Querido leitor,
Vi a série da Netflix, Resident Evil. Uma série que eu já sabia que teria apenas a primeira temporada e que não teria um final. Mas estava preparado. E estava muito ansioso para conhecer a adaptação, mesmo tendo recebido opiniões que não foram favoráveis de alguns amigos.
Resident Evil traz para mim memórias afetivas muito boas, apesar do tema mórbido da série.
Na infância, minhas primeiras experiências com jogos foram com a série Resident Evil. Eu não chegava realmente a jogar. Meu irmão gêmeo, Leandro, controlava os personagens. Eu gostava de resolver os mistérios, os quebra-cabeças e localizar as coisas nos mapas, enquanto meu irmão matava os zumbis. Eu era o “nerd da cadeira”.
Então, começar a rever essa história em forma de série trouxe para mim uma nostalgia muito grande.
Comecei a assistir e, entendendo que o conteúdo familiar inserido na história vinha do fato de Jade e Billie serem filhas de Albert Wesker, isso se tornou muito significativo para o momento que estou vivendo. Albert Wesker era o terrível vilão. E agora vê-lo amando e cuidando de suas filhas, Jade e Billie, foi marcante e me animou a continuar assistindo à série, mesmo com tantos pontos negativos.
Adorei ver a mudança na aparência de Albert e, principalmente, a maneira como Lance Reddick conseguiu trazer a aura do personagem e, ao mesmo tempo, transformá-lo em um pai carinhoso. Para mim, foi uma escolha que trouxe uma nova dimensão ao personagem.
A história se divide em duas partes.
1ª FASE
Uma delas acompanha o passado de Jade e Billie, quando elas chegam com seu pai, Albert Wesker, a New Raccoon City, na África do Sul, uma cidade construída e controlada pela Umbrella.
As meninas tentam viver uma vida normal. Mas logo descobrem que a empresa do pai faz pesquisas com animais. Elas então vão até o laboratório, e Billie é atacada por um cachorro infectado.
Logo elas descobrem que o pai coleta sangue delas todos os dias e que isso não é por acaso. A Umbrella mantém uma fachada de empresa farmacêutica, enquanto Evelyn Marcus conduz pesquisas com a droga Joy. O medicamento acaba sendo usado nos experimentos da empresa e está diretamente ligado ao T-Vírus e às alterações que transformam as pessoas em criaturas violentas.
Foi o que aconteceu em Tijuana, no México. O incidente foi encoberto pela Umbrella, e o jornalista investigativo Angel Rubio, que estava investigando o caso, procura as meninas e revela a verdade sobre o que aconteceu.
Jade e Billie tentam fugir, mas descobrem que o homem que elas conheciam como seu pai é, na verdade, um dos clones de Albert Wesker.
Evelyn tenta capturar as meninas e Albert, mas eles conseguem fugir, enquanto o laboratório da Umbrella é destruído.
Billie aparentemente desenvolve resistência ao T-Vírus depois de ser mordida, enquanto as alterações genéticas feitas por Albert nas meninas passam a ter um papel importante na história.
2ª FASE
No futuro, temos Jade adulta, casada e com uma filha, trabalhando na University, uma comunidade e organização de pesquisa que tenta preservar o conhecimento humano e estudar os infectados, os chamados “Zeroes”.
Em uma de suas pesquisas de campo, Jade acaba sendo atacada e perseguida pela Umbrella, que controla boa parte daquele mundo distópico e procura aqueles que não se submetem aos seus interesses.
Entre suas descobertas, Jade encontra uma Zero que aparentemente possui características capazes de influenciar o comportamento de outros infectados.
De volta ao navio da University, ela consegue desenvolver, junto de sua amiga Amrita, uma substância que pode inibir os ataques dos Zeroes. Mas, por sua irresponsabilidade, Jade leva um deles para dentro da embarcação para realizar um experimento. O Zero escapa, ataca as pessoas e mata Amrita.
