Querido diário, quero dizer, querido leitor.
O meu filho Leony, de seis anos, vai começar a estudar no segundo ano na educação infantil no período da manhã, no colégio público aqui do setor, saindo do turno da tarde, que costuma ter mais crianças da idade dele ou menores. Já no turno da manhã, passa a conviver com crianças mais velhas.
A Suzana, minha filha mais velha, de dez anos, já estuda no período da manhã e estará o acompanhando nesse novo desafio.
Esse momento me lembrou muito do filme Diário de um Banana, em que o protagonista, Greg Heffley, passa para o ensino médio e enfrenta desafios que acredito que meu filho também vai enfrentar, cada um à sua maneira. Por isso, decidimos assistir a esse filme nesse primeiro dia do ano.
O filme é de 2010 e é baseado na obra de Jeff Kinney, que publicou a história pela primeira vez online, em 2004, no site educativo FunBrain, em capítulos diários. Em 2007, a obra virou livro.
Greg Heffley passa para o ensino médio e, de forma propositalmente errada — já que o filme trabalha com ironia — mostra como muitas crianças tentam agir ao entrar nessa nova fase da vida escolar.
Ele tenta fazer com que ele e seu amigo, Rowley, se tornem populares, deixando de ser quem realmente são e usando artifícios para se destacarem.
No entanto, Greg percebe que o jeito irreverente e espontâneo de Rowley acaba conquistando os colegas. Isso desperta nele uma inveja que o leva a perder a amizade.
Quando a carência pelo amigo o faz perceber o quanto foi egoísta, ocorre uma situação nojenta: valentões obrigam Rowley a comer um queijo podre que estava no pátio há séculos. Nesse momento, Greg prova ao amigo que mudou ao assumir, na frente de todo o colégio, que foi ele quem comeu o queijo.
Isso restaura a amizade entre os dois e faz Greg perceber que esse laço é o que realmente importa e o que lhe dá forças para atravessar o ensino médio de forma mais estruturada.
Eu sempre gostei muito desse filme, justamente pelos ensinamentos irônicos do jovem Greg.
Apesar de se passar em uma escola de outro país, reconheci muitas situações da minha época de escola. E, revendo o filme com meus filhos, eles também reconheceram que ainda existem muitos traços dos coleguinhas nos personagens da história.
É incrível como ainda existem pessoas que acreditam que bullying, assédio moral e “guerras sociais” fazem parte do crescimento e estão corretos até hoje. Algumas acham que proteger crianças dessas situações cria futuros cidadãos mais fracos, quando, na verdade, essa proteção — essa sensação de estarem seguros — é essencial para que qualquer pessoa construa uma base sólida e cresça como um adulto mentalmente saudável para enfrentar o dia a dia.
Existem inúmeros casos de crianças que se suicidam por causa do bullying e de sofrimentos que os pais não percebem, presos apenas aos seus próprios mundos, muitas vezes tratando isso como algo sem importância ou como “frescura”.
A importância de um filme como esse é essencial para reforçar que essas situações, mesmo quando retratadas de forma caricata em filmes e séries, não são normais. Não é normal bullying. Não é normal valentões. Não é normal assédio moral.
Queria que meu filho visse esse filme para entender que ele precisa ser ele mesmo.
A sociedade, muitas vezes, nos obriga a sermos uniformes. E eu sofri muito com isso na época da escola e da adolescência.
Tentava ser igual aos outros garotos para ser popular, ter mais amizades e até mesmo uma namorada.
Mas eu não gostava de jogar bola.
Não gostava de falar de forma vulgar sobre mulheres.
E adorava ler livros escondido na biblioteca durante as aulas de educação física.
Meu jeito de me vestir também era bem diferente. Sempre gostei de chamar atenção por meio de uma peça de vestuário, e isso me fazia feliz.
Ainda assim, várias pessoas tentaram me convencer de que eu não seria feliz se continuasse sendo diferente.
Revendo o filme pela segunda vez, percebi o quanto me identifico com o Rowley. E, até hoje, na vida adulta, continuo sendo assim. Acho que sou o Rowley depois de casar e ter filhos.
E é isso que quero passar para meus filhos: que sejam como Rowley. Felizes e estruturados. Isso é muito melhor do que serem populares e terem a base psicológica destruída.
É claro que o filme irrita um pouco por causa do egoísmo de Greg e da forma como ele erra constantemente e demora a aprender.
Ainda assim, é um filme muito importante de ser visto e revisto.
Nota: 4,7 ⭐
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