Querido leitor,
Finalmente fiz a leitura de Criaturas Impossíveis, da autora Katherine Rundell.
Muitas pessoas me indicaram essa leitura dizendo que era o “novo Harry Potter”.
O livro foi lançado no Reino Unido em 14 de setembro de 2023, pela editora Bloomsbury Publishing, com o título Impossible Creatures.
No Brasil, foi lançado em 14 de setembro de 2024, pela Faro Editorial.
Li uma edição com 308 páginas.
O livro conta a história de Christopher, um garoto de 12 anos que descobre ser o guardião de um portal que leva a um mundo onde criaturas mágicas — como dragões, esfinges e unicórnios — existiam de verdade.
Nesse mundo vive Mal, uma garota que pode voar com um casaco mágico e tem um grifo de estimação. Ela passa a ser perseguida por um assassino, pois pode ser a reencarnação do Imortal, um ser responsável por guardar a magia daquele mundo.
Essa magia existe graças a uma árvore mágica localizada em um labirinto construído por Leonardo da Vinci. No entanto, por algum motivo, a magia desse mundo está se esgotando.
Isso pode ter acontecido porque o Imortal tomou uma poção para se esquecer das maldades do mundo em suas próximas reencarnações e, com isso, acabou esquecendo também de sua responsabilidade de proteger a árvore mágica.
Agora, Mal, com a ajuda de Christopher, precisa percorrer esse mundo mágico em busca de uma poção que a faça se lembrar do caminho até a árvore mágica, para salvar o mundo e seus seres impossíveis.
Enfrentando todos os desafios que um mundo mágico tem a oferecer, Mal, Christopher e outros amigos seguem essa jornada até que Mal toma a poção e encontra o caminho para a árvore.
Ao chegarem lá, descobrem que um descendente do primo de Leonardo da Vinci — responsável por construir as invenções que Leonardo idealizava — encontrou a árvore e se uniu a ela em busca de poder, ficando preso a ela.
Por causa disso, o mundo mágico estava morrendo.
Mal e Christopher tentam libertar o homem, mas ele não quer ser salvo — ele deseja o poder. O único jeito de Mal vencê-lo é se sacrificando.
A árvore então renasce, recuperando o poder dos seres mágicos.
Christopher volta para casa, aguardando o reencarne de sua amiga.
Resenha
Gostei muito do livro porque, desde o início, imaginei os protagonistas como meus filhos. Isso me fez imaginar momentos lindos entre os dois.
O livro me lembrou muito mais As Crônicas de Nárnia do que Harry Potter. Também gostei muito de Crônicas de Nárnia, apesar de serem histórias mais metafóricas do que uma narrativa com um enredo tão bem delimitado como o de Harry Potter.
A obra traz várias aventuras fantásticas e soube aproveitar muito bem cada Criatura Impossível.
No entanto, após a morte do grifo, senti que a narrativa começou a ficar meio psicodélica. As metáforas deixaram de fazer sentido para mim. Parecia que o livro queria me contar um segredo que eu não conseguia compreender.
Ainda assim, a união e o companheirismo dos protagonistas fizeram valer a pena cada cena.
Esse poder da aventura mágica me trouxe uma forte nostalgia das histórias infantis e dos filmes que eu via quando criança.
As descrições são muito boas e, mesmo na parte final — mais psicodélica —, especialmente na batalha dentro do labirinto, consegui visualizar bem as cenas.
Senti falta de um maior aprofundamento nos sentimentos das crianças em vários momentos.
Acredito que a autora ficou no meio-termo entre criar uma história infantil e algo mais obscuro, e isso não funcionou tão bem para mim.
Se fosse uma história voltada para adultos, com crianças como protagonistas, poderia ter explorado mais as reações emocionais diante de tantas situações difíceis.
Se fosse uma história infantil, talvez pudesse ter deixado a trama menos pesada, focando mais apenas na fantasia, algo mais próximo de O Mágico de Oz.
Ainda assim, percebo que a autora quis trazer um amadurecimento para Christopher e Mal por meio das metáforas da história.
A mensagem que ficou para mim foi essa:
a obrigação de uma criança amadurecer mais rápido do que seu desenvolvimento natural por causa das circunstâncias ao seu redor.
Isso gera traumas e dor.
Precisei lidar muito com isso quando criança — por crescer mais rápido do que as outras crianças, por viver em um ambiente onde as pessoas ao meu redor quiseram amadurecer antes do tempo.
Fui muito resguardado pelos meus pais, e essa proteção me ajudou profundamente. Quero fazer o mesmo pelos meus filhos.
Vê-los, mesmo metaforicamente, nas situações de Christopher e Mal, me deu ainda mais firmeza nessa decisão: resguardar a infância deles o máximo possível.
Guardar essa magia que Mal e Christopher lutaram tanto para proteger.
Nota ⭐⭐⭐⭐

Senti que acabei de ler o livro também. E gostei! Adorei ver a Suzi e o Leony como personagens. Ficou fantástico! Parabéns!
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