Melhor estreia de Terror - Joel Hill

 


Querido leitor,


Comecei a ler o livro de contos *O Telefone Preto e Outras Histórias*, de Joe Hill.


O primeiro conto é “Melhor Estreia de Terror”, que conta a história de Eddie Carroll, editor de uma revista que publica contos de terror. Ele recebe um conto de terror escrito por Peter Kilrue, chamado *Buttonboy: A Love Story*.



Nesse conto, uma garota, Cate, é sequestrada e obrigada a manter relações com um jovem que, aparentemente, também havia sido sequestrado. Ele era cego e mantinha botões com carinhas sorridentes no lugar dos olhos.


Cate, após o abuso, consegue se libertar. Porém, sua vida fica destruída depois do ocorrido, principalmente por causa do preconceito das pessoas.


Anos depois, ela reencontra o homem que a sequestrou, preso em um carro de polícia. Quando vai contar ao policial que aquele homem era seu antigo sequestrador, descobre que o policial era o jovem Buttonboy.


Ele não havia sido sequestrado coisa nenhuma. Também era um sequestrador e fazia parte de toda aquela história.


O editor de terror, Eddie Carroll, fica louco com o conto e tenta ir atrás do escritor para conseguir os direitos para publicá-lo.


Com muita dificuldade, ele o encontra em um local isolado.



Mas, com os irmãos e com a mãe doente, Eddie começa a sentir um medo deles que só havia sentido em seus vários anos lendo contos de terror.


Ele, obedecendo aos próprios instintos, não pensa duas vezes antes de fugir daquele lugar.


Resenha


O conto de Peter Kilrue, *Buttonboy*, é melhor que “Melhor Estreia de Terror”, de Joe Hill. E suspeito que isso tenha sido proposital.


O grotesco de ter a garota abusada de forma tão perversa, tendo que se sujeitar ao Buttonboy e acreditando que ele não passava de outra vítima do sequestro, é horrível.


A parte interessante é a garota, mesmo sem culpa, vendo sua vida desmoronar. E o choque final, quando ela descobre que Buttonboy era comparsa do Gigante, torna o conto de Peter ainda mais perturbador.


Mas tem um porém.


E é isso que me irrita tanto nos contos: o conto de Eddie Carroll poderia ter tantos finais bons.


Ele poderia encurralar os irmãos e matá-los, para depois descobrir que eles eram o Gigante e o Buttonboy. A velhinha poderia ser a Elizabeth. Ou, pelo menos, Eddie poderia descobrir que tudo não passava de uma ilusão da cabeça dele por ter lido terror demais. E os irmãos Kilrue poderiam ser pessoas boas.


Mas simplesmente deixaram Eddie naquela fuga desenfreada. Não sabemos se aconteceu um acidente fatídico por causa dessa fuga louca ou não.


Acho que o segredo de gostar de um conto é entender que ele é uma espiada por baixo dos panos de uma história ainda maior. Não é a história inteira.

 Nota : 3,5⭐

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