Querido leitor,
Vimos hoje o filme Batalhão 6888, que está no catálogo da Netflix.
O filme conta a história real de Lena, uma moça negra que, após o namorado perder a vida na Segunda Guerra Mundial, decide entrar para o Exército. Ela passa a integrar um batalhão formado apenas por mulheres negras.
Esse batalhão, usando o código 6888, recebe a missão de provar que também poderiam ser úteis na guerra. Para isso, são encarregadas de organizar e entregar correspondências dos combatentes, que estavam acumuladas em galpões, já que os oficiais superiores não viam importância nisso — até que a Primeira-Dama dos EUA se sensibiliza com a situação.
Em meio às dificuldades das instalações e ao preconceito de oficiais superiores, que as viam como ameaças, as soldados conseguem cumprir a missão em um tempo muito menor do que o estipulado inicialmente.
O filme é emocionante e mostra em detalhes a rotina difícil dessas mulheres, que precisam provar seu valor como mulheres e como mulheres negras.
Vários momentos me emocionaram e trazem à tona a realidade de quando homens, ao verem sua masculinidade ameaçada, se tornam agressivos diante de situações em que mulheres mostram que dão conta do recado, mesmo quando são oprimidas.
O preconceito racial também é retratado de forma clara, mostrando a realidade da época — algo que, infelizmente, ainda pode ser refletido nos dias de hoje.
A sexualização da imagem da mulher negra, o preconceito relacionado à cor da pele e a valorização (ou a falta dela) da função exercida por uma pessoa são temas fortes do filme.
O que mais me emocionou, acima de toda a temática do preconceito, foi o reconhecimento de uma função bem exercida após uma dedicação extrema.
Identifiquei-me muito com isso. No meu trabalho, tento sempre fazer o melhor, buscando ser perfeccionista, e me alegra profundamente quando vejo uma resposta positiva. Por outro lado, magoa quando alguém, por inveja, não consegue enxergar esse esforço. Não fazemos isso para provar nada a ninguém, mas a nós mesmos — para sabermos que somos bons no que fazemos. E foi exatamente isso que vi nas protagonistas.
Momentos como quando a Major Charity Adams é aplaudida por suas subordinadas após se impor diante do general, ou quando o batalhão é reconhecido pelos oficiais ao final da missão, são extremamente marcantes.
Esse sentimento de reconhecimento por um trabalho bem feito é muito bonito.
As atrizes brilham em seus momentos individuais, e tenho certeza de que as mulheres reais que inspiraram essas personagens se sentiriam honradas com essa representação.
Também adorei a parte em que a protagonista tem ilusões de ver o namorado falecido ajudando-a nos momentos difíceis dentro do Exército.
O fato de esse amor ser vivido com um rapaz branco trouxe um toque a mais à história.
A emoção transmitida pela atriz Kerry Washington, interpretando a Major Charity Adams, é algo surreal. As cenas em que ela se controla apenas com o olhar mostram uma força impressionante. Como alguém pode expressar tanta intensidade sem dizer uma palavra?
O filme é lindo. Ensina-nos sobre resiliência em momentos metafóricos de guerra e nos faz enxergar como, em um mundo que é uma verdadeira guerra para tantas mulheres negras, muitas conseguem vencer e ser mais fortes do que homens que se dizem tão invulneráveis.
Agora, compartilho as impressões da minha filha ao ver o filme:
“Aprendi que não podemos ser racistas. Vi que mulheres no Exército são corajosas.
O momento em que vi mais coragem foi quando a comandante gritou com o homem, porque ele achava que mandava em tudo e ela corria o risco de ser demitida ou até mesmo morrer.”


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