Sobre Uma Advogada Extraordinária
Querido leitor,
Acabei de assistir ao dorama Uma Advogada Extraordinária, que conta a história de Woo Young-woo, uma advogada que está dentro do espectro autista.
Ela utiliza sua memória fotográfica, seu hiperfoco, entre outros pontos positivos de ser autista, para se favorecer na profissão e atuar em diversos casos apresentados ao longo dos episódios da temporada.
Young-woo foi abandonada ainda bebê pela mãe, o que fez com que seu pai cuidasse dela desde recém-nascida.
Quando ela é contratada para trabalhar na empresa de advocacia Hanbada, por ironia do destino, sua mãe se torna sua concorrente, atuando na empresa rival.
Sua chefe, com o objetivo de desmoralizar a mãe, decide expor o caso à mídia. E, no último episódio, com o filho mais novo da advogada rival sendo acusado de roubar dados ao hackear uma empresa, essa denúncia se torna ainda mais relevante.
No entanto, no episódio final, Young-woo supera diversas limitações emocionais para enfrentar a mãe e fazê-la assumir a responsabilidade pelo crime do filho, escolhendo ficar ao lado dele em vez de priorizar sua carreira e ambição política.
A cada caso, Young-woo supera seus limites, aprendendo e crescendo dentro da empresa, mesmo com suas diferenças na forma de sentir e lidar com a sociedade.
Ela também desperta o interesse amoroso de um colega do escritório.
Joon-ho se envolve com Young-woo e precisa provar constantemente que pessoas autistas também podem viver um relacionamento amoroso e construir uma história bonita como qualquer outra.
Os colegas do escritório também precisam reconhecer que Young-woo é uma profissional eficiente, apesar de suas diferenças.
Min-woo é extremamente competitivo e vê a aparente limitação de Young-woo como uma ameaça. Isso o leva a utilizar métodos antiéticos para se destacar, como humilhá-la e colocá-la em situações que desafiam sua rotina.
Com o tempo, ele percebe que esse comportamento o afasta das pessoas e que precisa ser menos competitivo e mais humano.
O gerente do escritório, Myung, também passa por um aprendizado, mas de forma diferente. Ele se dedica tanto ao trabalho que perde o casamento. Ao descobrir que tem câncer, passa a buscar equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
Os episódios, que apresentam um caso diferente a cada vez, também são muito inspiradores.
O episódio do filho da diretora que sequestra crianças para que possam brincar no parque é muito tocante, mostrando a pressão acadêmica na Coreia e a importância do lazer na infância.
O caso do jovem autista acusado de matar o irmão também é muito triste. Na verdade, o irmão cometeu suicídio, e o pai tenta encobrir o ocorrido acusando o outro filho.
Também me comovi com o caso do bairro que lutava para não ser dividido por uma rodovia.
Gostei de como, em momentos críticos, Young-woo tem ideias brilhantes representadas por suas visualizações de baleias, o que a ajuda a defender seus clientes de forma criativa.
A forma como a série apresenta o sistema jurídico coreano é didática e interessante, despertando curiosidade sobre como as leis funcionam em outros países, como o Brasil.
Apesar de não ter diagnóstico de autismo, eu também tenho minhas próprias formas de lidar com a rotina e me identifiquei muito com a personagem.
Sua luta para viver em sociedade e interagir com as pessoas é algo com o qual também me identifico.
O hiperfoco dela em baleias é semelhante ao meu hiperfoco em livros. Assim como ela gosta de falar sobre baleias, eu gosto de falar sobre livros.
A alegria dela ao compartilhar esse interesse com Joon-ho é a mesma que sinto quando encontro alguém para conversar sobre minhas leituras.
Achei apenas que, no final da série, Young-woo ficou um pouco mais robótica, perdendo parte de sua personalidade e ficando mais presa a características do autismo.
Talvez isso tenha sido feito para dar mais espaço aos personagens coadjuvantes.
Senti falta de um maior desenvolvimento das vilanias da mãe e da evolução de Min-woo.
A duração dos episódios também exigiu adaptação no início, mas, ao criar uma rotina, isso deixou de ser um problema.
A série ensina que não precisamos viver todos sob as mesmas regras e padrões sociais. Quando entendi que posso ser diferente, percebi que ser adulto se tornou mais leve.
E a série transmite muito bem essa mensagem.
É importante quando uma obra consegue provocar essa reflexão, pois pessoas que fogem do padrão ainda são muito julgadas.
Nota 3 ⭐




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