Querido leitor,
O segundo livro da série *Criaturas Impossíveis* chegou ao Brasil e, assim que possível, comecei a ler. Viciei no primeiro livro, principalmente porque imaginei os protagonistas Mal e Christopher como meus filhos, Suzana e Leony.
O primeiro livro conta a história de Christopher, que salva um mundo encantado por seres fantásticos, que estava perdendo sua magia, pois seu protetor, o Imortal, não estava mais renascendo. No fim, descobrimos que o Imortal era Mal.
Ela morre no final para proteger os seres fantásticos daquele reino.
O final do primeiro livro é bem triste, mas me tocou de tal forma que, assim que tive disponibilidade, comecei o segundo volume.
No início, me decepcionei um pouquinho com o fato de o Imortal não retornar de imediato à história e com a introdução de uma nova protagonista, Anya Argem.
Anya é uma princesinha que vivia com o pai, que a deixava viver como queria, mesmo sendo herdeira do trono. Ela vivia livre, com seus amigos gaganas, uma espécie de pássaro mágico, com os quais tinha uma forte conexão e conseguia se comunicar.
O pai também gostava mais de estudar plantas mágicas do que de exercer seu papel como herdeiro do trono.
Mas o pai dele e o irmão o criticavam constantemente por essa atitude.
Só de ver a relação entre pai e filha, e como o pai agia contra as regras de sua sociedade, vocês já devem imaginar que a nova protagonista me conquistou logo nas primeiras páginas.
O problema começa quando o rei, avô de Anya, é envenenado. O pai dela é acusado, pois estava com o frasco do veneno no bolso.
Mas, na verdade, foi o irmão, Claude, quem envenenou o próprio pai e incriminou o irmão, colocando o vidro do veneno em seu bolso após um abraço.
Anya foge de uma tentativa de assassinato ordenada por Claude e parte em busca de provas para inocentar o pai.
E quem aparece no meio da floresta para ajudá-la a fugir dos soldados? Christopher.
Com a ajuda da esfinge Naravirala e do mini dragão Jacques, ele ajuda Anya a fugir e a seguir até a Montanha dos Dragões, onde o veneno teve origem.
Lá, ela descobre que o tio também havia envenenado os dragões e roubado seu ouro. Foi assim que ele conseguiu riqueza e conquistou a confiança do rei.
Christopher e Anya conseguem, na biblioteca do novo castelo de Irian e Nighland — herdados após a morte de Anja Trevasse —, encontrar o antídoto para o veneno.
Ao tomar o antídoto antecipadamente, Anya permite que Claude a envenene, para provar a todos do reino que ele é o verdadeiro assassino.
Ela revive graças ao antídoto e tem a chance de matar o próprio tio por vingança. No entanto, ao vislumbrar o tipo de pessoa que poderia se tornar, ela decide poupá-lo.
O tio tenta novamente matar os dragões, mas o antídoto faz com que eles despertem e acabem matando-o.
Anya decide transformar o reino em um governo parlamentar e passa a viver com o pai no castelo de Nighland, estudando e aproveitando a infância.
Christopher também vai viver lá, com a aprovação do pai. E então chega o novo Imortal ao castelo: um bebê de cerca de um ano.
O livro termina com o retorno do Imortal à história.
O livro traz um sentimento de tristeza — agora mais latente —, de inocência e infância quase perdidas. Mas, mesmo diante de tantas dificuldades, a infância luta para sobreviver.
E isso é tão real e bonito.
Ver meus filhos nessas crianças é algo que me toca profundamente.
Porque eu luto para que, por mais que as dificuldades aconteçam à nossa volta, eles possam viver a infância da melhor forma possível.
Anya, embora eu a tenha imaginado com outra aparência, me lembrou muito a personalidade da Suzana — especialmente no amor e devoção pelo pai, e na coragem, mesmo sendo delicada.
O roteiro deste segundo livro me pareceu mais consistente e mais forte, além de menos psicodélico.
O vilão é odiável, e me vi realmente detestando cada vez que ele aparecia.
O final foi muito bonito: Anya percebe que poderia se tornar alguém ruim no futuro e decide perdoar o tio. Ainda assim, o destino dá a ele um castigo terrível, o que achei perfeito.
A chegada do novo Imortal foi extraordinária e abre espaço para um próximo livro, que também quero ler com o mesmo entusiasmo.
Mais um livro lindo de Katherine Rundell. E me deixou com sede de ler ainda mais obras da autora.
Nota ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐








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