Eu sou o rei do castelo - Susan Hill


 Querido leitor,

Terminei de ler o livro Eu Sou o Rei do Castelo, escrito pela autora Susan Hill.

Fui cativado pela belíssima capa da DarkSide. O enredo também me encantou. Saber que a autora é muito famosa foi o que eu precisava para colocar esse livro na frente da minha lista de leituras. Demorei mais do que imaginava para finalmente lê-lo.

Nessa história, conhecemos Edmund Hooper, um garoto de onze anos, herdeiro de uma mansão deixada por seu avô. Sua vida muda quando seu pai contrata Helena Kingshaw como governanta e ela chega à casa acompanhada de seu filho, Charles Kingshaw.



Fica claro que contratar Helena como governanta era apenas um pretexto para que Joseph Hooper pudesse se casar com ela. Para os dois meninos, isso também parece evidente desde o início, e uma rivalidade territorial nasce entre eles.

Edmund passa a assediar Charles psicologicamente de todas as formas possíveis.

Ele o persegue, o humilha, coloca pássaros mortos em sua cama e o aterroriza usando a coleção de mariposas empalhadas de seu avô.

Charles tenta fugir da mansão, mas Edmund vai atrás dele para continuar atormentando-o.

Mesmo assim, Charles o protege durante a tempestade quando os dois ficam perdidos na floresta. Mais tarde, também salva Edmund quando ele bate a cabeça e quase morre afogado no rio.



Apesar disso, Edmund coloca toda a culpa em Charles.

Enquanto tudo isso acontece, os pais estão tão envolvidos pelo novo amor que nasce entre eles que não percebem o verdadeiro inferno que Charles vive nas mãos de Edmund.

O maior susto acontece quando Edmund, perseguindo Charles nas ruínas de um castelo, acaba caindo e vai parar no hospital.

Esse período é a oportunidade de Charles conhecer novos amigos enquanto seu perseguidor está internado.



Charles conhece Fielding, um garoto da vila que o acolhe e lhe dá esperança de que, caso sua mãe realmente se case com o senhor Hooper, sua vida possa melhorar — se não fosse pela presença de Edmund.

Fielding também faz Charles perceber que Edmund consegue manipulá-lo justamente porque ele vive dominado pelo medo.

Entretanto, quando Edmund retorna do hospital e o casamento entre os pais parece inevitável, ele consegue até interferir na única amizade que Charles havia conquistado.

Sem enxergar outra saída para seu sofrimento, Charles decide tirar a própria vida no rio.

Resenha




Realmente, o final foi muito chocante.

Até o último momento eu ainda tinha esperança de que Edmund e Charles acabassem formando uma amizade, principalmente depois de ficarem perdidos na floresta. Mas Susan Hill não queria contar esse tipo de história.

Acredito que sua intenção não era simplesmente mostrar a maldade infantil. Na verdade, eu enxerguei duas crianças profundamente carentes de amor, atenção e acolhimento.

Uma criança precisa dessas coisas tanto quanto precisa de comida ou abrigo. Tanto Edmund quanto Charles demonstram isso durante toda a narrativa.



O grande erro está nos pais, que não conseguem perceber essa necessidade.

Talvez eu esteja exigindo demais de mim mesmo, como pai, e dos outros pais. Talvez. Mas essa foi a reflexão que o livro me trouxe.

Quando essa necessidade emocional não é atendida, situações como as vividas por Charles e Edmund podem acontecer, chegando a consequências terríveis como as apresentadas pela autora.

Esses limites realmente existem.

Crianças sofrem.



Frequentemente são conduzidas pelas decisões dos adultos sem que suas próprias necessidades sejam ouvidas. Nem sempre podem escolher o que querem comer, onde querem estar ou o que desejam fazer.

Ser criança pode ser muito mais difícil do que muitos adultos imaginam.

Às vezes pensamos que a infância é apenas uma fase feliz e despreocupada, mas nem sempre é assim.

O livro poderia ser considerado um Senhor das Moscas 2?

Acho que não.



Como eu disse, não enxergo Edmund apenas como um menino mau. Vejo nele um enorme vazio emocional e uma necessidade desesperada de receber atenção e carinho do pai.

Da mesma forma, acredito que, se Helena tivesse percebido que os pedidos de socorro de Charles não eram apenas "coisas de criança", talvez o final pudesse ter sido diferente.

Não estou dizendo que ela deveria impedir o casamento com Joseph Hooper.

Mas Charles precisava ser ouvido. Talvez acompanhamento psicológico, talvez alguém que realmente acreditasse nele.

Ignorar os pedidos de socorro das crianças foi o maior erro cometido pelos adultos da história.

O contraste entre a morbidez do enredo e a inocência do olhar infantil transforma o romance em uma obra extremamente comovente.

O livro nos prende não por um prazer mórbido em assistir à tragédia, mas porque esperamos que, em algum momento, alguém interrompa aquele ciclo de sofrimento.

Eu esperava um desfecho mais pedagógico, em que houvesse uma lição explícita.

Susan Hill escolheu outro caminho.

Ela ensina pela dor.

Fecha o livro deixando uma ferida aberta no leitor.

Talvez a grande mensagem seja:

"Vamos prestar mais atenção nas mensagens que nossas crianças tentam nos transmitir."


nota: ⭐⭐⭐⭐⭐❤️


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