Querido leitor,
O filme de Arnold Schwarzenegger, de 1987, fez parte da minha infância. Também li o livro que inspirou o filme, do grande autor Stephen King. Então, não tinha como não assistir ao filme lançado em 2025, agora estrelado pelo novo queridinho de Hollywood, Glen Powell.
O filme conta a história de Ben Richards que, em meio a um governo futurista corrupto e injusto entre classes sociais, vê-se em dificuldade quando sua filha pequena adoece, e o único jeito de salvá-la é um tratamento muito caro.
Para conseguir o dinheiro, ele decide entrar em um programa de reality show de grande sucesso, cuja regra é sobreviver por trinta dias enquanto todos tentam matá-lo — incluindo mercenários e civis.
Assim que o programa começa, Ben descobre que o reality é manipulado, desde o nível de dificuldade para cada competidor — dependendo da audiência que cada um gera — até a edição das imagens, com o objetivo de manipular o público a gostar ou não dos participantes.
Ben também descobre que há pessoas se organizando para desmascarar as falcatruas do programa.
O protagonista usa todas as formas possíveis para escapar dos agentes e elimina, um a um, os mais qualificados.
Mas, quando descobre que o programa teria matado sua família, ele se revolta e ameaça jogar o avião em que fugia contra o prédio da agência do programa. Porém, diferente do livro e do primeiro filme, ele não faz isso.
Ele grava um vídeo revelando toda a verdade ao público e o coloca na caixa-preta do avião. Assim, todos ficam sabendo e se revoltam com o produtor do programa.
Além disso, Ben descobre que a morte da esposa e da filha era mais uma manipulação: elas estavam vivas e bem.
Resenha
Um filme sobre um homem movido pelo amor à filha… será que não me conquistaria?
As cenas de ação, com fugas desenfreadas e insanas, são o segundo ponto que chama atenção positivamente.
A forma desbocada e a reação explosiva de Ben ao perceber a injustiça do programa cativam o personagem. Ele já estava sob pressão, então seu comportamento mais extremo faz sentido — embora ele pudesse xingar menos, o que prejudicou um pouco.
Mas o final modificado ficou muito bom.
Acho que poderia ser mais desenvolvido, mostrando um “felizes para sempre” mais prolongado. Também gostaria de ver o produtor sendo derrotado de forma mais gradual, e não apenas nas cenas finais.
O filme conquistou, surpreendentemente, meu filho Leony, de sete anos. Acho que o que ele mais gostou foram as “acrobacias” loucas e a tensão constante — aquele “quase” o tempo todo. A principal reclamação dele foram os palavrões, que pareceram desnecessários.
Para mim, o que mais pegou foi a motivação do protagonista: fazer tudo pela família. Isso me fez refletir — será que eu teria coragem de entrar em algo assim para mudar a vida financeira da minha família?
Onde eu assino?
Acho que qualquer pai de família, na situação de Ben, não o julgaria. Alguns, inclusive, não pensariam duas vezes antes de fazer o mesmo.
Às vezes, metaforicamente, não damos nosso sangue todos os dias no trabalho para oferecer uma vida melhor aos nossos filhos?
O filme mistura essa honra com a raiva que sentimos diante da injustiça social.
A cena em que ele diz que a mulher carrega, no pescoço, o valor de uma vida é muito forte. Quantas vidas poderiam ser salvas com o valor de itens de luxo? E estamos dispostos a abrir mão disso?
A mesma mulher, em uma metáfora interessante, encerra ajudando a salvar Ben com aquele objeto.
Um filme cheio de visão, realidade e metáforas — como o livro. Uma mensagem que, na minha opinião, o filme de 1987 não conseguiu transmitir, mas que este entregou brilhantemente.
Nota: 3,5⭐




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