O devorador de escuridão - Nikki St Crowe




Querido leitor

Mais um romance de Nikki St. Crowe da série Dark Romance inspirada em Peter Pan.

Este livro expande ainda mais o universo fantasioso e mágico inspirado no clássico da Disney.

Resumo


Começamos o livro com a reação do personagem Crocodilo após ter engolido a bruxa que vivia no reino onde Wendy havia sido mantida refém por ter se casado com o rei.

Crocodilo passa a se transformar, sem conseguir manter o controle que antes possuía, no ser monstruoso que devorava homens.

Gancho e Wendy, com quem ele mantém um relacionamento de poliamor, decidem ir atrás do irmão dele na Terra do Nunca: Viny, um dos Meninos Perdidos.

Enfrentando as leis de Peter Pan, que os proibiam de voltar à Terra do Nunca, eles perguntam ao irmão como resolver os efeitos colaterais do feitiço que Crocodilo sofreu, que agora causava a possessão da bruxa, provocando alucinações.

A resposta é um chapéu mágico feito por um tio deles que morava em sua terra de origem, a Terra Soturna.

Ao chegarem lá, descobrimos que Viny e Crocodilo faziam parte da linha de sucessão do reino, mas, após algo que seus pais fizeram, toda a família foi expulsa.

Eles entram escondidos em uma festa, enfrentam outra bruxa e conseguem pegar o chapéu necessário.

Porém, descobrem que o tio de Viny e Crocodilo é o Chapeleiro Maluco, que desapareceu após atravessar um espelho no castelo de onde foram expulsos.

Eles decidem então ir atrás desse tio e de sua filha, Alice.

Resenha


O livro se abre para mais uma releitura adulta de um clássico da Disney: *Alice no País das Maravilhas*.

Um enorme gatilho de curiosidade para quem, como eu, gosta de ver essas histórias ganharem versões mais sombrias e maduras.

Acho que, como na outra série da autora, o segundo livro da série *Devorous* se torna mais fantasioso e focado em aventura do que em romance.

Há um aprofundamento psicológico dos personagens.

É até irônica a forma como isso acontece, mas a humanização do personagem Crocodilo é excelente. Não falo de transformá-lo literalmente em humano, mas de desconstruir o mito do sedutor intransponível por meio de ironias e brincadeiras, revelando um ser frágil, cheio de traumas, medos e uma sede incontrolável por sangue.

Foi interessante ver Gancho e Wendy, antes tão submissos ao charme de Crocodilo, tornarem-se aqueles que agora precisam cuidar dele.

A autora brinca muito com a ideia de quem realmente é submisso ou dominante dentro de uma relação.

Inclusive, isso dialoga muito com algo que escrevi recentemente no trabalho: quando um homem forte mostra suas fraquezas para alguém, essa pessoa precisa ser muito especial. E, se ela o decepcionar, ele provavelmente nunca mais permitirá que essa vulnerabilidade seja vista.

Uma das coisas que mais gosto no meu casamento é não ter medo de mostrar minhas fragilidades, e ver minha esposa acolhê-las sem me fazer sentir inferior por isso.

Esse livro me trouxe ainda mais liberdade para sentir isso. Podemos ser um “Crocodilo” sem medo de sermos frágeis — desde que saibamos quando nos cuidar.

Foi muito interessante a interação entre Winnie e Wendy, bisneta e bisavó. As personalidades opostas das duas funcionam muito bem.

Winnie é espontânea, fala e age sem pensar. Wendy é frágil, receosa, sempre se perguntando se está fazendo a coisa certa ou se será aceita — até mesmo nas relações íntimas entre Gancho e Crocodilo. Ela sempre questiona se será aceita como parte daquela dinâmica, e talvez seja justamente essa humildade que torne tão natural sua entrada como terceiro membro do casal.

Achei o final da série incrível. Fiquei com muita vontade de ler qualquer coisa que venha desse universo, que agora se mostra muito mais aberto e cheio de possibilidades.

Gostaria muito de ver Alice como uma figura dominante em uma relação — não apenas como metáfora, mas como líder mesmo — usando toda a loucura e o psicodelismo do livro original e das adaptações da Disney.

O mais difícil agora é esperar tanto tempo para a autora escrever a próxima história.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐♥️

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