A cidade das cinzas - Cassandra Clare



Querido leitor,

Finalizei o segundo livro da série Os Instrumentos Mortais, Cidade das Cinzas, de Cassandra Clare.

A série conta a história de Clary Fray, uma garota que descobre ser uma Caçadora de Sombras em um mundo sobrenatural, onde os humanos dividem espaço com demônios e criaturas como vampiros, lobisomens e fadas.

Sua mãe fugiu de Valentim Morgenstern, um antigo líder dos Caçadores de Sombras que acreditava que os seres sobrenaturais não mereciam viver ao lado dos humanos.




Valentim queria se tornar uma espécie de Hitler sobrenatural e armou um plano terrível para dominar os Caçadores de Sombras ao encontrar os Instrumentos Mortais, objetos sagrados capazes de lhe dar poder para criar um grande exército.

Jocelyn, mãe de Clary, tenta fugir com os filhos de Valentim. Ela consegue escapar apenas com Clary, acreditando que o outro filho havia morrido.

Ela então passa a viver escondida com a filha, longe do mundo sobrenatural, recebendo ajuda de Lucian Graymark, agora chamado Luke.

Quando Clary se torna adolescente, sua mãe é sequestrada porque Valentim retorna em busca da Taça Mortal.

Clary então precisa descobrir tudo sobre esse universo para salvar a mãe. É nesse momento que conhece Jace, Isabelle e Alec.

Ela se apaixona por Jace, mesmo tendo Simon, seu melhor amigo e fiel escudeiro, sempre ao seu lado, entrando em uma guerra sobrenatural que nem era dele apenas para protegê-la.



Quando Clary, Jace, Isabelle, Alec e Simon finalmente encontram a Taça Mortal, eles são traídos por Hodge, antigo servo de Valentim.

É então revelado que Jace é filho de Valentim e, supostamente, irmão de Clary.

Mesmo revoltado com as crueldades do pai, Jace ajuda Clary e os amigos a salvar Jocelyn. Ainda assim, Valentim consegue ficar com a Taça.

No segundo livro, Valentim invoca o demônio do medo e inicia uma série de assassinatos para completar seu ritual.

Jace é acusado pela Inquisidora de estar aliado ao pai e acaba preso na Cidade dos Ossos. Lá, Valentim invade o local, mata os guardas e rouba uma espada mágica, mais um item necessário para seus planos.

Enquanto tenta encontrar Valentim ao lado de Clary e dos amigos, Jace precisa lidar com os sentimentos impossíveis entre eles.

E, para piorar, Simon acaba se transformando em vampiro.

No final, Valentim sequestra Simon para usar seu sangue no ritual.




O confronto acontece em um navio, onde demônios já haviam sido libertados. Clary descobre possuir o poder de criar novas runas e consegue salvar todos afundando o navio.

Mesmo assim, Valentim foge.

A Inquisidora morre salvando Jace, deixando implícito que ele a fazia lembrar do filho perdido.

O livro termina com uma amiga de Jocelyn aparecendo no hospital e dizendo que pode libertá-la do coma sobrenatural.

Resenha

Como falei na última resenha, Cassandra Clare fez uma verdadeira farofa. Ela misturou fantasia urbana, romance adolescente, aventura, criaturas sobrenaturais e aquela dose de comédia irônica típica das séries dos anos noventa que eu adorava. E, sinceramente? Estou me lambuzando nessa farofa.

Os personagens são extremamente cativantes. E não apenas os protagonistas: todos os coadjuvantes parecem vivos e interessantes. Até as cenas mais simples de desenvolvimento romântico conseguem prender minha atenção. E adorei descobrir que muitos deles continuam em outras séries e spin-offs do universo Shadowhunter.

O romance entre Clary e Jace não é meu favorito. Gostei muito mais da relação entre Clary e Simon.

Simon é o clássico amigo fiel que entra em um mundo perigoso simplesmente porque ama alguém. Ele é humano, vulnerável e, justamente por isso, acaba sendo um dos personagens mais carismáticos da história.

Mas preciso admitir que o romance impossível entre Clary e Jace adiciona uma camada enorme de tensão. A autora claramente usa a ideia de eles serem irmãos para aumentar ainda mais a obsessão emocional entre os dois. E, sinceramente, ela nem tenta esconder muito que provavelmente existe algo errado nessa revelação.

O ator que imaginei como Jace também ajudou bastante na minha leitura. João Baldasserini trouxe exatamente o tipo de carisma que imagino para o personagem: bonito, irônico, debochado e com aquele humor sarcástico que o Jace precisa ter. Acho difícil as adaptações conseguirem transmitir isso tão bem.

Os seres fantásticos também funcionam muito comigo. Não consigo imaginar esse universo sem pensar na maquiagem meio exagerada e nos efeitos especiais quase “trash” das séries sobrenaturais dos anos noventa e começo dos anos 2000. Mas não era justamente isso que deixava tudo divertido?

Valentim também é curioso. A própria Cassandra Clare parece ironizar o fato de ele agir como um vilão clássico de desenho animado. Tem momentos em que parece faltar apenas ele enrolar o bigode enquanto explica seus planos malignos.

Ele fala muito, ameaça muito e frequentemente deixa os protagonistas vivos quando já poderia ter vencido. Em qualquer outra obra isso talvez me irritasse. Mas aqui combina com o tom dramático e exagerado da série.

E existe uma questão interessante: será que Valentim realmente quer matar os próprios filhos?

A Inquisidora acreditava que todo pai amaria seus filhos da mesma forma que ela amou o dela. Talvez esse tenha sido justamente o erro dela.

E acho interessante perceber como essa série inteira gira em torno de pais, filhos e heranças emocionais.

Também gostei muito de descobrir, por spoilers, que existem outras séries mostrando o passado dos pais dos protagonistas e até a vida adulta de Clary e Jace.

Às vezes esqueço que eles têm uma idade mais próxima da dos meus filhos do que da minha.

Estou adorando voltar a acompanhar sagas longas e sequenciais assim. Existe algo muito gostoso nessa sensação de terminar um livro e já correr para o próximo.

E é exatamente isso que estou fazendo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐♥️

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