Fomos para 1929, durante a queda da Bolsa de Nova York, e não tinha como Cassandra Clare não dar uma explicação sobrenatural para esse acontecimento dentro do universo dos Caçadores de Sombras.
Magnus Bane era dono de um bar de bebidas ilegais. Na época, em Nova York, mais especificamente em Manhattan, era ilegal vender bebidas alcoólicas. E como Bane iria viver essa fase de Nova York sem vender bebidas ilegais?
Mas essa vida calma dele estava sendo atrapalhada pelos murmúrios de que algo estava errado.
No mundo normal, a economia do país estava abalada, dando indícios da queda da Bolsa. Mas, no mundo sobrenatural, era alguém mexendo com coisa errada, ou seja, invocando demônios.
Magnus tenta alertar os Caçadores de Sombras no Instituto, mas eles parecem não dar muita moral.
No fim, era Aldous Nix, Alto Feiticeiro de Manhattan, um feiticeiro com mais de 2.000 anos, que, cansado daquele mundo, queria ir literalmente para o Inferno, para conhecer um mundo de verdadeiro poder. Para isso, ele fez um ritual com as pessoas que se mataram durante a queda da Bolsa, para abrir um portal para o Inferno. E tenta convencer Bane a ir também.
Mas Bane tenta impedi-lo, junto com os Caçadores de Sombras, que mais atrapalham do que ajudam.
Bane resolve tudo e descobre que quem o ajudou, alertando-o sobre Aldous, foi sua amiga Camille.
Resenha
Esse conto serviu para nos levar a uma fase do mundo que ainda não tínhamos visto. Ia ser legal se a autora fizesse uma série nesse período também.
Bane se mostra participante dessa fase difícil dos EUA, mostrando como aquela diversão e loucura dos anos 1920 era abalada por algo realmente preocupante: o alto nível de suicídios que aconteceu naquela época.
Acho que a quebra do humor, com Bane realmente se preocupando com isso, foi algo significativo.
E a transformação de toda essa vibe pesada em algo fantasioso, como a abertura de um portal mágico para o Inferno, é uma metáfora para a solução mais fácil para um problema grave que aconteceu na época.
Acho que sim, a autora, em pouquíssimas linhas, soube trazer todos esses significados metafóricos para o conto. Mas ficou, sim, com gostinho de “quero mais”. Esse ambiente e essas temáticas são muito ricos e dariam histórias brilhantes. Cassandra Clare teria cacife para criar histórias assim.
Gostei particularmente porque Cassandra, com o enfrentamento do demônio — que não se sabe se era seu pai ou não —, trouxe um pouquinho da ação que existe nos outros livros e soube transmutá-la nas poucas linhas que um conto permite.
E, usando meu método de imaginar meus personagens dos livros como atores e pessoas que convivem comigo, seguindo uma lista alfabética fixa, acabei até aparecendo como personagem, participando como um dos Caçadores de Sombras que ajudam Bane a enfrentar os demônios. Isso foi muito legal. Realmente me vi como o personagem.
O conto traz esse tema muito triste, que é o suicídio. Traz a ação dos livros que conhecemos e também nos traz essa ligação com uma fase do tempo que ainda não tínhamos visto na série de Cassandra.
Gostei muito.
Uma coisa interessante nos contos de Cassandra é que ela sabe terminar uma história. Não fica em aberto como outros autores fazem.
Nota 4,5⭐




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