O pior é que a Umbrella consegue rastrear Jade e acaba encontrando a University. Jade, o marido e a filha conseguem fugir.
Jade ainda precisa enfrentar sua irmã, Billie, que agora trabalha para a Umbrella. Billie também descobre que a filha de Jade, Bea, possui características especiais. No final, Billie atira em Jade e sequestra Bea.
Resenha
Sim. Foi frustrante não ter um final. Ok. Mas já entrei nessa sabendo. Então isso não me afetou tanto. Já estava preparado para o final ser incompleto.
Gostei muito da parte jovem das meninas. Primeiramente, por ver o amor paternal de Albert e a maneira como ele cuida delas com tanto carinho e amor.
Tá legal, ele precisava do sangue delas para sobreviver. Mas existe até uma frase na série que achei muito interessante.
Em determinado momento, Bert conversa com Billie sobre Albert. Billie diz que o pai só precisava delas porque o sangue das duas era necessário para mantê-lo vivo. Bert então explica que Albert podia, sim, amá-las, mesmo que o amor dele fosse complicado e cheio de problemas.
Ele diz:
“Seu pai ama você. Talvez seja um tipo de amor complicado, mas... acho que todos eles são, quando você pensa bem.”
E isso resume tanto essa fase para mim. E cria uma metáfora sobre a paternidade.
Nós damos tanto aos nossos filhos: cedemos tempo, dinheiro, vigor, energia e tantas outras coisas. E, no fim, somos nós que precisamos de tudo aquilo que eles nos dão. Eles dão mais para a gente do que a gente dá para eles, só que eles ainda não conseguem enxergar isso.
Eu me sinto completo com meus filhos.
E é tão estranho pensar que colocaram um personagem que sempre representou um vilão para mim como representante de uma mensagem tão bonita.
Sim. Tem toda essa fofura e amor sendo transformados na tragédia que é Resident Evil. O que eu queria? É uma série de zumbis. E é justamente por isso que senti falta daquela ligação que provavelmente aconteceria nas próximas temporadas: a ligação daquele mundo adolescente, do amor do pai pelas filhas e do amor fraternal entre as irmãs com o mundo distópico da segunda fase.
Acho que era isso que mais me deixava curioso. Mas também era o que mais me doeria ver.
A transformação daquele mundo que eu conheço de amor e carinho no terror que conheço dos jogos.
A segunda fase de Jade resume isso para mim. É o universo dos jogos. É o reconhecimento de que os fãs dos jogos necessitavam.
Vi muito disso. O corre-corre, o terror, o nojo dos zumbis, os monstros enigmáticos e cada vez mais assustadores, mas sem deixar de serem zumbis. Porque acho que cada série apresenta os zumbis de uma maneira. E os de Resident Evil são muito característicos.
Não gostei da continuidade da Evelyn nessa fase. Ela foi uma grande vilã na primeira fase, com uma grande atuação da atriz Paola Núñez, mas sua participação na segunda fase terminou, para mim, com cenas que chegaram a causar vergonha alheia.
Mas também acho que eu não gostaria que, no meio da zumbizeira da segunda fase, não houvesse sentimentalismo. A família de Jade, o marido e a filhinha nos trazem isso.
E, com Bea sendo sequestrada pela irmã Billie em uma terra infestada de zumbis, teríamos uma característica muito familiar dos jogos: a garotinha inocente sequestrada e a protagonista tendo que resgatá-la. Isso é comum nos jogos, e eu adoraria ver isso acontecendo em uma segunda temporada.
Pena que não aconteceu.
Mas me senti satisfeito vendo essa única primeira temporada.
Animei até a rever os jogos agora, em uma nova adaptação mais realista e, o melhor, dublada. Nos meus tempos de videogame, eu tentava entender a série de jogos em inglês e sem legenda.
Vamos ver e entender a verdadeira mensagem de Resident Evil, além do T-Vírus.
Nota: 3,5 ⭐
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