Querido leitor,
O filme Brightburn – Filho das Trevas imagina como seria o Superman se ele fosse mau durante a infância, descobrindo seus poderes e como usá-los contra as pessoas que o ofendiam e contra aqueles que o identificavam como um psicopata e tentavam lutar contra ele.
Tori e Kyle, não podendo ter filhos, adotam o bebê que encontraram dentro de uma nave que caiu em sua fazenda.
Mas quando o garoto completa 12 anos e a puberdade chega junto com seus superpoderes, ele passa a usá-los contra uma garota que não gostava dele na escola.
A mãe da garota o ofende, e ele, usando uma máscara, começa a matá-la.
Suas ondas de raiva fazem com que seus tios também entrem na lista de vítimas do jovem.
Os pais não podem mais negar que o filho está envolvido com os crimes.
O pai tenta pôr fim à vida do filho adotivo, entendendo que ele era sobrenatural.
Mas o pai acaba se tornando vítima da própria criança. A mãe tenta pôr fim à vida do filho sabendo que sua fraqueza era ficar perto da nave com a qual veio ao mundo.
Mas ele consegue se defender, matando a própria mãe. E, destruindo um avião, ele se mantém inocente aos olhos da mídia, fazendo todos acreditarem que seus pais foram vítimas da queda e que ele foi o único sobrevivente.
O filme finaliza mostrando-o como o mascarado, um Superman do mal.
Resenha
O filme nos apresenta um medo terrível, não apenas do dito Superman, mas também, metaforicamente, o medo da passagem da infância para a adolescência, que causa, com os hormônios juvenis, várias variações de humor, inclusive a rebeldia dos filhos contra os pais.
Acho que o filme quis mostrar mais isso do que propriamente uma versão maligna do Superman, pois ele retrata apenas essa fase da vida dessa imaginária versão malvada do nosso super-herói.
O nível de psicopatia do rapaz também é bem marcante. Vemos como sua cegueira diante da maldade é clara. Ele mata sem perceber totalmente o horror que está causando.
Esse poder supremo misturado com um nível extremo de psicopatia é algo que realmente causa medo.
A negação de Tori em ver como o filho é mau é algo extremamente real. Acho que todo pai e mãe seria assim.
O filme nos deixa curiosos para saber como seria a vida de Brandon se ele crescesse e realmente dominasse o planeta Terra com seu poder extremo.
O filme fica um pouco cansativo porque a invulnerabilidade do menino o faz ultrapassar todos os limites. Não há como alguém vencê-lo. Acho que isso seria mais suportável se Tori conseguisse vencê-lo com uma espécie de “kriptonita”.
Mas nem isso acontece no filme.
O nível de sadismo também ficou um pouco exagerado. A gratuidade das cenas, feitas para nos deixar incomodados com a sordidez do gore, foi excessiva.
Mas acho importante que o tema dessa revolta adolescente seja mostrado. Pois eu, tendo dois filhos que lutam por independência psicológica no começo da pré-adolescência, vejo como é difícil lidar com essa revolta sem recorrer à antiga arma da agressão física, utilizando apenas diálogo e exemplo.
A violência é um meio mais fácil, porém covarde.
O diálogo e o exemplo exigem tempo e uma disposição que, às vezes, os pais não estão dispostos a ter, mas que nos tornam mais íntimos e amigos de nossos filhos nessa fase tão difícil.
Porém sei que, em casos de psicopatia, a situação é bem diferente.
O filme de terror traz ensinamentos importantes, mas o gore exagerado atrapalhou a experiência.
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Agora a pergunta que o filme nos mostra:
Será que temos medo do Superman do mal ou o medo de não saber salvar um filho que se ama?
Nota: 2,5⭐
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