A princesa Mecânica - Cassandra Clare

 

Querido leitor,

Terminei de ler Princesa Mecânica, livro escrito pela autora Cassandra Clare. Terceiro volume da série As Peças Infernais, série prequel de Os Instrumentos Mortais. Ou seja, ela se passa mais de cem anos antes dos acontecimentos da primeira série.

Nessa série conta-se a história de Mortmain. Seus pais eram humanos e se envolveram com práticas proibidas e com o Mundo das Sombras. Eles estudavam magia e artefatos sobrenaturais.

A Clave considerou que eles haviam violado gravemente a Lei e os executou.

Axel ainda era um menino quando ficou órfão.

Depois disso, ele foi criado por feiticeiros. Embora fosse humano, cresceu cercado por eles e adquiriu um enorme conhecimento sobre magia, demônios e o Mundo das Sombras.

Para se vingar da Clave, ele passa anos planejando um grande golpe. No caminho, descobre a existência de Tessa e de sua origem misteriosa, tornando-a peça fundamental de seus planos.

Mortmain pretendia realizar um ritual para invocar demônios para dentro dos corpos de seu exército mecânico, criado para guerrear contra a Clave.

Para isso, precisava de Tessa, uma transmorfa, usando seu poder para assumir a forma de seu pai e recuperar o conhecimento necessário para completar o ritual.




Tessa vai para a Londres Vitoriana atrás do irmão e é aprisionada pelas Irmãs Dark. Elas acabam despertando nela a descoberta de seus poderes.

Mas ela é salva por Will e Jem, dois membros do Instituto dos Caçadores das Sombras, comandado por Charlotte Branwell.

Lá ela descobre uma família. E, junto com Will e Jem, luta para descobrir todas as tramóias de Mortmain. Ao mesmo tempo, acaba se apaixonando pelos dois, que são parabatai.

Parabatai são Nefilins que decidem criar uma união maior que a de irmãos durante toda a vida, realizando um ritual sagrado para isso.

Will é um jovem que acreditava ser vítima de uma maldição desde a infância. Quando pequeno, libertou um demônio de uma caixa que seu pai mantinha presa. O demônio lhe disse que todas as pessoas que o amassem morreriam.

Por coincidência, sua irmãzinha morreu pouco tempo depois, fazendo-o acreditar que a maldição era verdadeira.

Então passou a tratar todos ao seu redor com uma mistura de ironia, arrogância e indiferença que magoava as pessoas. Inclusive Tessa, que o amava.

Mas, quando reencontra o demônio e descobre que tudo era mentira, corre atrás de Tessa para finalmente viver esse amor. Porém, descobre que ela já estava noiva de seu parabatai.

Jem, quando era criança, teve os pais assassinados por um demônio chamado Yanluo.

Antes de matá-los, o demônio capturou Jem.

Durante o cativeiro, Yanluo o obrigou repetidamente a consumir yin fen, uma droga demoníaca feita a partir de prata demoníaca pulverizada. O objetivo era torná-lo dependente dela.

Quando os Caçadores das Sombras finalmente conseguiram resgatá-lo, já era tarde.

O yin fen havia alterado completamente seu organismo.

O mais cruel é que o yin fen era, ao mesmo tempo, o veneno e o remédio.

Se continuasse usando, viveria um pouco mais, mas seu corpo seria destruído lentamente.

Se parasse, morreria em pouco tempo.

Quando Jem vai para o Instituto, Will passa a vê-lo como seu único refúgio, porque acreditava que o amigo morreria cedo de qualquer maneira.

Então Jem se torna o único vínculo de amor verdadeiro que Will permite ter.

Mas, quando Will descobre que Tessa está noiva de Jem, percebe que não pode pedir que ela escolha entre os dois, pois Jem poderia morrer a qualquer momento.

Tessa ama Will e descobre que sua personalidade agressiva era apenas uma encenação para impedir que as pessoas o amassem e corressem perigo.

Ao mesmo tempo, ama Jem, sabendo que ele pode morrer a qualquer instante.

Juntos, eles lutam contra Mortmain e seu exército de seres mecânicos.

Em um dos ataques ao Instituto, Mortmain sequestra Tessa.

Will vai atrás dela a pedido de seu parabatai, que agora está acamado por causa da doença, impossibilitado de salvar a própria noiva.



Mortmain usa Tessa para que ela se transforme em seu pai já morto e obtenha o conhecimento necessário para concluir o ritual que daria poder definitivo aos seres mecânicos.

No meio do caminho, Will sente que seu parabatai morreu.

Ao encontrar Tessa no cativeiro, os dois finalmente se rendem ao amor.

Só que Jem não havia morrido.

Ele decide tornar-se um Irmão do Silêncio.

Passaria a viver como uma espécie de monge e médico dos Nefilins.

Não teria uma vida comum. Precisaria viver enclausurado, sem contato com as pessoas, sem música e sem poder se casar.

