A irmã da Tempestade - Lucinda Riley

 


Título: A irmã da tempestade 
Série: 2° da série As sete irmãs 
Autora Lucinda Riley 
Páginas:  717
Título original: The Storm Sister
Lançado em 20 de outubro de 2015 no Reino Unido pela editora Atria Books
E no Brasil pela editora Arqueiro no dia 30 de novembro de 2015. 




Resumo

A série

Pa Salt, um rico milionário excêntrico, adota seis garotinhas, dando a cada uma delas um nome inspirado no mito grego das Plêiades.

Quando ele morre, deixa pistas sobre a origem de cada uma, que ele aparentemente buscou em vários lugares diferentes do mundo.

A história de Ally

Alcione, que tinha o apelido de Ally, era uma navegadora náutica esportista e se apaixona pelo capitão de uma de suas disputas, Theo.



Quando Pa Salt morreu, Theo a ajudou a passar pelo momento mais difícil de sua vida. Isso a fez ter certeza de que ele era o homem da sua vida e aceitar se casar com ele. 


Mas, em uma das disputas esportivas deles, Theo perde a vida.

Ally então decide ir atrás das pistas que seu pai deixou sobre seu passado, para que, ao entender de onde veio, pudesse encontrar um rumo para o seu futuro.



Ela acaba encontrando um livro que conta a biografia de seus antepassados.


A história de Anna Landvik




Anna erAnna era uma pobre camponesa que teve seu talento para o canto descoberto pelo empresário Franz Bayer. 




Ele a levou para a cidade e a transformou em uma grande cantora de ópera. Porém, Anna se apaixona pelo flautista da companhia, Jens Halvorsen.

Jens era rico e filho de um empresário, mas desiste de tudo para viver da música, sendo deserdado pelo pai por escolher esse caminho.


Anna se encanta pelo rapaz e joga para o alto a vida de luxo dos palcos para se casar com ele e viver na miséria, movida pelo amor.

Mas Jens a decepciona, mostrando-se boêmio e mulherengo, exatamente como todos haviam lhe alertado.

Ele a abandona por dias em uma pensão, grávida. Anna passa fome e precisa trabalhar como escrava para a dona da pensão a fim de se sustentar. Pelo esforço e pela dor de não saber onde o marido estava, acaba perdendo o filho, o que lhe causa uma dor extrema.

Edvard Grieg, autor das peças que Anna encenou e que a admirava profundamente, a reencontra na pensão onde vivia e a salva daquela vida sofrida.

Ele reconstrói o nome da jovem e a transforma novamente em uma estrela da ópera.

Quando seu marido reaparece em sua luxuosa casa, Anna, indo contra sua força e seus valores, aceita Jens de volta.

Na verdade, ela só o aceita para esconder a nova gravidez — fruto de seu relacionamento com Grieg, que era casado. 



A história de Pip

Ally termina a leitura da história de sua antepassada revoltada e parte para a Noruega para investigar os belos prédios onde Anna se apresentou e morou.

Lá, ela conhece Thom Halvorsen, descendente da mesma família, autor do livro que leu e possível parente consanguíneo.

Thom conta a história de seus avós.. 



Também músicos, Jens Honst Halvorsen, conhecido como Pip, vive um relacionamento com Karine.

Eles se veem oprimidos pela ameaça da Segunda Guerra Mundial, já que Karine era judia.

Pip está no auge de sua carreira. Sua grande obra musical iria estrear nos maiores palcos.

Ele adia ao máximo sua fuga para os Estados Unidos — como os amigos judeus de Karine estavam fazendo — para garantir que seu nome brilhasse nos grandes teatros.

Mas a cidade é invadida, e sua ópera nem chega a estrear, pois o prédio onde seria apresentada é destruído.

Sua esposa, a amada Karine, morre ao sair para comprar pão para o filho, na praça da cidade.

Pip não suporta a dor. Ao sair para procurá-la com o filho, encontra os corpos das vítimas de um confronto com a polícia nazista. Ele deixa o filho com os pais e tira a própria vida.

