de suas filhas, Vivenna, para se casar com Susebron quando tivesse idade.




Mas, quando o dia chegou, o medo de que o Deus-Rei fizesse mal à sua filha mais querida fez o rei tomar uma decisão cruel: enviar, em seu lugar, a filha rebelde e despreparada — Siri.

Siri parte sem nenhum preparo para casar com o temido Deus-Rei. Mas, logo ao chegar, se encanta com Hallandren, um reino literalmente cheio de cores.





No entanto, essa beleza esconde um sistema rígido de regras. Siri descobre que será confinada no castelo e que, apesar de terem seus desejos atendidos, os deuses não podem sair dali.

Ao encontrar Susebron, ela percebe que sua principal função — gerar um herdeiro — não será simples. O Deus-Rei não se move do trono e não se comunica.





Para enganar os súditos que vigiam os sons do quarto, Siri finge consumar o casamento. Isso desperta a curiosidade de Susebron e quebra regras impostas pelos próprios súditos.

Então Siri descobre a verdade: Susebron não tem língua. Criado em isolamento absoluto, ele nunca aprendeu o básico da vida. Tudo o que sabe veio de um livro infantil. Nem sequer entende como bebês são feitos.

Siri passa a ensiná-lo secretamente e descobre que os súditos governam o reino usando o Deus-Rei apenas como símbolo. Isso ocorre há gerações: quando um rei começa a se rebelar, é substituído por seu herdeiro.

E é isso que pretendem fazer com o filho que Siri teria.

---


Vivenna


Enquanto isso, Vivenna, revoltada por ter sido descartada, decide ir atrás da irmã para salvá-la do terrível Deus-Rei.

Chegando à cidade, descobre, com a ajuda do mercenário Denth, que Idris planeja uma revolta contra Hallandren.

Após receber, sem querer, uma enorme quantidade de Respirações de um amigo moribundo da família, Vivenna se torna extremamente poderosa. No entanto, seu preconceito contra a magia a impede de usar esse poder.




Ela é traída pelos mercenários em quem confiava, cai na miséria e quase se prostitui.

É então que surge Vasher, inimigo mortal de Denth. Fingindo ser aliado, ele a salva e passa a ajudá-la, mostrando que a guerra só traria destruição para ambos os povos e que os verdadeiros vilões são os súditos manipuladores.

Vasher também ensina Vivenna que, sem aceitar seus poderes, ela não sobreviverá.




---

A rebelião


Os súditos não esperariam Siri engravidar. Bastaria fingir que isso aconteceu para colocar um bebê falso como herdeiro.

Eles sequestram o rei e a rainha. Mas o deus Canto de Luz, em um ato final de fé, sacrifica sua vida para curar Susebron, passando-lhe todas as suas Respirações.

Susebron se torna extremamente poderoso, derrota os rebeldes e salva Siri.

Vasher revela que os súditos roubaram os exércitos de zumbis dos deuses para atacar Idris, simulando um ataque de Hallandren.




Então vem a revelação: Vasher é o lendário Warbreaker e possui um exército escondido nas estátuas da cidade — que só pode ser despertado com uma quantidade absurda de Respirações.

Os quatro se unem, derrotam o exército inimigo e encerram a guerra.

Susebron finalmente governa como um verdadeiro rei, ao lado de Siri.

---

Resenha


Falar de uma obra tão completa e cheia de camadas não é simples.

Depois da complexidade de Stormlight, fui preparado para algo igualmente denso, mas Sanderson nos guia com cuidado, ensinando as regras do mundo enquanto conta a história.




Confesso: anotei mais de cem personagens.
Mas cada um dentro de seu núcleo, sem confusão.

É uma história política, mágica e profundamente romântica.

O amor entre Siri e Susebron cresce com amadurecimento mútuo. Já Vivenna precisa se quebrar para se reconstruir — e encontrar Vasher.

A traição de Denth me chocou. Eu também shipava.




O livro fala muito sobre desilusão, sobre confiar nas pessoas erradas e reconstruir nossos alicerces.

A morte de Faz Corar foi uma das mais impactantes que já li.

E o diálogo entre Canto de Luz e Llarimar redefine o que é ser um deus.





No fim, Sanderson nos pergunta:
onde está o verdadeiro poder?

Uma obra profunda, filosófica e emocionante.

Nota: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ♥️

Comentários