Anjo mecânico - Cassandra Clare


Título:Anjo Mecânico


Autora: Cassandra Clare


Páginas: 388


Série: As Peças Infernais


Editora:Galera Record


Querido leitor,


Comecei a série As Peças Infernais, da autora Cassandra Clare. Trata-se da série prelúdio de Os Instrumentos Mortais, a primeira que li da autora e que nos apresenta aos Caçadores de Sombras, seres chamados nefilins, descendentes dos anjos, cuja função é proteger os humanos dos seres do Submundo — vampiros, lobisomens, fadas e feiticeiros — e combater os demônios.



Agora, nesta série, a história se passa na Londres vitoriana dos anos de 1878 e 1879.


Conhecemos Tessa Gray, uma jovem que viaja para Londres em busca de seu irmão, Nathaniel, após a morte da tia que a criou. Ao desembarcar, ela é sequestrada por duas irmãs, que afirmam estar mantendo Nat prisioneiro.


Elas obrigam Tessa a usar um poder que ela nem sabia possuir: a capacidade de se transformar em qualquer pessoa desde que tenha consigo um objeto pessoal dela.


Mas, ao fugir da casa das duas irmãs com a ajuda de Will Herondale, Tessa descobre o mundo sobrenatural e conhece os Caçadores de Sombras.



No Instituto, comandado por Charlotte Branwell, ela descobre que seu irmão se envolveu com um covil de vampiros que buscava devolver a vida aos mortos por meio de corpos mecânicos.


A princípio, todos acreditam que o líder dos vampiros é De Quincey. Seu objetivo seria criar seres mais poderosos e sem defeitos, introduzindo espíritos demoníacos nas máquinas.


Tessa, Will e Jem utilizam os poderes dela para se infiltrarem no covil dos vampiros e resgatarem Nat.


Entretanto, descobre-se que Nathaniel estava do lado dos inimigos e acaba roubando uma caixa contendo os espíritos demoníacos capturados.



Mais tarde, os protagonistas descobrem que o verdadeiro inimigo é Axel Mortmain. Além de desejar Tessa como esposa, ele parece conhecer seu passado, sugerindo que ambos estão ligados por algum mistério.


Tessa consegue escapar de Mortmain fingindo o próprio suicídio.


Agora, ela e os Caçadores de Sombras têm até a próxima lua cheia para impedir que os espíritos demoníacos sejam libertados e utilizados para animar um exército de autômatos.


Resenha


Em uma história mais compacta, mas sem deixar de expandir um universo que continua se ramificando, Cassandra Clare nos apresenta um cenário steampunk vitoriano fascinante, criando imagens belíssimas para servir de pano de fundo para uma espécie de continuação espiritual de uma história que já era brilhante.


Por outro lado, a narrativa termina de maneira frustrante, claramente fisgando o leitor para o segundo livro. Muitas perguntas que poderiam ter sido respondidas para dar uma sensação maior de conclusão permanecem abertas.


A principal delas é a incógnita envolvendo Will Herondale. Seu comportamento grosseiro parece artificial, como se escondesse algo incompatível com sua verdadeira natureza.



Essa arrogância constante acabou prejudicando um pouco, para mim, a química romântica do casal. Senti que o mistério em torno de Will tomou espaço demais e fez a parte romântica perder força.


Tessa poderia ter desenvolvido melhor sua relação com Jem, mas a autora claramente prefere construir um slow burn. Talvez a história pudesse ter um pouco mais de calor e menos insistência em apresentar a arrogância de Will como algo atraente.


Também notei como Cassandra Clare retrata homens cujas fragilidades acabam sendo sustentadas pelo cuidado e pela dedicação das mulheres. Vi isso tanto em Tessa e Nathaniel quanto em Charlotte e Henry.


É verdade que a autora parece querer retratar a visão machista da época, e isso faz sentido historicamente. Ainda assim, até agora não encontrei muitos personagens masculinos verdadeiramente admiráveis.



Apesar disso, o roteiro continua extremamente cativante.


Uma das qualidades mais impressionantes da autora é sua capacidade de contar duas histórias paralelas ao mesmo tempo. Enquanto acompanhamos os acontecimentos externos, também vemos os pensamentos, medos e inseguranças de Tessa.


Frequentemente percebemos que ela entende que está sendo manipulada pelo irmão ou que deveria agir com mais coragem, mas também sente o peso das convenções impostas às mulheres daquele período.


Fica claro que esses pensamentos pertencem à personagem, e não necessariamente à autora. São mulheres daquela época, com seus preconceitos e limitações sociais.


Acho essa riqueza psicológica um dos maiores trunfos do livro.


Anjo Mecânico funciona como uma poderosa expansão do passado dos Caçadores de Sombras, sem exagerar a ponto de deformar aquilo que já havia sido construído em Os Instrumentos Mortais. É mais como uma pincelada delicada em uma obra já pronta.


Por ser apenas o primeiro volume, acredito que preciso confiar na autora e ter paciência. Cassandra Clare já provou em Os Instrumentos Mortais que sabe conduzir histórias longas.


Ainda assim, me frustraram as pontas deixadas em aberto e algumas repetições temáticas. Certos protagonistas parecem excessivamente semelhantes aos de Os Instrumentos Mortais.


Mas continuo confiante de que a história pode se desenvolver em direções novas e surpreendentes.

Nota ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 

Comentários