Parasita

Querido leitor,




Finalmente vi o filme Parasita.




O filme conta a história da família Kim, uma família pobre, acostumada a viver com as sobras do que consegue aproveitar, sobrevivendo entre a acomodação e o mínimo esforço possível.





Mas, por indicação de um colega, Kim Ki-woo, o filho da família, arma um plano para começar a trabalhar para uma família rica como professor particular da filha deles, mesmo sem ter diploma.




A situação se expande quando ele consegue indicar a irmã como psicóloga do filho caçula da família, também sem qualquer formação profissional.





A mãe e o pai logo passam a trabalhar para a família como governanta e motorista, armando para que os antigos profissionais sejam demitidos.




A família rica, os Park, não desconfia de que os novos profissionais contratados não tinham experiência e, além disso, pertenciam à mesma família.





Quando eles viajam, a família Kim praticamente se muda para a casa luxuosa. Mas a chegada da antiga governanta no meio da noite coloca a confortável situação dos Kim em risco.




A antiga governanta, na verdade, escondia o marido no subsolo da mansão. A família Park não sabia que existia esse subsolo, que servia como abrigo antibomba, e a governanta passou a esconder o marido ali por causa de credores que ameaçavam matá-lo.





A situação era cômoda para o marido da antiga governanta. Só que, quando ela foi demitida, de uma hora para outra, por causa das armações da família Kim, ele ficou preso no subsolo, passando fome.




Mas a família Kim não aceita manter o marido dela ali, enquanto eles mesmos fingem ser profissionais que não são. Isso gera uma briga em meio ao retorno antecipado das férias da família Park.




A família Kim consegue prender a governanta e o marido no subsolo, enquanto a família Park retorna, e eles se escondem na mansão para que os patrões não descubram que estavam vivendo ali durante esse período.




No outro dia, a mãe da família rica resolve fazer uma festa de aniversário para o filho, exigindo os serviços de seus profissionais — a família Kim —, mesmo eles estando estressados com a situação de manter um casal como refém no subsolo dos patrões.




Mas o marido da governanta foge, deixa desacordado o filho da família Kim e mata a filha deles. O homem é morto pela matriarca da família Kim.




O pai da família Kim fica tomado pela raiva quando o pai da família Park se incomoda com o cheiro deles em meio à tragédia e acaba matando-o.




Kim Ki-taek, o pai da família Kim, para se esconder da polícia, entra no subsolo da mansão e fica refugiado ali, até que o filho, após se recuperar do ataque, sonha em ficar rico e comprar a mansão, salvando o pai daquela vida parasita, escondido no subsolo e se alimentando dos restos dos novos moradores.


 Resenha




O filme tem vários tons diferentes, mas a mensagem sobre a diferença entre classes sociais permanece em todos eles, indo da situação cômica e dramática ao terror bruto do final.




O sentimento de injustiça social vai desde ficarmos escandalizados com a forma de vida precária da família Kim até, ao longo da história, nos comovermos com a situação deles e nos solidarizarmos com a luta que têm para sobreviver na pobreza.




Passamos a nos escandalizar com a forma cega como a família rica vive, desejando coisas supérfluas, enquanto a família pobre sofre — como no caso da enchente mostrada no filme.




O longa transita por esses pontos de vista e nos confunde com nossa própria consciência, obrigando-nos a definir qual família realmente está certa ou errada.




Não tem como não admirar a união da família Kim, nos identificarmos com eles e, por isso, ficarmos ainda mais chocados com o final.




Aquela revolta e loucura do desfecho, para mim, funciona como uma metáfora crua do que pode acontecer quando as lutas de classes sociais chegam ao seu auge.




O incômodo com o “cheiro do pobre” é algo que me tocou profundamente e me fez compreender a atitude do pai da família Kim. Aquela revolta de, em meio a uma situação trágica, o rico enxergar algo tão supérfluo, é revoltante e extremamente real.




O filme também nos traz a mensagem do que realmente precisamos para viver.




O marido da governanta se sentia confortável naquela situação parasita. Era pouco, era difícil, mas ele gostava daquela vida.




E o filho da família Kim, quando se dispôs a realmente melhorar de vida para comprar a mansão, percebeu o tamanho do desafio. Então, ele realmente precisava viver aquela vida de fingimento?




Acho que essas grandes reflexões são o que fazem o filme ser tão bom. É uma obra cheia de metáforas e questões importantes, mas com um roteiro tão bem construído e cheio de reviravoltas que nos deixa com o coração na garganta a todo momento.




E estou orgulhoso de mim mesmo por ver e gostar de filmes fora da caixinha dos filmes estadunidenses.




Tem muita coisa boa por aí.


Nota ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 






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