Querido leitor,
Terminei de ver a 22ª temporada de Grey's Anatomy. A série acabou sendo prejudicada por uma pausa no meio da temporada, e por isso resolvi dividir minha análise em duas partes.
Mesmo assim, senti que parte da ligação emocional que criamos com os personagens não foi a mesma.
Nesta segunda parte, vemos as consequências dos acontecimentos apresentados anteriormente.
Teddy e Owen acabam se tornando os protagonistas dessa reta final. Diferentemente de outros personagens, que vão aparecendo cada vez menos ao longo da temporada, dando indícios de que deixarão a série, os dois permanecem no centro da narrativa.
O casal, que enfrentava um divórcio após tentar abrir o casamento, é levado a imaginar como seria viver realmente longe um do outro quando Teddy recebe uma proposta de trabalho na França. Porém, mais um acidente marcante faz Teddy acreditar que Owen morreu. Esse momento a faz perceber que ainda o ama. Os dois decidem reatar o casamento e seguir juntos para a França.
Meredith também reformula sua vida após o acidente da ponte, que leva Nick ao hospital gravemente ferido. Depois de uma cirurgia de alto risco, Meredith o pede em casamento.
Kwan é demitido do hospital após administrar um medicamento experimental a um paciente sem a autorização do conselho responsável pelo estudo clínico.
Bailey, por tentar esconder o que Kwan fez, também é afastada temporariamente das cirurgias e decide iniciar uma especialização em Saúde Pública.
Simone reata seu relacionamento com Lucas, enquanto Jules aceita viver um romance mais sério com Winston.
E esse é um resumão dessas crônicas que se tornaram a nossa série médica preferida.
Nos episódios finais, tive a impressão de que a série deixou um pouco de lado o tom de conscientização social para falar mais sobre amor, companheirismo e a importância dos relacionamentos.
A valorização dos casais nesta reta final quase parece um pedido de desculpas pelo tom das últimas temporadas, que, em alguns momentos, davam a impressão de que parceiros eram descartáveis — talvez até por causa da constante renovação do elenco. Desta vez, porém, a série parece enfatizar a necessidade que temos uns dos outros.
Talvez a sociedade tenha mudado. E, com ela, Grey's Anatomy também precisou adaptar suas histórias para continuar relevante após 22 anos no ar.
E isso me conquistou.
Ver Owen e Teddy sendo valorizados em seus últimos episódios foi muito gratificante.
Durante várias temporadas, vi Owen ser bastante criticado e rotulado como um "hétero top" apenas por valorizar a família e desejar ter certo controle sobre seu relacionamento, algo que muitos enxergam como tóxico.
Eu, porém, enxerguei um homem tentando construir uma família e, depois, lutando para preservá-la.
Vivemos uma época em que a imagem masculina está sendo constantemente redefinida para se encaixar no que a sociedade considera um "bom homem". E acho que Owen acompanhou essa transformação.
Também fiquei bastante surpreso com a postura inflexível de Richard diante do caso de Kwan. Um médico que já enfrentou tantos dilemas éticos ao longo da série agir dessa forma me fez pensar se não houve uma influência externa, ligada à responsabilidade institucional do hospital, para justificar uma punição tão severa.
Afinal, uma série médica com mais de vinte anos de existência também carrega a responsabilidade de transmitir uma mensagem correta sobre ética profissional. Talvez essa rigidez reflita justamente esse compromisso com a medicina real.
Mesmo trazendo mudanças em sua abordagem, Grey's Anatomy continua conseguindo me cativar, seja em suas crônicas cotidianas, seja em seus finais emocionantes.
Da próxima vez, porém, prefiro esperar que toda a temporada esteja disponível antes de assistir. Assim, acredito que conseguirei aproveitar melhor a história como um todo.
Nota: ⭐⭐⭐⭐






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