Minions & Monstros


Querido leitor,



Fui ao cinema com meus filhos para assistir ao filme Minions & Monstros. É o sétimo filme de uma série que não acompanhei, a não ser por meio dos comentários dos meus filhos, da mídia e de trechos dos filmes que encontrei na internet.

Sei que a série conta a história de um caricato vilão chamado Gru, junto de seus ajudantes maquiavélicos e estranhos que, ao adotarem crianças, acabam indo para o lado do bem, mesmo sem querer. Depois, a franquia ganhou um spin-off acompanhando justamente esses curiosos ajudantes.

Pelo que sei, nos outros filmes eles vivem procurando um vilão para servir, como se isso desse sentido à existência deles.



Este filme, porém, se passa antes de eles encontrarem Gru. Os Minions ainda estão à procura desse ser que poderia dar sentido às suas vidas.

Nessa busca, acabam seguindo um famoso vilão dos filmes de faroeste.

Ao entrarem, por engano, no cenário de um filme, conquistam a admiração do público e também dos grandes nomes da indústria cinematográfica.

Entretanto, quando o cinema passa pela revolução do som, eles enfrentam um grande problema: os Minions não conseguem se comunicar da mesma forma que os humanos.



Para continuarem fazendo parte daquele mundo, decidem gravar um novo filme usando um terrível monstro como vilão.

James, o Minion mais fascinado por esse sonho, decide libertar a criatura de um livro de bruxarias que haviam conseguido quando a perseguiram um dos vilões  anteriormente. 

No entanto, o monstro era muito diferente do que imaginavam. O gigantesco polvo era, na verdade, um pequeno ser manipulador, que usa os sonhos dos Minions para realizar seus próprios desejos e também os de outros monstros que pretendem dominar o mundo.




No fim, Henry, o melhor amigo de James, descobre toda a verdade. Juntos, eles enfrentam os monstros com a ajuda de um aparente humano maluco, que acreditava ser um extraterrestre, mas que, no final, realmente era um. Unindo suas forças, conseguem derrotar os monstros e ainda ajudam a devolver o sucesso ao cinema graças às gravações feitas por James.

Resenha




O filme nos promete a ironia do cinema voltada aos adultos, fazendo-nos rir enquanto camufla esse humor sob o tradicional pastelão infantil.



Às vezes, essa camuflagem esconde cenas bastante pesadas para o público infantil, como as mortes de antigos vilões, incluindo uma decapitação.


O filme também traz piadas e referências a produções que estão a gerações de distância das crianças de hoje.


E confesso que me senti muito velho ao ver Keanu Reeves, como **Neo**, de *Matrix*, já fazendo parte desse repertório de referências.


O polvo gigante, tão famoso para nós, leitores de **H. P. Lovecraft**, acaba sendo apresentado como uma versão monstruosamente fofa de **Uriah Heep**, de *David Copperfield*, de Charles Dickens.


Temos um personagem fingido e manipulador, que usa uma falsa inocência para enganar os outros. Achei importante apresentar esse tipo de figura às crianças, mostrando que pessoas assim podem existir na vida real e fazer parte do nosso dia a dia.


Aliás, esse tipo de personagem tem aparecido com frequência na mídia infantil atual.


A revelação de que o homem maluco era realmente um extraterrestre foi, para mim, uma reviravolta divertida e inesperada.


O filme é rápido e construído para prender a atenção das crianças por meio de um ritmo agitado, sem exigir muito esforço para que elas permaneçam concentradas. Essa fórmula pode acabar acostumando-as a consumir apenas conteúdos acelerados, tornando mais difícil manter o interesse por narrativas mais lentas, como muitos filmes e obras mais antigas. A pergunta é: **isso é realmente um problema?**


Será que não podemos enxergar essa velocidade no consumo de conteúdos midiáticos como uma evolução, e não necessariamente como um defeito?


Ter uma quantidade maior de informações, inclusive nas metáforas de um filme infantil, não seria algo positivo?


Em pouco tempo, as crianças entram em contato com história geral, história do cinema, relações tóxicas disfarçadas de amizade, incentivo à realização de sonhos — como o sonho de James pelo cinema — e a importância do trabalho em equipe. Os Minions só funcionam quando estão juntos; separados, normalmente provocam apenas desastres.


É muita informação em pouco tempo. Se isso está sendo bem assimilado ou não, só descobriremos observando as respostas das nossas crianças, que parecem ficar cada vez mais inteligentes e capazes de lidar com problemas de maneiras muito mais maduras do que nós lidávamos — ou, em muitos casos, ainda lidamos.


**Nota:** ⭐⭐⭐


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