Salve Rosa

 



Querido leitor,


Em Salve Rosa, filme brasileiro estrelado por Clara Castanho e Karine Teles, conta-se a história de Rosa, uma youtuber infantil produzida pela própria mãe, que começa a perceber que, na verdade, pode não ter a idade que aparenta — 13 anos — e que sempre foi infantilizada para manter seu canal e seus fãs.


Quando descobre a verdade e joga isso na cara da mãe, Dora passa a mantê-la em cárcere privado e a obriga a continuar publicando vídeos com frequência no canal.


A garota, então, usando táticas camufladas durante as gravações, pede ajuda aos fãs, que percebem os sinais e denunciam o caso à polícia, libertando-a. Porém, Dora consegue fugir e ainda está grávida de uma provável próxima vítima de suas maldades.


O filme, que se aproveita da onda de histórias sobre mães vilânicas e filhas oprimidas por abuso parental, traz um elemento a mais: a temática da exploração infantil por meio da exposição na internet.


Tema que está muito em alta atualmente e que nos faz refletir: até onde devemos expor nossos filhos nesse meio? Até onde vai o permissivo para nós, pais? Até que ponto registrar momentos deixa de ser memória e passa a ser invasão de privacidade?



Acho que o filme veio para mim como um alerta, já que tenho certo vício em expor meus filhos nas redes sociais, justamente com a desculpa de guardar momentos — não em álbuns tradicionais, mas nas plataformas digitais.


Mas é claro que a personagem de Karine Teles, Dora, não age pelas mesmas razões. Ela explora a filha por dinheiro, status ou realização pessoal.


Esse é um dos vários defeitos do filme: não deixar claros os sentimentos da vilã. Optaram por retratá-la apenas como louca, sem qualquer humanização. Tornou-se uma vilã caricata, quase novelesca. Não sei se a intenção era exagerar sua sexualidade para criar um efeito cômico, mas acabou soando ridículo.


O desfecho da personagem também não me agradou.


Acho perigoso que um tema tão real e tão doloroso para famílias reais receba um tratamento que leve a um final que soe brando demais para quem comete tais atrocidades.



A atuação dos coadjuvantes também não foi das melhores. Parece que investiram tudo na performance de Clara Castanho e esqueceram dos demais.


A atuação de Karine Teles foi boa, mas o roteiro não ajudou sua personagem.



No geral, achei que o filme aborda uma temática importante, mas não soube conduzi-la com a seriedade necessária

Nota: 0,7 ⭐ 

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