The return of The indian ( O retorno do indígena) - Lynne Reid Banks





Querido leitor,

Li o segundo volume da série The Indian in the Cupboard, O Indígena no Armário, ou, como é conhecido aqui no Brasil, A Chave Mágica.





A série conta a história de Omri, que, com uma chave mágica que ganhou da mãe, herdada da avó, consegue puxar pessoas do passado substituindo seus bonecos de ação, só que em miniaturas.

O garoto de nove anos percebe que, ao fazer isso, não estava brincando com seus brinquedos, e sim lidando com pessoas reais. Então volta suas miniaturas para o tempo delas quando coloca suas vidas em risco.

Só que, nesse segundo volume, Omri decide trazer de volta seus companheiros em miniatura, Urso Pequeno e Boone, para lhes contar que ganhou um grande prêmio por uma redação contando a história deles como se fosse fictícia.

Só que isso traz novamente a terrível realidade do tempo deles.





A aldeia do tempo de Urso Pequeno estava sendo atacada em sua linha temporal, colocando em risco a vida dele e de Estrela Brilhante, sua esposa, que estava prestes a dar à luz.

Omri e seu amigo Patrick decidem ajudar, trazendo toda uma frente de guerra com seus soldadinhos de brinquedo e levando-os para a linha temporal de Urso Pequeno para ajudar a defender a aldeia dos Mohawks, o grupo indígena inimigo.

Mas Patrick tem uma brilhante ideia: ir saber como foi essa batalha fantástica ao vivo. Ele decide testar a chave mágica em um baú que caberia neles.

Só que, para ir para a linha temporal específica de Urso Pequeno, ele tinha que levar algo pessoal do indígena. Ele, com egoísmo, decide levar Estrela Brilhante, em trabalho de parto dentro da cabana. Com isso, acaba levando Boone também, que estava ajudando a indígena Mohawk em hora tão difícil.

Quando retorna de sua viagem transcendental, Patrick acaba deixando Estrela Brilhante, o filho e Boone na aldeia, em meio à guerra.

Omri não vê outro jeito a não ser ele mesmo ir buscar os amigos em miniatura.

Só que Patrick, que tinha que trazê-lo de volta, demora mais do que o esperado. Ele acaba vendo mais coisas do que deveria, enquanto, na linha temporal de Urso Pequeno, era um objeto inanimado: uma decoração de um castor na tenda da aldeia indígena.

Ele ouve Estrela Brilhante dando à luz com ajuda de Boone. Ele vê o grupo indígena inimigo invadir a aldeia e botar fogo nas tendas, incluindo aquela em que Omri estava paralisado como objeto inanimado.

Ele vê também os Mohawks surpreendendo a tribo com armas supertecnológicas.

Eles conseguem retornar ao tempo atual quando Patrick pode trazê-los de volta, aproveitando que os pais de Omri saem de casa.

Mas a casa de Omri é atacada por um grupo de skinheads. Eles querem roubar objetos valiosos.

Omri e Patrick usam os guerreiros em miniatura e as armas das épocas deles para atacar os ladrões.

E mais uma guerra é vencida.

Resenha




Com material bem mais pesado que o primeiro livro, a resposta para não ter havido uma adaptação do segundo volume fica explicada.

Omri passa por problematizações bem maiores que no primeiro, trazendo o grande tema da série ainda mais a fundo: podemos brincar de Deus com vidas à nossa volta?

Levar armas do século XX para uma guerra indígena, em que ambos os lados tinham apenas arcos e flechas, faz o garoto de nove anos se perguntar se influenciar nessa guerra foi algo certo a se fazer.

Guerras têm vilões ou mocinhos? Se ele tivesse trazido à vida um membro da tribo inimiga, será que o vilão não seria Urso Pequeno?

Agora a série abre as portas para um novo universo, em que a viagem no tempo é possível, e abre espaço para teorias sobre esse universo que a autora Lynne Reid Banks criou.

O que viaja dentro do poder dessa chave mágica seria a alma da pessoa, ficando em objetos representantes de sua personalidade, como totens?

O que Omri era no passado seria a imagem daquele castor?

E depois que morreu no tempo atual, o totem de Urso Pequeno seria o brinquedo indígena de Omri?

A alma não morreria ou não iria para o além? Ficaria na Terra como representação desse totem?

E o egoísmo de Patrick? Mesmo sabendo que são vidas humanas, não pensa duas vezes quando decide usar a chave para seu bel-prazer, realizando seus desejos. Foi muito triste vê-lo usar Estrela Brilhante em momento tão difícil como se fosse um objeto.

E, no final, ver Omri questionando seu papel na guerra de Urso Pequeno, mas não pensar duas vezes quando precisou lutar sua própria guerra contra os skinheads invadindo sua casa.

Tudo é uma questão de perspectiva.

Acho que o segundo livro da série é, de verdade, um questionamento filosófico e político — algo muito maior que um livro infantil. E será que crianças estão preparadas para um questionamento tão pesado e profundo?

A autora nos traz isso agora não por meio de metáforas, mas por meio de uma agonia psicológica mesmo. E está muito longe de ser apenas um livro infantil — mas soube conduzir muito bem, sem perder a emoção.



Foi muito bom ver o Omri que conheci na infância viver tantas coisas mais emocionantes do que enfrentar um rato mascote da família.

Espero que, nos outros livros, tenha mais.

 Nota 4,5 

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