A hipótese do amor - Ali Hazelwood


Querido leitor,


Terminei de ler o livro A Hipótese do Amor, e a história foi linda.


Sou curioso e não aguentei esperar o filme. Já estava adiando demais essa leitura, praticamente obrigatória pela sociedade de leitores. Estava com as expectativas bem baixas sobre o quanto esse romance iria me impactar. Mas me impactou. E como.



A história conta a história de Olive, doutoranda em Biologia na Universidade Stanford, que trabalha na busca por métodos não invasivos e baratos para detectar precocemente o câncer de pâncreas.


Quando sua amiga Anh fica insegura de assumir um relacionamento com o ex de Olive, a cientista não vê outra saída a não ser beijar o primeiro cara que aparecer na sua frente, para fazer a amiga acreditar que ela não estava sozinha. Só que o cara que ela escolheu é Adam Carlsen, um professor da universidade considerado o mais chato de Stanford.


E, por incrível que pareça, ele aceita fazer de conta que é seu namorado, para que Anh se sinta à vontade para continuar seu relacionamento com Jeremy.



Adam também está enfrentando problemas com o financiamento de suas pesquisas, porque Stanford suspeita que ele possa deixar a universidade. Então, manter a aparência de que está criando raízes em Stanford acaba sendo importante para ele. Por isso, os dois continuam com o relacionamento de mentira.


Só que Adam claramente tem uma queda muito grande por Olive. E Olive, por ter a autoestima muito baixa, nem percebe que os sentimentos de Adam são verdadeiros.



Várias situações íntimas e engraçadas acontecem entre eles para tentar disfarçar que são um casal. Sentarem no colo um do outro durante uma palestra, ela ter que passar protetor solar nele em um piquenique e outras situações que vão fazendo os dois se aproximarem cada vez mais.


Mas a situação fica um pouco mais complicada quando o professor para quem Olive estava enviando suas pesquisas, Tom Benton, se revela amigo e colaborador de Adam.



Quando eles fazem uma viagem para uma conferência científica em Boston, onde Olive apresentará sua pesquisa, Tom se mostra um tremendo assediador. Aproveitando sua posição de poder, ele tenta pressionar Olive para entregar sua pesquisa e faz com que ela se sinta ameaçada em relação ao próprio futuro acadêmico.


Olive fica tão abalada que começa a pensar que precisa se afastar de Adam para não prejudicar a carreira dele e decide que o namoro de mentira precisa acabar. Mas, antes disso, Adam percebe que ela está sofrendo, consola Olive, e os dois acabam finalmente se entregando aos sentimentos que estavam tentando esconder. O que deveria ser o último dia do namoro de mentira acaba se transformando em uma noite de amor entre os dois.


Na manhã seguinte, Adam está em uma entrevista em Harvard relacionada a uma possível colaboração com Tom, e Olive fica com seus amigos. É então que ela descobre que, sem perceber, havia deixado o celular gravando durante a conversa com Tom. Ela ouve a gravação e percebe que tem provas do assédio.


Com o apoio dos amigos, Olive decide denunciar Tom. Ela vai até onde Adam está fazendo a entrevista e conta tudo para ele. Adam ouve a gravação e fica furioso. Tom acaba sendo denunciado e posteriormente demitido de Harvard, enquanto outras medidas disciplinares são tomadas.


Depois de toda essa confusão, Olive começa a receber outras oportunidades para continuar sua pesquisa, mostrando que não precisava depender de Tom ou de Harvard para validar seu trabalho.


E então vem uma das maiores revelações do livro: Adam conta que já gostava de Olive muito antes de eles começarem o namoro de mentira. Na verdade, ele já havia reparado nela anos antes, quando ela estava passando pelo processo para entrar no doutorado em Stanford. Ou seja, enquanto Olive achava que estava vivendo um namoro de mentira, Adam já estava apaixonado por ela havia muito tempo.



No final, os dois finalmente assumem o relacionamento de verdade, Olive consegue novas oportunidades para sua pesquisa e Adam permanece em Stanford.


