O diabo veste Prada 2


 Querido leitor


Acabei de ver a continuação de O Diabo Veste Prada, lançada vinte anos depois do primeiro filme.


O filme conta a história de Andy que, depois de ser demitida da empresa em que trabalhava, volta à revista Runway, onde trabalhou vinte anos antes. Desta vez, porém, não como assistente de Miranda, mas como colunista.


Ela reencontra Miranda, sua antiga chefe, conhecida por ser rígida e exigente. Mantendo a mesma personalidade intransigente, Miranda agora precisa lidar com a modernidade e com as novas regras do mundo da moda.



Andy é contratada para produzir uma reportagem que aumente a visibilidade da revista. Usando toda a experiência adquirida ao longo dos anos, ela consegue uma entrevista com uma celebridade conhecida por preservar sua vida pessoal.


Durante a entrevista, a famosa ainda lhes dá uma notícia de primeira mão: ela irá se casar novamente.


Essa exclusiva devolve a Andy o prestígio de que precisava para recuperar a confiança de Miranda.


Enquanto isso, Miranda está de olho em uma promoção para o cargo de gerente global da revista. Porém, o dono da empresa morre justamente quando iria anunciar sua decisão.


Agora, todos precisam lidar com a reformulação que o herdeiro acredita ser necessária para a revista.


Para ajudar Miranda, Andy organiza uma negociação para que o namorado de Emily, sua ex-colega dos tempos de Runway, compre a revista.


O que Andy não esperava era que Emily quisesse comprar a revista apenas para se vingar de Miranda, e não para mantê-la no comando, como ela imaginava.


Mas Miranda é mais rápida. Ela pede a Sasha, a celebridade entrevistada por Andy e admiradora da revista, que faça uma contraproposta pela compra.



O herdeiro, Jay, decide vender a revista para Sasha, que mantém Miranda e Andy na liderança da Runway.


Resenha


Muita gente considera o segundo filme apenas uma homenagem nostálgica ao primeiro ou uma simples repetição da história. Eu não tive essa impressão.


Apesar de não me lembrar de todos os detalhes do primeiro filme, recordo que, diferentemente dele, esta continuação traz, em meio às missões aparentemente impossíveis de Andy para resolver os problemas de Miranda, uma mensagem diferente.



Para mim, o tema central não é apenas o empoderamento feminino, mas a sobrevivência e a resiliência diante da revolução tecnológica, das mudanças na moda, no mercado de trabalho, na mídia e na forma como as mensagens são transmitidas atualmente.


O filme também aborda a reformulação do papel da mulher no mercado de trabalho e faz um paralelo entre a importância da vida familiar, das prioridades afetivas e da realização profissional.


Hoje, essa mensagem não fala apenas sobre a valorização da mulher como profissional, mas sobre encontrar equilíbrio entre carreira e felicidade.


O filme humaniza esse conflito, mostrando que é praticamente impossível alguém alcançar satisfação completa em todas as áreas da vida. A felicidade não está em conquistar cem por cento em tudo, mas em aceitar que, às vezes, viver com setenta por cento de realização profissional e trinta por cento de realização pessoal — ou o contrário — pode ser suficiente para uma vida plena.


Apesar de eu ter gostado muito do filme, de me identificar bastante com Andy e de me divertir com Miranda, existe um ponto que sempre me incomoda.


Tenho certa resistência a pessoas que usam uma personalidade forte ou um jeito extremamente sistemático como justificativa para tratar os outros com grosseria.


Acredito que qualquer pessoa pode ser excelente profissional e, ao mesmo tempo, tratar os outros com respeito.


Por isso, tenho dificuldade em me emocionar nas cenas em que Miranda demonstra seu lado mais humano ou quando Andy demonstra admiração por ela. Não, eu não perdoo Miranda.


Por outro lado, levanto do sofá para aplaudir Meryl Streep.


Seu comedimento em cenas nas quais muitas atrizes recorreriam ao exagero é justamente o que mais me fascina. Apenas com o olhar ela transmite emoções que outras intérpretes tentam expressar por meio de gritos ou explosões dramáticas.


As mensagens que sua personagem transmite em meio ao humor parecem ganhar destaque naturalmente, como se houvesse um marca-texto em sua interpretação, mas de maneira extremamente elegante.


Ela consegue comunicar exatamente aquilo que a cena exige.


Ao mesmo tempo, o humor nasce da ironia de acompanhar uma mulher extremamente poderosa tendo de se adaptar a um novo mundo, onde antigas formas de liderança já não são mais aceitas da mesma maneira.


E a pergunta que fica é: será que essa é a única mensagem do filme?


O charme de Miranda transcende a própria história e se torna parte da mensagem do filme.


Se você enxergou apenas isso, tudo bem.


Se enxergou algo além, melhor ainda.


Cada espectador levará consigo uma interpretação diferente.


Imagino Miranda colocando seus óculos, entrando em seu escritório e dizendo, com sua elegância habitual, que a verdadeira mensagem sempre esteve ali para quem quisesse enxergá-la.


⭐⭐⭐⭐⭐


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