Assim, Jem passa a ser conhecido como Irmão Zachariah.

Charlotte, vencendo o preconceito do Conselho dos Nefilins por ser mulher, parte com os integrantes do Instituto para salvar Tessa e Will e impedir Mortmain de concluir sua vingança.

Charlotte, com a ajuda de Magnus, consegue chegar ao cativeiro. Mas Mortmain aparece para o confronto final.

Tessa usa um pingente de anjo que possuía desde a infância, presente de sua mãe. Dentro dele havia um anjo aprisionado, que sempre a protegia quando corria perigo.

Ela liberta esse poder, assume uma forma angelical e derrota Mortmain, destruindo também seu exército mecânico.

Tessa vive feliz ao lado de Will durante toda a vida dele.



Mas, por ser imortal, continua jovem enquanto Will envelhece.

Quando ele morre de velhice, Tessa parte pelo mundo para não assistir seus filhos, netos e futuras gerações envelhecerem e morrerem.

Ela e Jem fazem um pacto: Zachariah não poderia procurá-la, mas eles se encontrariam uma vez por ano, durante uma hora, em um lugar que não pertencesse a nenhum dos dois.

Anos depois, após os acontecimentos de Os Instrumentos Mortais, Zachariah é tocado pelo Fogo Celestial presente em Jace. Isso o liberta da influência do yin fen e dos rituais que o mantinham como Irmão do Silêncio.

Ele volta a ser Jem.

E, nesse reencontro, mais de um século após a morte de Will, Tessa e Jem finalmente decidem viver o amor que sempre sentiram um pelo outro.

Resenha

A série, considerada por muitos fãs como a melhor obra de Cassandra Clare, nos traz uma história com mais seriedade, abordando temas grandiosos por meio das metáforas e da camuflagem da fantasia.

A verdadeira magia da série, porém, vem do trio de protagonistas.

A conexão e a química que eles têm são mágicas. A autora consegue transformar o amor que um sente pelo outro em algo que vai além de um relacionamento amoroso. É um amor que nasce da necessidade que um tem do outro para sustentar seus próprios problemas. A história mostra que é por isso que precisamos do ser humano. Somos carentes dessa conexão. Nos estruturamos emocionalmente uns nos outros. É isso que forma a família e os laços que criamos durante a vida.

O roteiro, com todas as suas reviravoltas e resoluções, é algo que realmente nos surpreende. A autora consegue fechar praticamente todas as portas que abriu, inclusive algumas deixadas em Os Instrumentos Mortais.



O vilão acaba sendo apenas uma figura de pano de fundo? Sim.

Os seres mecânicos parecem existir mais para dar aos protagonistas um motivo para agir do que por serem realmente interessantes. Acho o passado de Mortmain muito mais fascinante do que sua participação durante a história.

Os conflitos paralelos de Jem e da suposta maldição de Will acabam sendo muito melhores do que o conflito principal envolvendo Mortmain.

Com certeza, sou do time Jem.

Ele é o personagem bondoso. Sempre ajuda quem precisa, mesmo estando à beira da morte. Aguenta todas as grosserias de Will. E até aceita perder Tessa para o melhor amigo com uma generosidade impressionante.

Will eu admiro por outro motivo.

Ele consegue ser agressivo de maneira passiva, usando ironias e brincadeiras. Quando percebemos, ele já foi cruel, já nos manipulou e já conseguiu exatamente o que queria, sem parecer um vilão.

A autora poderia ter seguido o caminho mais fácil e criado um personagem simplesmente grosseiro para afastar as pessoas. Mas não.

Ela construiu alguém muito mais complexo.

Will precisava ser encantador e cruel ao mesmo tempo.

Foi uma solução excelente o demônio simplesmente tê-lo enganado com a falsa maldição.

Era uma resposta tão óbvia que ninguém imaginava.

E foi uma maldade tão grande contra uma criança que realmente parece algo que apenas um demônio seria capaz de fazer.

O poder de Tessa também é fantástico.

A resolução da batalha final, com ela assumindo sua forma angelical para derrotar Mortmain, foi perfeita.

O visual meio punk, vitoriano e futurista foi algo que eu simplesmente não consegui deixar de imaginar durante toda a leitura.

Talvez essa não tenha sido exatamente a intenção da autora, mas foi a estética que minha imaginação criou, e ela tornou a experiência ainda mais rica.

A ligação feita no final com Os Instrumentos Mortais foi de explodir a cabeça.

Quando descobrimos que o Irmão Zachariah sempre foi Jem, toda a participação dele na série anterior ganha um novo significado.

E o reencontro de Tessa e Jem, mais de cem anos após a morte de Will, foi uma das conclusões mais bonitas que já li em uma série de fantasia.

Estou muito curioso para ver Cassandra Clare fazer essa mesma ligação entre as próximas séries do universo dos Caçadores das Sombras.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐❤️


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