Onde está segunda?


Querido leitor,

O filme Onde Está Segunda? nos apresenta um mundo no futuro onde todo casal poderia ter apenas um filho, graças ao rígido controle populacional imposto pelo governo. Os outros filhos, teoricamente, seriam congelados para que, quando a população mundial diminuísse, essas crianças pudessem ser descongeladas e viver normalmente.

Mas a filha de Terrence Settman morre ao dar à luz a sete gêmeas. Para proteger as netas, ele as esconde do mundo e faz com que vivam compartilhando uma única identidade, cada uma saindo apenas no dia da semana correspondente ao seu nome. Para isso, ele lhes dá os nomes dos dias da semana.

Elas assumem a identidade de Karen Settman.




Mas um dia, Segunda não volta de sua jornada de trabalho.

As outras seis passam a investigar o que aconteceu e logo descobrem que foram descobertas pelo governo, que as persegue e tenta matá-las para esconder o fato de que sete pessoas viveram fora do controle populacional.

Depois de várias mortes e de uma das irmãs invadir a agência do governo, ela descobre a terrível verdade: as crianças não são congeladas coisa nenhuma. Elas são exterminadas. Ela grava essa revelação e a expõe durante uma reunião em que a líder da agência falava para outros líderes governamentais.

E o pior: elas haviam sido traídas pela própria Segunda, que estava viva e desejava uma vida real, constituir uma família com o homem que amava e ter seu próprio filho, pois estava grávida.

Mas, no confronto com a irmã sobrevivente, Segunda acaba morrendo.

A líder da agência recebe a pena de morte, e as duas irmãs sobreviventes prometem cuidar dos filhos gêmeos de Segunda.




Resenha

O filme, apresentado a mim pelo meu sogro, nos traz uma realidade fria e desesperadora. Um filme que nos apresenta o terror psicológico de não ter o direito de viver.

O que faríamos?

O que faríamos no lugar de Terrence?

Lutaríamos contra o sistema?




E o que faríamos se estivéssemos no lugar de Segunda, tendo que compartilhar uma vida com suas irmãs, sem o direito de ter uma vida própria?

Acho que o pouco que tive que compartilhar com meu irmão gêmeo, Leandro, me traz um pouco do que Segunda sentiu.

Quando chegamos à vida adulta, tivemos que deixar de compartilhar uma vida inteira de infância, em que éramos obrigados a dividir brinquedos, festas e, às vezes, escolhas que deveriam ser únicas.

Algumas coisas compartilhadas com ele eram muito boas. Eu sentia que era uma dádiva ser gêmeo e poder viver momentos felizes juntos. Mas também foi realmente difícil abrir mão dessa convivência tão próxima para termos nossa independência.

Mas acho que o filme vai além disso.



Ele fala dos perigos de mantermos o controle nas mãos de líderes que, às vezes, abrem mão dos direitos individuais das pessoas para manter um sistema que dizem ser o correto, mesmo que não possamos entender toda a realidade.

Não podemos permitir isso.

O mundo está aberto para enxergarmos a política de verdade. Mas, às vezes, preferimos ver apenas o que nos mostram, para manter nossa rotina confortável. Quantas pessoas, no filme, entregavam seus filhos acreditando que eles seriam congelados, quando na verdade eram exterminados?

E quanto tempo as Settman viveram sem se revoltarem, apenas para manter sua rotina? E se elas tivessem se revoltado juntas contra o sistema desde o início?

Acho que o trabalho de atuação de Noomi Rapace foi excelente, interpretando cada personalidade de forma única. Mas sinto que faltou mais tempo e espaço para desenvolver melhor cada irmã.

As mortes das irmãs foram muito traumáticas. Acho que o filme poderia ter sido ainda mais poderoso se mais delas tivessem sobrevivido até o final para descobrir a verdade juntas.

O sadismo do filme, em alguns momentos, foi maior que o próprio desenvolvimento emocional da história, o que achei desnecessário.

Mas o filme é político e emocional ao mesmo tempo. Filosófico até, se pensarmos no direito à individualidade e ao simples direito de existir.


Nota: ⭐⭐⭐

 

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