Esse filho é Felix, pai de Thom.


O final

Ally descobre, pelo pai de Thom, que Felix sempre foi revoltado com o que aconteceu com seus pais. Apesar de ter grande talento para a música, passou a vida bebendo e sendo mulherengo.

Uma de suas vítimas foi Martha, mãe de Thom, que se apaixonou por ele e engravidou de gêmeos. Revoltada por Felix não querer assumir os filhos, ela entrega a menina para adoção.

Essa menina era Ally.

Thom cresce revoltado com o pai, alimentado pelo ressentimento que a mãe carregava.

Ally, junto com Thom, descobre a partitura da música que o avô Pip iria tocar, composta em homenagem a Karine.

Para tentar reconciliar pai e filho, Ally oferece a partitura para que Felix trabalhe nela.

Os três se apresentam juntos em uma noite linda, já que Ally também tocava flauta, assim como seus antepassados.

Paralelamente a isso, Ally descobre que estava grávida de Theo.

O livro se encerra com Estrela, uma das sete irmãs, vendo um vulto estranho — alguém conhecido — em meio à multidão durante a apresentação de Ally.
Seria Pa Salt?


Resenha 



Comecei o segundo livro da série As Sete Irmãs já sabendo o que esperar de Lucinda Riley.

Uma história incrível, emocionante, cheia de diálogos fortes e muito conteúdo. Neste livro, há também um forte pano de fundo histórico e geográfico.






E que conteúdos. Parece que li trinta livros em um só.

Personagens cheios de camadas, história e emoção.

Ally me decepcionou um pouco no sentido de identificação. Achei-a fria em muitos aspectos, o que demonstra como Lucinda cria personagens diversos. Maia era praticamente o oposto da irmã, apesar de também ser contida.

Em vários momentos senti que Ally deveria demonstrar mais emoção, mas ela permanece quase sempre sem reação.

Um exemplo disso são as intimidades com Theo. Ele fazia de tudo para agradá-la, e em muitos momentos eu, se estivesse no lugar dele, teria desistido.

Também me incomodaram suas reações de intromissão nas histórias dos coadjuvantes, como no ressentimento de Célia e Peter ou de Thom e Felix. Ela acredita que tudo pode ser perdoado, uma inocência que, na idade dela, não deveria existir.
Sou de escorpião, então não me identifiquei mesmo com esse traço.

Mas isso não é uma crítica à autora. É a personagem que me irritou nesses pontos.

Ainda assim, adorei o roteiro da história e os caminhos que ela nos leva a percorrer, contando três ou quatro histórias lindíssimas sobre o amor à arte da música e o amor à pessoa física.

Vi na história de Anna a decepção da paixão pura e juvenil cair de seu pedestal com Jens.

Ela acreditava em um amor impossível e louco, enquanto o conforto da amizade estava ao seu lado — e ela não via.

Será que Anna teria sido mais feliz com Lars? Como teria sido o destino dela e de sua família nas gerações seguintes?

E há também a triste história de Pip, que, em busca do sucesso, abriu mão da proteção à família.

E a loucura de amor de Martha por Felix.

O livro trata de amores em níveis que destroem, e de como, às vezes, a felicidade não está nesses amores loucos.

Mas sim em um amor fraternal, como o que Ally encontra em Thom, seu irmão gêmeo.

O mundo precisa parar de romantizar esse amor insano e imensurável que leva as pessoas a cometerem loucuras, como os protagonistas deste livro fizeram.

Ou não.

Talvez seja assim que as histórias são feitas, não é mesmo?

O final é lindo e digno de toda a trajetória: pai e filhos tocando a música do avô.

E abrindo alas para Estrela começar a sua história.

Eu a imagino como Karin Hill, e seu problema com a irmã tóxica, Ceci, me deixou muito curioso. Tenho certeza de que será uma história com outro ar, diferente do que imaginei no outro livro que li em que Karin Hill era protagonista, A mediadora

E ainda fica o mistério do vulto que ela viu.
Será que era Pa Salt?



Nota: ⭐⭐⭐⭐




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