Querido leitor,
Acabei de ler o conto Salvando Raphael Santiago, do livro As Crônicas de Bane, escrito por Cassandra Clare e Sarah Rees Brennan.
A história conta a origem de um dos personagens de Os Instrumentos Mortais: Raphael Santiago, o vampiro com aparência de adolescente que transforma Simon e arma para tomar a liderança dos clãs de vampiros de Nova York com Camille.
A mãe dele, Guadalupe, vai pedir ajuda a Magnus Bane para salvar seu filhinho.
Magnus logo descobre que um vampirão estava fazendo vítimas entre garotos muito jovens.
Mas, ao chegar ao Hotel Mortmain, covil dos vampiros, descobre que Raphael tinha se transformado em vampiro e matado seu criador.
Agora, Bane, comovido pelo amor da mãe pelo filho, leva Raphael para sua casa e o treina para disfarçar todos os problemas que um vampiro tem, inclusive o de não poder ter contato com objetos santos, já que sua mãe era extremamente católica.
No fim, o vampiro recém-criado, com a mente de um jovem e imaturo adolescente, mostra-se um bom líder e inteligente o suficiente para se proteger nesse mundo das sombras.
Bane o entrega à mãe, satisfeito por ter salvado Raphael Santiago, mesmo que na forma de um vampiro.
Resenha
Achei o conto muito mais sério e profundo.
Adorei rever mais um personagem, montando mais uma peça do quebra-cabeça.
Raphael mostrou suas camadas e seus sentimentos. E teve um espaço que não teve na série Os Instrumentos Mortais.
Magnus Bane, nesse conto, pareceu mais sério e responsável. Há um nível de melancolia que acho que se explica por ele já ter muita experiência de vida. Acho que falar isso é redundância.
Mas Bane se mostrou, com Raphael, tão mais paternalista e cuidador que seus sentimentos parecem estar “finalmente” amadurecendo para que Alec possa existir na vida dele.
Bane tem aquilo de sempre se jogar e se apaixonar por seus “ficantes”. Ele realmente se joga de cabeça nessas relações.
O que valeria a eternidade se não fosse realmente se jogar nessas relações e viver, não é mesmo?
Mas, com Alec, achei que ele estava buscando algo mais concreto. E acho que Raphael, nesse conto, veio nos preparar — e preparar Magnus — para isso. Por mais que haja quase 50 anos separando o momento do encontro, o que são 50 anos quando você vive eternamente?
Achei muito legal o fato de o conto destacar que o poder dos objetos santos é uma fraqueza dos vampiros. É uma fraqueza enquanto eles acreditarem no “santo”. E, quando essa crença acaba, isso ganha um significado muito forte. A falta de fé acaba. Então, é um paradoxo muito grande.
Você tem que aceitar sua vida como se um futuro pós-morte não existisse mais para aceitar sua vida como um renegado. E renegar algo que dá força às pessoas mundanas, à sua família, para não ter fraquezas. Você se torna forte por ser ateu, mas se torna fraco por não enxergar uma outra existência.
Pois vampiros não são imortais. Eles morrem. E, quando morrem, o medo deles da morte deve ser muito mais forte do que o dos mundanos.
O nível de seriedade desse conto nos faz filosofar de forma tão profunda assim.
Adorei essa transição dos contos do livro, do humor para essa análise filosófica e familiar. É quase como um espelho de todos os livros de Cassandra.
Nota 4,5 ⭐

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