Querido leitor,
Finalmente eu e meus filhos vimos o filme Five Nights at Freddy’s 2, o segundo filme da franquia que tem origem nos jogos, tão famosos ultimamente entre os jovens.
O filme continua a história de Mike e sua irmãzinha Abby. Mike, que criou Abby desde que seus pais morreram, se vê tendo que lidar com os traumas de ambos terem sido vítimas dos Animatronics, que encantaram sua irmãzinha durante seu último emprego como vigia de uma antiga pizzaria. Controlados por um psicopata assassino, eles queriam transformá-la em um fantasma que possuísse os corpos dos Animatronics, como havia sido feito com outras crianças.
Mas Mike mostrou aos Animatronics que o psicopata William era o verdadeiro motivo de eles serem assim. Revoltados contra seu criador, eles o matam, salvando Mike, Abby e Vanessa, filha de William.
Neste novo filme, eles tentam ter uma vida normal. Porém, existe outra filial abandonada da pizzaria. Nela, há outro Animatronics, que abriga o fantasma de uma garotinha que se tornou maligna, revoltada com pais e adultos que não lhe deram ouvidos quando tentou pedir ajuda, mesmo sabendo que os robôs matavam crianças.
Quando morre, ela se transforma no terrível monstro Puppet. Ele passa a possuir outros Animatronics, enganando Abby, fingindo que eles eram os antigos Animatronics, seus amigos.
Então Mike precisa entrar no sistema da filial abandonada e desativar os robôs, assim como o fantasma da menina, antes que eles ataquem pais e adultos indefesos, com a ajuda de Vanessa.
Ele percebe que existem segredos e artimanhas para escapar dos ataques dos maquiavélicos robôs possuídos pela Puppet, como usar uma máscara feita de destroços de outros robôs ou seguir regras específicas, como não entrar na atração do rio, que tinha um funcionamento diferente da matriz.
Mas, para desativar a Puppet, ele precisa pedir ajuda aos antigos amigos de Abby, os Animatronics da matriz, fantasmas dos garotinhos.
Eles o ajudam a destruir os mecanismos dos robôs possuídos pela Puppet. Porém, apenas uma caixinha de música — feita pelo pai da garotinha — é capaz de fazê-la dormir novamente.
Descobrimos ainda que quem comandava a filial da pizzaria e os ataques era o irmão de Vanessa, Michael Afton, cuja existência ela havia escondido.
Ele é preso, mas Mike fica revoltado ao descobrir que Vanessa escondeu que também tinha um irmão perigoso. Por isso, pede que ela se afaste dele e de Abby. Isso a deixa deprimida, vulnerável a se tornar mais uma vítima da Puppet.
Resenha
O novo filme da franquia nos leva novamente a esse mundo psicodélico, mas agora revela um pouco mais do passado e de como as crianças eram vítimas.
O terrível ataque a Charlotte, que se transforma na Puppet, é muito triste e revela uma realidade bastante atual: adultos que não dão a devida atenção às crianças.
Na verdade, toda a metáfora do filme gira em torno disso.
A Puppet é revoltada com os adultos por esse motivo.
Às vezes, achamos que não temos tempo para dar atenção às crianças porque precisamos trabalhar ou descansar. Mas, se prestássemos mais atenção ao mundo em que nossos filhos vivem, talvez enxergássemos os verdadeiros perigos que existem nele — e também as coisas boas.
Ironicamente, falo isso sobre um filme inspirado em um jogo.
Um filme aparentemente de terror, que muitos pais acreditariam que deveria ser proibido para os filhos, na verdade esconde mensagens importantíssimas sobre a importância de dar atenção a eles. Talvez, por meio desses jogos, eles estejam aprendendo a dar mais atenção à próxima geração.
Eu luto para aprender o máximo possível desse novo mundo dos jogos que tanto os cativa.
Deveríamos pensar que é apenas tela e vício?
Ou que existe todo um universo de mídia sendo desenvolvido para encantar uma geração que nasceu em meio às catástrofes da pandemia do coronavírus, isolamento obrigatório e pais tecnologicamente evoluídos?
São cabeças diferentes das nossas, que fomos criados de outra forma: com programação de televisão agendada e jogos caros de videogame, pelos quais tínhamos que implorar para ter.
Hoje vivemos em um mundo imediatista, no qual nossos filhos precisam receber informações rápidas. Se não estiverem inteirados, ficarão de fora desse mundo — e até de um mercado de trabalho muito mais evoluído que o nosso. A IA está aí para provar isso.
E, se nós, pais, tivermos apenas a ignorância de achar que esse mundo é errado, vamos perdê-los. Acho que é isso que o segundo filme da série quer mostrar.
Gostei da atuação dos atores e da forma como o roteiro atualizou elementos da segunda fase do jogo para o novo filme, adaptando partes importantes da narrativa original.
Foi aterrorizante ver Abby quase se transformando na Puppet.
Fiquei muito decepcionado com a forma como Mike agiu com Vanessa no final. Não acho que tenha sido ruim, mas acredito que foi uma escolha para o desenvolvimento do próximo filme. Ainda assim, confesso que criei um certo ranço do personagem.
Adorei ver atores famosos nos papéis coadjuvantes: Skeet Ulrich, de Riverdale; McKenna Grace como a Puppet; e o nosso Wayne Knight, de Jurassic Park. O ator está chegando aos 70 anos e continua morrendo de forma trágica nos filmes — algo que adoramos, já que ele quase sempre interpreta vilões memoráveis.
O filme continua divertido, com terror na medida certa, boas mensagens e de uma forma que meus filhos podem assistir.

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