Querido leitor,
O terceiro livro da série inspirada no jogo Five Night at Freddy's finaliza a história de Charlie e seus amigos, que são assombrados pelos animatrônicos possuídos pelos espíritos das crianças mortas pelo assassino em série William Afton.
William era sócio do pai de Charlie, Henry, que criou a ideia da pizzaria voltada para o público infantil, onde robôs gigantes de personagens infantis animavam os clientes.
Mas William Afton, usando uma fantasia de um dos animatrônicos, capturava e matava crianças dentro da pizzaria.
Henry, acusado injustamente pela população, acaba tirando a própria vida, deixando Charlie aos cuidados da tia. Pelo menos era isso que acreditávamos até então.
Anos depois, Charlie retorna à cidade para uma homenagem feita pela mãe de uma das vítimas, antigo amigo da garota.
Ela reencontra seus antigos colegas e, juntos, vão rever a pizzaria abandonada.
Lá, descobrem da pior maneira possível que os animatrônicos estão vivos, possuídos pelos fantasmas das crianças assassinadas por William Afton. Também descobrem que William continuava escondido na pizzaria, disfarçado como o segurança Dave.
Após William se tornar vítima dos próprios experimentos e Charlie e seus amigos escaparem da armadilha montada pelo psicopata, Charlie descobre os inventos do pai, manipulados pelo sócio.
William havia recriado os animatrônicos usando um disco que emitia ondas sonoras capazes de hipnotizar as pessoas, fazendo-as enxergar os robôs como criaturas monstruosas, muito piores do que realmente eram.
Durante a fuga desses novos animatrônicos, Charlie aparentemente morre.
Porém, uma nova versão dela reaparece misteriosamente em um reencontro dos amigos numa lanchonete.
O terceiro livro acompanha John, namorado de Charlie, investigando se aquela garota era realmente Charlie.
Descobrimos então que aquela “nova Charlie” era, na verdade, um animatrônico que usava as ilusões sonoras para manipular sua aparência diante das pessoas.
Também descobrimos que William Afton sobreviveu ao ataque dos animatrônicos e continuou sequestrando crianças, agora tentando criar um animatrônico perfeito alimentado pelos espíritos de todas as vítimas.
O mais chocante é que, ao encontrarem a verdadeira Charlie escondida na casa da tia Jen, dentro de uma caixa, descobrimos que ela também era um animatrônico.
Henry, devastado pela perda da filha e pelo abandono da esposa e do filho, criou uma versão robótica de Charlie e usou a tecnologia das ilusões sonoras para convencer a si mesmo de que ela era sua filha verdadeira.
A outra Charlie era uma versão posterior do projeto, descartada depois que Jen tentou convencer Henry de que aquilo era uma obsessão doentia.
A versão descartada passa a odiar Charlie e se alia a William Afton.
No final, Charlie se sacrifica para salvar John da falsa Charlie.
Os amigos conseguem libertar as novas crianças sequestradas e também os espíritos das vítimas de William.
Carlton, um dos amigos, ajuda os animatrônicos a entenderem que William Afton era o verdadeiro responsável por todo o sofrimento.
Então, os próprios espíritos finalmente o destroem de vez.
Resenha
O último livro trouxe uma trama muito boa.
O mistério envolvendo a nova e repaginada Charlie sustentou a história inteira muito melhor do que apenas adolescentes correndo de animatrônicos por pizzarias abandonadas.
John funcionou muito melhor como protagonista. Suas inseguranças, dúvidas e obsessão por descobrir a verdade sobre Charlie nos prendem à narrativa.
E o desfecho da personagem foi excelente. O fato de Charlie também ser um animatrônico foi um final perfeito.
Porém, novamente, a batalha final dos amigos dentro da nova pizzaria ficou cansativa e confusa.
Em muitos momentos, era difícil entender o que estava acontecendo. E essa sequência ocupa boa parte do livro.
A perseguição dos novos animatrônicos pelos túneis infantis tinha potencial para ser incrível, mas a escrita excessivamente corrida e pouco clara atrapalhou bastante.
Os autores gastaram páginas demais nessa sequência.
Mesmo assim, considero este livro muito melhor que o segundo.
O elemento psicodélico envolvendo Carlton e os espíritos das crianças foi bem mais curto aqui. Além disso, Carlton é um personagem extremamente carismático, então até suas cenas mais estranhas acabam funcionando.
No fim, a série revela que seu verdadeiro tema é o amor obsessivo de Henry pela filha e sua incapacidade de aceitar a perda.
A história levanta uma questão interessante: se algo é real para mim e me faz feliz, isso deixa de ter valor só porque não é considerado “normal” pelos outros?
É um pensamento claramente psicótico, mas ainda assim o livro me fez questionar: teria valido a pena Henry abandonar aquela fantasia e destruir a si mesmo?
Quando eu era criança e adolescente, criei a personagem Suzi Crof. Eu a utilizava em histórias e quadrinhos que escrevia. Também criava diálogos com ela quando precisava desabafar coisas que não conseguia compartilhar com outras pessoas.
Era estranho? Talvez.
Mas aquilo me ajudou a atravessar momentos muito difíceis que, às vezes, nenhum adulto percebia.
Aquilo me manteve estável.
Então até que ponto podemos julgar os mecanismos emocionais que alguém cria para sobreviver?
Jen destruiu a estrutura emocional do irmão para fazê-lo voltar ao que a sociedade considera “normal”. E o resultado foi terrível.
Não acredito necessariamente que os autores quisessem transmitir essa mensagem.
Mas foi essa a sensação que o livro me deixou.
Nota: ⭐⭐⭐

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