Entre as bases - Joe Hill

 


Querido leitor,


Acabei de ler o triste conto Entre as Bases, de Joe Hill.


O conto conta a história de Wyatt, um jovem que é demitido de seu emprego em uma locadora e, na hora de ir para casa, passa por um bosque mais isolado. Lá, ele flagra uma mãe que tentou matar os filhos dentro do carro em que estava.


A mãe, na hora, tenta disfarçar, falando que foi um desconhecido que parou o carro deles no trânsito.



Mas as pistas já deixam claro para Wyatt o que realmente aconteceu.


E, assim que a mãe percebe que foi descoberta na mentira, entra em combate corpo a corpo com o jovem rapaz. Ela foge.


E Wyatt vai pedir socorro para o garotinho que ainda está vivo.


Resenha


“Os jovens são perfurados por amor, corpos inocentes dilacerados e destruídos sem nenhuma boa razão, a não ser quando aquilo era conveniente para algum dos seus entes queridos.”


A frase da última parte da história define bem o que muitos dos contos dele neste livro retratam.


Foi um conto muito difícil de ler. Porque, às vezes, a vida adulta é muito difícil. Não tem perdão. Contas altas que, às vezes, não damos conta de pagar. Rotinas exaustivas. E ainda temos aqueles pequenininhos que nos testam de todas as formas possíveis.


E o choque de ver alguém chegar ao seu auge de exaustão e cometer algo tão terrível assim é muito perturbador.


O contraste entre Wyatt, quando ele chega ao seu limite, e quando a mãe chega ao seu limite é marcante.


Porque a mãe tem pessoas que dependem dela. E ela não pode chegar ao seu limite. Não podemos.


Mas a mente do ser humano é profunda e perturbadora. E, infelizmente, os pequenos às vezes pagam inocentemente.


E o autor colocou como paralelo a jovem da videolocadora que, fazendo uma loucura por amor, também mutilou o próprio corpo para poder agradar ao namorado.


Joe Hill está querendo nos falar algo nesse conto gore e desequilibrante.


Às vezes, também fala sobre os limites a que uma pessoa pode chegar por amor, se mutilando e se doando, até chegar ao extremo de mutilar ou destruir justamente quem deveria amar e cuidar.


Devemos cuidar da saúde mental dessas pessoas. E digo também dos homens, porque Wyatt também chegou ao seu limite.


E o autor dá pistas do que levou essa mulher a chegar a esse limite. Mas o que mais não teria por trás disso tudo?


É horrível. Mas a história serviu, sim, como um alerta: precisamos prestar mais atenção às pessoas à nossa volta.


Às vezes, uma pergunta como “Como você está, senhora Prazar?” já ajudaria aquela mulher a desabafar e, talvez, a não cometer um ato assim.

Justamente porque temos pessoas dependendo de nós, precisamos reconhecer quando estamos chegando ao limite e pedir ajuda antes de ultrapassá-lo.

Pensei muitas vezes em desistir do conto no meio do caminho. Não gostei. Mas achei de extrema importância para quem entende de verdade a mensagem por trás do conto.

Nota: ⭐⭐⭐

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