E pensar que tudo começou com um beijo de mentira.


Resenha


Olive Smith me passou muita raiva. Mas foi muita raiva mesmo. Mas, incrivelmente, pode acreditar, existe o "passar raiva" bom. E esse foi o caso.


Eu adorava xingar a inocência de Olive. E, a cada decisão burra dela, a cada palavra não dita que, se ela dissesse, resolveria tudo, eu xingava. E eu adorava isso. E eu acho que é por ela ser tão pura e inocente. E como ela não enxergava que o Adam era gamadão nela?



E o incrível é que a autora, em hora nenhuma, deixa explícito que o Adam amava Olive. Era no jeito dele, nas cenas, na química do casal. E a gente vê o livro na visão de Olive. E ela não vê as coisas. Mas a gente vê.


E eu não sei se a autora queria que fosse assim ou se foi de propósito. Mas é quase um respeito da autora pelos seus leitores: deixar coisas não ditas, sabendo que a gente vai entender.


E isso trouxe uma aura diferente para a química do casal.


No início, houve, para mim, uma grande confusão por causa de como eu imaginava os atores da história. Porque eu imaginei o Luke Newton como Adam e a atriz mexicana Mayrin Villanueva como Olive. Mas aí vinham à minha cabeça os atores que vão fazer o filme, Lili Reinhart e Tom Bateman.



Mas aí tem também Adam Driver e Daisy Ridley, que foram o casal que inspirou a fanfiction que deu origem ao livro.


Mas, até a metade da história, não dava para mim imaginar outra pessoa que não o ator de *Bridgerton*, Luke Newton, como Adam. E Mayrin Villanueva tinha os traços cômicos e a beleza que a protagonista Olive precisava.


E esse nome? Olive? Toda hora eu confundia o nome dela com o do protagonista masculino.


Mas a temática da história é muito boa. Começa como um romance bobinho, mas se transforma em algo tão grande quando chega ao abuso de Tom.



Fico pensando no que passa na cabeça de pessoas como Tom, que acham que podem usar outras pessoas como um brinquedo, a seu bel-prazer. Não pensam nos sentimentos, nos sonhos e no fato de que aquela pessoa é um ser humano.


Abusadores não pensam nos sentimentos do próximo e em como isso pode destruir a vida do outro?


Pensam só em sugar o máximo possível desse mundo e ir embora?


É tão triste porque pessoas assim são reais. E não vão estar nem aí para nos machucar ou machucar quem amamos. No caso de Adam, ele se viu nessa situação com Olive. Mas nossos filhos podem passar por situações assim. E isso é horrível.


Gostei de saber que existem programas e mecanismos de proteção para mulheres que passam por isso nas universidades, pelo menos nas americanas. Tomara que tenhamos algo parecido no Brasil também.


Outra coisa destacável é a autora ser extremamente apaixonada por Adam. Não sei se é pelo Carlsen ou pelo Driver. Ela descreve seus dotes físicos com muitos detalhes, criando cenas eróticas que só passariam em uma cabeça muito criativa, em vários sentidos.


A cena hot também é muito detalhada e realista. As incertezas e dúvidas que passam pela cabeça dos dois nessa hora. Os momentos de excitação e de não excitação também existiram, e isso deve ser muito valorizado. Porque momentos como esses, ainda mais na primeira vez de um casal, não são perfeitos.


E, quando um livro de romance gera expectativas erradas, é ruim. Esse não. Mostrou realidades.


Quando todas as mentirinhas, inverdades ou os disse e não disse são descobertos, dá um alívio. Meu Deus!


Quando a socozona da Olive entende que gravou o assédio de Tom, é muito bom. Eu já tinha entendido isso desde que o assédio estava acontecendo. Então eu gritava para o livro: 

"A gravação, socozona! A gravação!"


Mas você entende que foi uma emoção muito boa? A autora fazer isso com o leitor merece os parabéns.


Mal posso esperar para ver a reação do público ao filme. É a magia da leitura. Posso reagir antecipadamente.

Nota 4,5⭐

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