Rivalidade Ardente - Rachel Reid

 

Querido leitor,

Eu li o livro Rivalidade Ardente, obra que deu origem à série da HBO, Heated Rivalry.

A história conta sobre duas estrelas do hóquei: Ilya Rozanov, um russo, e Shane Hollander, um canadense. Seus times são rivais no campeonato, e a mídia os coloca como as principais figuras dessa intensa rivalidade.

Só que Ilya e Shane começam a desenvolver uma forte atração sexual.

Com o passar dos anos, mantendo essa rivalidade durante os vários jogos do campeonato, eles vão descobrindo que, além da atração física, passam a sentir vontade de ficarem juntos. Percebem que o caso está evoluindo para o amor.

Mas o medo de o relacionamento ficar mais difícil de esconder dos fãs, da mídia, da família e dos amigos faz com que neguem esse sentimento um para o outro, disfarçando todo esse amor como uma “bromance”.




Quando outro jogador assume sua homossexualidade em rede nacional, beijando o namorado diante de todos, isso dá força para Ilya e Shane viverem o que realmente sentem, entregando-se a uma verdadeira relação amorosa — e não apenas ao sexo casual que fingiam manter.

As coisas ficam ainda mais sérias quando o pai de Shane aparece de repente durante um retiro particular do casal em uma sholpana, descobrindo o relacionamento dos dois. No entanto, tanto o pai quanto a mãe se mostram receptivos ao fato de o filho ter encontrado o grande amor nos braços do arqui-inimigo do hóquei.

Eles decidem acabar com a rivalidade midiática e criam uma ONG para pessoas com depressão, em homenagem à mãe de Ilya, que tirou a própria vida.

Ainda não podiam anunciar publicamente a relação, mas o livro termina com a rivalidade sendo encerrada na mídia — o que já era um bom começo.


📝 Resenha

A rivalidade ardente de Ilya e Shane chama muita atenção pelas inúmeras cenas hot, cheias de detalhes explícitos — em um nível que eu nunca tinha visto em um romance BL.

Mas o que mais me agradou, além das partes sensuais, foi a temática do amor impossível.

Primeiramente, a problematização de dois homens que ainda não se assumiram como gays ou bissexuais e que não conseguem aceitar o fato de se amarem. Eles precisam vencer a masculinidade competitiva, os preconceitos internos e a tendência à autossabotagem.




Depois, há a questão da mídia, da fama e da carreira, que poderiam ser prejudicadas tanto pelo preconceito contra um relacionamento gay no hóquei quanto pelo marketing construído em cima da rivalidade entre adversários.

Existe também o medo da reação da família e dos amigos.

Por toda essa impossibilidade do relacionamento existir livremente — e ainda assim eles lutarem com unhas e dentes para que esse amor sobreviva — o livro emociona.

Quando temos um relacionamento possível e aceito socialmente, como o meu e o da minha esposa, ver uma história como essa é inspirador. Faz a gente valorizar ainda mais o que tem e relevar problemas menores.

O que eu mais gostei foi o humor gerado nos momentos íntimos, especialmente quando fingiam ser apenas rivais ou amigos. Isso criava situações muito engraçadas, mesmo nas cenas mais detalhadas.

Há também o drama intenso causado pelo sofrimento de não se aceitarem — e de não serem aceitos.

Os momentos em que Ilya abandona as brincadeiras e fala seriamente sobre seus sentimentos por Shane são extremamente fofos.

As características tão diferentes entre eles também geram situações engraçadas e românticas, tanto pelas personalidades quanto pela diferença cultural. A autora soube transformar a dificuldade de Ilya com o inglês em cenas hilárias.

Por outro lado, a cultura russa apresentada no livro traz o problema da repressão às causas LGBT. Embora não seja proibido ser gay na Rússia, manifestações públicas de apoio são vistas com hostilidade e até criminalizadas, o que gera medo e violência. A autora soube transmitir bem esse clima de tensão quando os personagens visitam o país.

Acho absurdo ainda existirem pessoas e governos que tratem como crime algo que deveria dizer respeito apenas ao amor entre duas pessoas. Ao mesmo tempo, pensar que isso deve ficar “entre quatro paredes” também revela um preconceito estrutural, como se um relacionamento homossexual fosse apenas sexo — quando, na verdade, envolve família, amigos e vida pública, como qualquer outro.

Creio que a autora quis mostrar exatamente isso: eles têm o mesmo direito de viver e compartilhar o amor que qualquer casal.




O livro aborda temáticas pouco exploradas, tanto no aspecto sexual quanto no político e psicológico, de forma humorística e romântica.

⭐ Nota: 4 estrelas

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