Querido leitor,
Me surpreendi ao descobrir que a autora da série Vicious Lost Boys, Nikki St. Crowe, fez uma continuação.
Em uma versão de Peter Pan em que todos são adultos e vivem todo tipo de perversão misturada ao universo mágico, somos apresentados agora à história após o “felizes para sempre” de Peter Pan e dos Meninos Perdidos ao lado de Winnie Darling, descendente de Wendy.
Gancho se junta a seu pior inimigo, de forma inesperada, Crocodilo, para procurar a verdadeira Wendy, que ficou perdida na Terra do Nunca após Peter Pan abandoná-la.
Eles a encontram como rainha de um castelo da Terra do Sempre. Wendy se casou com o rei Hald depois de sobreviver a uma tentativa de enforcamento, à qual foi condenada pelos súditos por ser cúmplice de Peter Pan.
O rei se casa com ela, e os dois passam a viver jovens e eternamente, sem explicação. Isso gera comentários na corte de que eles estariam sob a influência de um grupo secreto de bruxos chamado Criadores de Mitos.
Esses rumores se tornam ainda mais complexos quando o rei perde sua juventude, envelhece, entra em coma e caminha para uma morte certa, enquanto seu filho — enteado de Wendy — passa a ter juventude eterna.
Os boatos passam então a afirmar que Wendy mantém um caso com seu enteado.
Quando Gancho e Crocodilo a encontram na corte, percebem que esses comentários não são verdadeiros, pois o enteado, Hally, e Wendy são, na realidade, rivais.
Descobrimos que a esposa de Hally, Lady Mareth Shade — uma mulher aparentemente dócil e submissa ao príncipe — é, na verdade, uma bruxa poderosa.
Quando criança, ela encantou Gancho a pedido de seu pai, fazendo-o acreditar que, sempre que cometesse algo errado, seu sangue sangraria negro.
Porém, isso era mentira. O sangue de Gancho sempre foi negro. Assim, toda vez que sangrava, ele acreditava que nunca fazia algo bom.
Com a ajuda de Crocodilo, Gancho descobre essa verdade.
Mareth fazia parte do grupo Criadores de Mitos e estava prestes a ser expulsa e ter seus poderes retirados. Para evitar isso, ela transfere seus poderes para Hally, concedendo-lhe juventude eterna.
Quando Hally engravida Wendy, criando a geração Darling que sofre na primeira série, ele acaba transferindo esse poder para ela. Por isso Wendy não morre e sobrevive ao enforcamento.
Ao passar a amar o rei, ela também lhe transfere esse poder. Porém, quando deixam de se amar, ele volta a envelhecer.
Ao perceber que seu poder está em Wendy, Mareth o retira dela e o devolve a Hally.
A bruxa tenta matar Wendy para ficar com a coroa ao lado do marido, mas Crocodilo e Gancho não permitem e acabam matando Mareth.
Gancho, agora apaixonado por Crocodilo e Wendy, os leva em seu navio para longe do mundo da magia.
No entanto, a bruxa encanta Crocodilo de alguma forma, fazendo com que ele perca o controle de seu instinto de devorar homens.
O livro é erótico e blasfemo em relação ao lindo conto da Disney, mas é muito bom.
O romance BL entre Gancho e Crocodilo é excelente. Mais uma vez, vemos Crocodilo — dono da personalidade mais forte, sedutora e perturbadora — assumir o papel de submisso e profundamente apaixonado.
Gancho, com sua personalidade ansiosa e desequilibrada, acaba sendo o alicerce da relação.
E, quando pensei que a entrada de Wendy nesse romance atrapalharia, ela faz justamente o contrário: completa.
Ela parece ser a cola que fortalece ainda mais os dois e transforma o relacionamento em algo completo.
As cenas eróticas, tanto entre os dois quanto com Wendy, são arrebatadoras, extremamente excitantes e muito bem descritas.
O roteiro é muito bem trabalhado. As tramoias da corte são complexas e, surpreendentemente, a autora consegue explicá-las em pouquíssimas páginas.
Tudo isso é inserido em um mundo fantástico que ela aprofunda e torna adulto, tanto pelas cenas quentes quanto pela carga pesada da história.
A camada psicológica de Gancho, especialmente a pressão exercida por seu pai, é um dos pontos mais fortes do livro.
Meus pais nunca foram ruins, mas sempre senti uma pressão para ser bom e fazer as coisas corretas. A metáfora criada pela autora sobre o sangue negro de Gancho — mostrando que, mesmo fazendo o bem, ele continuaria sangrando negro — é algo muito profundo.
Trata-se de uma pressão enorme para não guardar rancor, perdoar e continuar fazendo o bem, mesmo quando o mundo é cruel e nos coloca em situações em que precisamos aprender a não deixar que passem por cima de nós.
Essa pressão vivida por Gancho em relação ao pai me tocou bastante, mesmo meus pais não tendo feito isso de forma explícita.
O final do livro, fechando o ciclo da corte com a morte dos inimigos e deixando em aberto apenas o mistério do feitiço sobre Crocodilo para o próximo volume, foi um verdadeiro golpe de mestre da autora.
Eu já pretendia ler o próximo livro da série em seguida.
Mas, depois desse final, mal posso esperar para escrever a próxima resenha.
Nota ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐





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