Melhor que lá em casa -Joe Hill

Querido leitor,


Terminei de ler o sexto conto do livro O telefone preto e outras histórias, de Joe Hill: Melhor que lá em casa.


O conto conta a história de Homer, que, junto com a tia e a mãe, assiste ao pai pela TV tendo um surto durante um jogo de beisebol no qual ele é treinador.


O garoto logo nos narra que tem algumas peculiaridades que nos induzem a pensar que ele tem algum transtorno.


Mas o pai sabe lidar bem com essas diferenças dele.



Já a tia não. E, em um dia em que sai com ela, ele encontra um homem morto, provavelmente um morador de rua, enquanto percebe que as pessoas “normais” não estão se incomodando com aquilo da mesma maneira que ele.


Nesse dia, Homer surta de vez, fazendo com que os pais o levem para uma escola de período integral própria para pessoas com problemas.


Mas o pai parece não gostar muito da escola.


O conto termina com o pai mostrando para ele o estádio de beisebol vazio e dizendo que lá era melhor que na casa deles. Ele ironiza, falando que lá podia comer amendoim e jogar as cascas no chão. Mas sabemos que não é bem assim.


Resenha


Esse conto me tocou muito.


Não sabemos se Homer tem algum transtorno ou não.


Mas sabemos que o pai consegue lidar bem com suas peculiaridades.


E vemos o tempo todo que os outros adultos também têm suas peculiaridades. Eles também surtam. Eles também têm suas picuinhas. Mas quem precisa ser tratado são as crianças.


É arrebatador para mim quando o errado é o garotinho por estar surtando por causa de um homem morto. O certo são os adultos ignorando o homem.


E eu me sinto muito como esse pai. Muitas vezes, meus filhos têm peculiaridades que todos os adultos também têm. E as pessoas querem que dobremos nossas crianças para que elas sejam uniformes.


Eu fui dobrado para caber nessa caixinha. Quando cresci e percebi que não precisava disso, que podia ser diferente, foi libertador. E quero passar isso para meus filhos. Eles podem ter suas peculiaridades. Não vão ser considerados estranhos.


O estádio era esse lugar em que pai e filho podiam ser livres. Era melhor do que a casa deles, que era controlada pela tia.


Eu quero fazer da minha casa esse lugar para eles. Um lugar libertador.


Vejo que Joe Hill traz muito desse sentimento de nostalgia, de infância e de amor entre pai e filho. Seus contos, em sua maioria, são sensíveis e tocantes.

Nota 4,5 ⭐ 

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