Khemjira - MTRDs


 Queridos leitores,

Li o livro Khemjira, escrito pelo autor que se intitula MTRDs.

O livro narra a história de um grupo de estudantes que vai para uma vila tailandesa tradicional e humilde para fazer serviço comunitário. Porém, essa vila, gerenciada por grupos de monges, é dominada por espíritos demoníacos.





Um dos estudantes, Khemjira, é um poderoso sensitivo. Ele carrega consigo um espírito maligno que amaldiçoou sua família há muito tempo, não deixando nenhum rapaz passar de certa idade da juventude.

Além disso, ele é a reencarnação da noiva do mais poderoso monge da região, Por Cru Paran.

Delicado, sensível e vítima de inúmeros fantasmas, Khemjira passa a ter a proteção de vários amigos estudantes que, após o projeto de serviço comunitário, passam a receber os ensinamentos de Paran.

Com os ataques dos fantasmas, eles começam a descobrir as histórias dessas entidades. Um deles é Chay-od, irmão de Paran.



Chay-od se apaixonou por Khem quando, em outra vida, ele era uma mulher. Ainda criança, ela se sensibilizou ao ver que Chay-od era abandonado pelos pais, que valorizavam mais o irmão mais velho, Paran.

Mas quando Khem cresce, acaba se apaixonando por Paran, e não por Chay-od.

Quando Paran vai para a guerra, já noivo de Khem, Chay-od escreve uma carta fingindo ser do exército dizendo que seu irmão havia morrido.

Khem então morre de tristeza. Quando Paran retorna da guerra, encontra sua noiva morta.




Chay-od também se mata de tristeza e passa a assombrar Khem em sua nova vida.

Após um ritual, Paran e Khem libertam o espírito do irmão por meio do perdão, amor e paz.

Mas o arquinimigo de Khem era Rhampueng, um fantasma que perseguia os homens da família há séculos.

Ela se casou com um rei que já tinha uma esposa, Kade-Kaw. Essa esposa passou a ter inveja de Rhampueng porque ela era a preferida do rei.

Quando as duas engravidam, apenas o bebê de Rhampueng sobrevive. A outra rainha, tomada pela inveja, joga o bebê de Rhampueng no rio.



Quando Rhampueng vai contar ao rei, ninguém tem coragem de ir contra Kade-Kaw, nem Krangkwan, reencarnação passada de Khem, filha do rei em outro casamento.

Rhampueng é acusada de levantar falso testemunho e jura vingança eterna contra seus inimigos.

Mas novamente um ritual de cura e perdão é feito, e finalmente os fantasmas da cidade vão embora.

Mesmo assim, Khem se sente culpado pelas mortes e dores causadas na região e decide partir, abandonando Paran.

Isso quebra a barreira de respeito e submissão que existia entre os dois. Paran vai atrás de Khemjira e eles assumem um relacionamento para todos.

No final, eles se casam e adotam um casal de gêmeos.




Resenha

O livro escrito na plataforma de novelas asiáticas pelo autor MTRDs vem com a mesma fórmula do último livro, May Death Bless You.

O protagonista sensível e frágil, que vê fantasmas, é protegido pelo mocinho mais forte.

Mas neste livro essa dinâmica vem com uma carga mais sensível e submissa que a anterior. O chefe líder budista e seu súdito trazem uma tensão muito maior, que dificulta o envolvimento entre os dois.

Graças a isso, o desenvolvimento do relacionamento é muito mais lento — o chamado slow burn.

A parte do combate às forças sobrenaturais é bem mais presente na história, mas acaba se tornando um pouco repetitiva ao longo de suas quinhentas páginas.

Acho que, diferente do outro livro, o autor pesou na mão na sensibilidade do protagonista. Ele se torna constantemente uma donzela em perigo esperando ser salva.

E os rituais de salvamento exigem muita imaginação do leitor para conseguir acompanhar até o final do livro.



O roteiro de cada história de fantasma, porém, é muito interessante. Daria uma ótima série com vários episódios por temporada.

Cada caso é muito interessante.

A cultura dos monges também é muito bem apresentada. A descrição é tão boa que conseguimos imaginar realmente estarmos lá, naquela vila e naquele templo.

Mas realmente a repetição acaba cansando.

O final feliz foi bonito, mas poderia ter sido desenvolvido ao longo dos ataques dos fantasmas.

Acho que isso teria deixado a história menos cansativa.

O que o livro conquista mesmo é a parte que mostra a fragilidade masculina sendo escancarada.

O homem tem muita dificuldade de demonstrar essa fragilidade, e quando demonstra acaba sendo julgado.

E ver os amigos protegendo Khem é interessante. Acho que o autor quis mostrar mais uma utopia do que uma realidade na forma como os amigos se movimentavam para proteger Khem. Isso também é muito raro.

É difícil existirem amigos que realmente protegem e se preocupam com o outro. Ainda mais em ambientes masculinos em que todos estão preocupados em medir quem é mais macho, em vez de dizer “socorro” ou “posso te ajudar”.

A parte de o superior ser visto como ser humano e também poder ser vítima do amor chama bastante atenção.

Paran parece tão inalcançável, e de repente ama o jovem Khem.

Acho que o budismo e a ideologia da reencarnação acabam mostrando que, no fim, não existem degraus de submissão. Todos somos iguais.

Acho que o livro tenta justamente retratar isso.

Pena que a resolução de um enredo tão rico não conseguiu transmitir tudo que poderia.

Nota 3,5 

Comentários