The Tzarina's Daughter (As filhas da Tzarinas) - Carolly Erickson




Querido leitor,


A vida de Anastasia Romanov sempre me deslumbrou e me deixou chocado desde a época em que vi o filme de animação dos anos noventa, que também recriava a história com uma das filhas do czar Nicholas Romanov sobrevivendo à terrível execução que as autoridades soviéticas cometeram quando o governo dele caiu e sua família inteira foi assassinada.





Qualquer história sobre a sobrevivência de alguém da família trazia esperança em meio a uma triste história de guerra que me comovia. Ainda mais porque minha primeira experiência com essa história terrível foi por meio de um desenho animado, que explorava o amor e a inocência da filha caçula do casal, Anastasia, que, na história real, era apenas uma criança quando teve sua vida ceifada.

E, quando vi que existia um livro romanceado da história da filha mais velha do casal, Tatiana Romanov, que também exploraria todas as características que gosto em um romance — amor e inocência em meio a essa triste história — não pensei duas vezes antes de passá-lo na frente de todos os meus livros.




O livro foi escrito por Carolly Erickson, que é acostumada a escrever romances baseados em personalidades reais, adaptando-os para narrativas mais açucaradas.

 Resumo


Tatiana Romanov era filha do czar Nicholas Romanov em uma época em que o povo estava revoltado no pós-guerra com a forma como ele desperdiçava o dinheiro dos impostos com luxo, enquanto a população passava fome e frio.



Em meio às revoltas constantes, Tatiana ajudava a mãe fragilizada com a doença do filho mais novo, Alexei, que corria constantes riscos de morte, ameaçando a continuidade da linhagem do czar. A mãe era influenciada por um suposto curandeiro, visto como santo, Rasputin, conhecido pela família como padre Gregório.

O povo se aproveitava dessa situação para desmoralizar a família imperial, usando essa história para demonstrar sua indignação com o poder exercido por eles.
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As revoluções internas do país causaram a deposição de Nicholas, levando a família ao cárcere, inicialmente dentro de sua própria residência, ainda com parte do conforto de antes. No entanto, a realidade era de humilhação e restrições severas em comparação à vida anterior.

Quando foram levados para a Sibéria, a situação se agravou, com a família sendo submetida a condições ainda mais duras sob o comando de um capitão extremista apelidado de Baioneta.




As tentativas de fuga eram constantes, muitas delas planejadas por Tatiana, que percebia o perigo real que a família corria, enquanto os demais ainda se apegavam à honra imperial e à esperança de resgate.

Ao final, Tatiana consegue fugir ao trocar de lugar com uma fiel empregada, Daria, que permanece com a família e é executada em seu lugar. Tatiana assume sua identidade e vive até a velhice, relatando sua história.




 Resenha


O livro traz um nível de emoção muito grande. Transmite a frustração de Tatiana diante de uma situação perturbadora. No entanto, essa mesma intensidade emocional também atinge o leitor, tornando a leitura, em alguns momentos, difícil.

Outra questão constante durante a leitura é a dúvida: “o que é real e o que não é?”



Sei que, se quisesse total fidelidade histórica, deveria ler uma biografia. Ainda assim, é triste perceber que grande parte da dor retratada é real, enquanto os momentos de amor, inocência e esperança podem não ser.

Acredito que o mais real seja a tentativa da família de manter uma rotina normal, ignorando o perigo iminente. Essa postura, de certa forma, contribui para o destino trágico deles — o que causa angústia e até certo desânimo durante a leitura.




A narrativa se desenvolve em dois grandes conflitos.

O primeiro envolve a presença de Rasputin e a dúvida sobre sua natureza: seria um vilão ou um homem mal compreendido? Seus “milagres” eram reais ou fruto de sugestão psicológica?



A autora mantém essa ambiguidade ao longo da história, sem oferecer uma resposta definitiva.

O segundo conflito gira em torno do cativeiro da família Romanov e da opressão sofrida.




É impossível, sendo pai, não se colocar no lugar de Nicholas e questionar suas decisões. Teria eu esperado por um resgate? Ou teria arriscado tudo para salvar minha família?

Julgar é fácil, mas o contexto envolve questões complexas como honra, dever e medo do desconhecido.



Outro ponto que me marcou foi perceber que, enquanto me comovia com essa família, inúmeras outras — pobres — sofreram tanto ou mais naquele período, sem que suas histórias fossem contadas.

Isso me levou à reflexão de que nos conectamos com quem tem voz, com quem deixa registros. Não é falta de empatia, mas limitação humana.

E, por isso, me permito sentir empatia por Tatiana e sua família.

A leitura também provoca reflexões sobre nossas próprias escolhas, valores e até posicionamentos políticos.

Será que, assim como eles, também não estamos ignorando sinais importantes ao priorizar certas crenças?

O livro de Carolly Erickson, mais do que um romance, provocou em mim uma reflexão profunda — não apenas sobre história, mas sobre vida, família e decisões.

Nota: 3,5⭐



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