Olhos Prateados - Scott Carwthon e Kira Breed Wrisley



Querido leitor,


Li o primeiro livro da série Five Nights at Freddy’s, Olhos Prateados.


A obra conta a história de Charlie, filha do dono de uma pizzaria que encantava as crianças com animatrônicos — robôs enormes que representavam um urso gigante, uma galinha e um coelho. Porém, após casos de crianças desaparecerem durante os shows desses animatrônicos, a pizzaria é fechada. Quando todos da cidade julgam, sem provas, que Henry, pai de Charlie, matou as crianças, ele tira a própria vida.


Charlie vai morar com a tia e, anos depois, retorna à cidade para uma homenagem feita por um dos pais dos desaparecidos ao seu filho, Michael.


Ela reencontra seus amigos e, para relembrar os tempos da infância, tenta reencontrar a antiga pizzaria.


Mas o local foi encoberto pela construção de um shopping.


Eles entram escondidos na pizzaria abandonada, onde estavam os animatrônicos desligados.


Porém, um de seus amigos, Carlton, é pego por um dos animatrônicos.


Charlie e seus amigos tentam avisar as autoridades, incluindo o pai de Carlton, mas todos acreditam que aquilo não passava de mais uma brincadeira de Carlton, conhecido por suas travessuras na cidade.


Quando, por conta própria, eles retornam ao prédio para investigar o sumiço de Carlton, são barrados por um segurança perturbador.


Dave, o segurança, na verdade era William Afton, sócio de Henry e verdadeiro assassino das crianças.


Ele havia prendido Carlton dentro das fantasias de animatrônicos, que possuíam um mecanismo mortal capaz de matar seus hospedeiros caso se movessem. Era assim que ele eliminava as crianças sem deixar rastros.


Charlie, sabendo como desativar os mecanismos, salva Carlton.


Mas, além de fugir do psicopata no prédio abandonado, eles descobrem que os animatrônicos estavam sendo movidos pelos espíritos das crianças mortas, que tentavam atacá-los.


O delegado Clay, pai de Carlton, descobre que a foto do documento de contratação do segurança mostrava a mesma pessoa que havia sido sócia de Henry, e desconfia que ele tenha sequestrado seu filho.


Ele então parte para ajudar Charlie e seus amigos a escaparem do prédio abandonado da pizzaria Freddy’s.


Mas William Afton, fantasiado de coelho amarelo gigante, os persegue e tenta matar Charlie.


Ela ativa o mecanismo mortal da fantasia, e William se torna vítima das próprias engrenagens.


Os animatrônicos possuídos pelos fantasmas de Michael e das outras crianças desaparecidas arrastam o psicopata para dentro do prédio abandonado, enquanto Charlie e seus amigos deixam o local ao lado do delegado.




Resenha


O livro, inspirado na série de jogos que meus filhos tanto amam, não poderia deixar de ser minha próxima leitura.



E me surpreendi ao encontrar tanta emoção, drama e boas cenas de perseguição e ação em uma história frequentemente subestimada por ser adaptação de um videogame de terror — e por utilizar algo aparentemente infantil, como mascotes de festas, de forma tão macabra.


Acho que a metáfora da transformação de algo infantil, como os animatrônicos, em algo mórbido — tanto no jogo quanto no filme e no livro — pode representar a transição da infância para a vida adulta, trazendo insegurança e medo diante das mudanças.



Charlie, em especial, carrega a imagem da nostalgia que temos pela infância: os lugares que marcaram nossa vida, os colegas que cresceram e as lembranças que desaparecem, enquanto tentamos segurá-las o máximo possível.



Gostei do fato de Charlie ser filha de Henry, criador dos animatrônicos, e não do vilão William Afton.


Também gostei do paralelo entre os dois sócios: o psicopata não era o excêntrico inventor, mas sim o homem sério de negócios.



O amor de Henry pelos filhos é bonito, assim como a fidelidade da filha ao pai, acreditando que ele não era o assassino das crianças.


Acho que, acima de toda a história de terror, o livro trata justamente disso: memória, família e confiança.



Mas, sem dúvida, o terror, a perseguição e o medo são descritos de forma brilhante.


Há emoção em cada página, em cada linha. Sempre queremos saber o que acontece na próxima página até o livro terminar.



Os personagens são cativantes e nos conquistam em cada diálogo.


Os autores souberam nos fascinar e nos capturar desde o primeiro momento.



E estou ansioso para ler a continuação nos próximos livros.


Espero que, assim como nos jogos e nos filmes, os próximos livros saiam da zona da psicopatia e da investigação tradicional para entrar mais profundamente no terror espiritual.

Nota ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 






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