A última batalha do instituto de Nova York - Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson

 


Querido leitor,

Puta que pariu! Com o perdão da palavra.

O conto A Última Batalha do Instituto de Nova York, escrito pelas autoras Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson, volta um pouquinho no tempo, para 1989, e nos mostra uma fase obscura tanto do nosso mundo, com a AIDS em seu auge, quanto do universo dos Caçadores de Sombras, com Valentim, o vilão de Os Instrumentos Mortais, começando a controlar a cabeça dos jovens Caçadores de Sombras, fazendo-os acreditar que os seres do Submundo, como vampiros, lobisomens e outros seres, eram ruins. Eles eram superiores.


 

Tanto um caso quanto o outro atingem Magnus Bane. Bane tinha uma liberdade sexual muito grande e via muitos de seus amigos mundanos morrerem por causa da AIDS, sem saberem como se prevenir.

E ele também via muitos de seus amigos sobrenaturais serem covardemente perseguidos pelas ideias de Valentim, que, quando jovem, tinha um grande respeito na Clave, mas passou a defender suas ideias de “raça pura”, como se a pureza entre humanos e Nephilim fosse algo a ser preservado.

Bane anda meio à margem de tudo isso, por receio de que se envolver pudesse piorar ainda mais as coisas.

Mas, quando um lobisomem criança pede sua ajuda, não tem como negar.

Ele invade um cativeiro onde os Caçadores de Sombras seguidores de Valentim estavam prendendo a família do lobisomenzinho. Lá estavam Stephen Herondale, Luke, Robert e Maryse Lightwood, até então seguidores fiéis de Valentim.

 


 

Mas, quando Bane vai até o próximo quarto e encontra Valentim torturando uma lobisomem de doze anos a ponto de cegá-la, isso abala a lealdade de Luke, o próprio parabatai de Valentim.

Uma luta terrível, que quase põe fim à “eternidade” de Magnus, acontece. Mas Valentim foge quando percebe que, para seu parabatai, ele tinha ido longe demais. Isso acontece quando outra família de Caçadores de Sombras aparece para impedir Valentim.

1993

Anos depois, enquanto Bane estava em uma noite se divertindo com sua amiga Tessa, protagonista imortal da série As Peças Infernais, Jocelyn aparece.

Jocelyn, que era conhecida por ser esposa de Valentim, estava fugindo dele e de suas ideias e estava com a filhinha deles.

Jocelyn veio pedir a Bane para enfeitiçá-la, para que o mundo fanático nunca a encontrasse e para que ela pudesse se esquecer daquele mundo.

Tessa convence Bane a fazer a magia.

E, como agradecimento, Jocelyn monta seu sobrenome de faz de conta com a montagem do sobrenome de Tessa: Clary Fray.

Resenha

O nono conto do livro As Crônicas de Bane nos traz um cenário que eu tinha esquecido como era aterrador.



 

É uma fase que não tínhamos visto ao vivo até agora. Valentim está em seu auge como líder. Suas manipulações mentais sobre jovens que estavam sucumbindo cegamente a mensagens de ódio e terror só porque os seres eram diferentes.

É... parece familiar.

Dá medo porque essas ideias também parecem familiares a ideias políticas próximas. E tenho certeza de que ideias semelhantes já pareceram familiares há milhares de anos. Imortais como Bane, ironicamente.

E Cassandra e suas colegas nos relembram de como a cabeça de Valentim funciona. Não é à toa. A cabeça e a língua. Porque ele passava essa ideia de uma forma que fazia parecer normal torturar uma garotinha de doze anos.

E isso não está fora da realidade.

Líderes políticos e religiosos querem mostrar que é normal bater nos filhos para ensiná-los.


 

O conto me colocou de volta naquela velha emoção e naqueles dramas terríveis da série. A luta pela sobrevivência, a raiva contra o vilão... tudo isso em poucas páginas.

E ver Maryse, Robert, Luke e Michael jovens foi incrível. Tinha que existir uma série só deles, contando essa fase. Mas seria muito triste ver os protagonistas sendo manipulados e fazendo coisas ruins. Talvez outro personagem pudesse ser o protagonista, enquanto eles fossem a história paralela. Talvez uma história que acontecesse em Idris.

O início, com o paralelo com o cenário da AIDS, é muito forte e triste. Era um ambiente em que as autoras quiseram inserir Bane, e era realmente um cenário de apocalipse.

É engraçado como a autora intercalou isso entre o conto engraçado de O Que Comprar para o Caçador de Sombras que já tem tudo e nos joga novamente para a “luta pela vida” em força total.


 

E a segunda parte do conto, com Jocelyn aparecendo com Clary, foi talvez uma preparação para iniciar a próxima série, emendando o passado dos Caçadores de Sombras, que a autora nos fez conhecer, para retornar agora, navegando com Magnus pela história do mundo e dos Caçadores de Sombras, até retornar ao século XXI nos novos contos e séries.

Acho que agora já estou preparado para ver Simon, Clary e Jace de novo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐



Comentários