Cidade de Vidro - Cassandra Clare

 



Querido leitor,

O terceiro livro da série Os Instrumentos Mortais, escrito por Cassandra Clare, intitulado Cidade de Vidro, leva esse universo para um novo nível. A história mantém aquela mistura deliciosa de fantasia, humor irônico e romance dramático que começou nos livros anteriores.




Neste livro, Clary, uma Caçadora de Sombras, acredita que precisa ir até Alicante, a capital dos Nefilins, para encontrar o feiticeiro Ragnor Fell e despertar sua mãe, Jocelyn, do coma sobrenatural em que ela mesma se colocou para se proteger de Valentim.

Valentim havia sequestrado Jocelyn anteriormente para descobrir o paradeiro da Taça Mortal, um dos Instrumentos Mortais capaz de criar um exército de Caçadores de Sombras. Seu objetivo era tomar o controle da Clave e iniciar uma guerra contra os seres do Submundo, como vampiros, lobisomens, feiticeiros e fadas.

Ele acreditava que apenas os Nefilins eram “puros” e dignos de governar.

Enquanto isso, a família Lightwood segue para Alicante para discutir maneiras de impedir Valentim e proteger Idris da ameaça crescente.

Clary planejava ir junto com Jace e os Lightwood, mas Jace tinha outros planos.

Ele queria deixá-la para trás e encontrar sozinho o feiticeiro capaz de salvar Jocelyn — que, até então, acreditava também ser sua mãe.

Para impedir Clary de ir, Jace pede ajuda a Simon, melhor amigo dela e agora um vampiro especial, capaz de andar sob a luz do sol graças ao sangue de Jace que havia ingerido. O sangue de Jace continha alterações feitas por Valentim por meio de experimentos sobrenaturais realizados ainda na infância.

Porém, durante a viagem, tudo dá errado, e Clary, Simon e Jace acabam indo para Alicante juntos.

Ao chegarem lá, Simon é preso pelo novo Inquisidor e pelo Cônsul, já que criaturas do Submundo eram proibidas em Alicante.

Na verdade, o Inquisidor e o Cônsul desejavam usar Simon como peça política para atacar os Lightwood e Jace, acusando-os de conspiração com Valentim.




Mas o plano deles fracassa conforme Clary começa a unir Caçadores de Sombras e seres do Submundo usando seus poderes únicos de criar novas runas.

E, quando a guerra explode, Nefilins, vampiros, lobisomens, feiticeiros e fadas acabam lutando lado a lado contra Valentim e seus demônios.

Enquanto isso, Clary e Jace continuam tentando resistir aos sentimentos que têm um pelo outro, acreditando ainda serem irmãos.

Eles descobrem que Valentim mantinha o anjo Ithuriel preso e usava seu sangue em experimentos para transformar seus filhos em guerreiros mais poderosos.

Consumido pela culpa de acreditar ser um “monstro”, como ouvira da própria mãe, Jace decide enfrentar Valentim sozinho. Nesse caminho, encontra Sebastian Verlac, um jovem Caçador de Sombras que, na verdade, era Jonathan Morgenstern disfarçado — o verdadeiro filho de Valentim.

Enquanto isso, Clary consegue salvar Jocelyn com a ajuda de Magnus Bane, utilizando o Livro Branco, um poderoso grimório que havia pertencido à família de Valentim.

Então, Jocelyn finalmente revela a verdade: Jace não era filho de Valentim nem irmão de Clary.

Ele era, na verdade, filho de Stephen Herondale e neto da antiga Inquisidora.

A batalha final então começa: os Nefilins e os seres do Submundo enfrentam juntos os demônios libertados por Valentim.

Jace trava uma batalha mortal contra Sebastian/Jonathan acreditando, por um momento, que ele fosse seu verdadeiro irmão.

Depois, Valentim derrota Jace e invoca Raziel, o anjo responsável pela criação dos Instrumentos Mortais e pela origem dos Nefilins.



Valentim pretendia usar Raziel para realizar seu desejo de domínio absoluto, mas Clary interfere no ritual usando suas runas.

Raziel então mata Valentim.

Antes de partir, o anjo concede um pedido a Clary, que escolhe trazer Jace de volta à vida.

No final, Clary e Jace finalmente podem viver o amor que passaram três livros inteiros tentando negar.

E a Clave começa lentamente a aceitar os seres do Submundo como aliados, entendendo que a sobrevivência daquele mundo depende da união entre eles.

# Resenha

O apocalipse sobrenatural envolvendo vampiros, lobisomens, Caçadores de Sombras e muito romance nos brinda neste terceiro volume da série. Cassandra Clare consegue finalizar uma grande etapa da história ampliando um universo que começou como uma fantasia urbana divertida, cheia de humor irônico, e o transforma em algo muito maior, com metáforas sobre preconceito, extremismo, pureza racial, intolerância e a luta de grupos marginalizados por reconhecimento e sobrevivência.




O romance avassalador entre Clary e Jace vem como um bônus emocional. Essa tendência literária do “amor impossível” funciona muito bem aqui. A revelação de que eles acreditavam ser irmãos adiciona uma tensão dramática enorme à relação, e Cassandra Clare usa isso para aumentar ainda mais o peso emocional do casal.

Ok, Simon acabou ficando um pouco de lado neste livro. Mas até isso a autora soube aproveitar ao transformá-lo em algo novo dentro da história: um vampiro diurno extremamente poderoso.

E vamos combinar: que nerd nunca quis virar um vampiro?

A investigação sobre o passado de Clary e Jace também foi construída de maneira muito inteligente. A autora não abandona a narrativa principal para contar um longo flashback ou uma história paralela cansativa. Em vez disso, ela vai construindo esse passado aos poucos, fortalecendo o presente da trama sem quebrar o ritmo da aventura principal.

Valentim continua sendo um vilão curioso. Muitas vezes ele parece quase uma caricatura clássica de vilão, daqueles que explicam demais os próprios planos e dão tempo suficiente para os heróis reagirem.

Mas Cassandra Clare consegue dar humanidade ao personagem.

Existe amor em sua relação com Jace, ainda que seja um amor distorcido e controlador. Existe também uma relação emocional complexa com Jocelyn. E, acima de tudo, existe um homem consumido por um ideal extremista ao ponto de destruir a própria família em nome de uma visão de mundo.

Acho que o livro funciona justamente porque possui várias camadas.




Ele consegue ser:

* uma fantasia juvenil divertida;
* um romance adolescente intenso;
* uma aventura sobrenatural;
* e, ao mesmo tempo, uma história sobre preconceito, fanatismo e pertencimento.

Estou muito curioso para descobrir o que Cassandra Clare vai desenvolver nos próximos volumes, principalmente porque Cidade de Vidro funciona quase como um encerramento completo da história principal.

Espero que os próximos livros aprofundem ainda mais o universo fantástico, especialmente os lobisomens, vampiros e, principalmente, as fadas, que continuam sendo uma das partes mais misteriosas e menos exploradas da saga.

Nota ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ♥️

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