Você ouvirá o canto do gafanhoto - Joe Hill


 Querido leitor,

No quarto conto do livro O telefone preto e outras histórias, de Joe Hill, “Você Ouvirá o Canto do Gafanhoto”, conta-se a história de Francis Kay, que, certa manhã, sai de sua pele humana transformado em um gafanhoto gigante.

Ele acredita que isso pode ter acontecido por dois motivos.


Um deles é que, após passar alguns dias com uma tia que fazia receitas com gafanhotos comestíveis, passou a comer insetos na escola para impressionar os colegas.

Além disso, perto da casa dele, o exército fazia testes com explosões nucleares.

Francis, agora transformado em um gafanhoto gigante, mata o pai e a madrasta.

Depois, vai à escola e mata os colegas.

O exército chega, e ele voa para o céu.

Resenha


Posso tentar encontrar alguma metáfora nesse conto, como sempre costumo fazer.

Mas acho que Joe Hill, por mais que tenha se inspirado em *A Metamorfose*, de Franz Kafka, fez algo bem diferente do autor alemão. Enquanto Kafka constrói uma história profundamente ligada à alienação, à família e à desumanização, Joe Hill parece pegar essa ideia e transformá-la em uma história de horror corporal, violência e gore.




Ele queria criar nojo e asco. Joe queria que esse conto fosse o verdadeiro terror.

Se formos explorar de verdade alguma metáfora, logicamente podemos enxergar a puberdade. O excesso de violência pode representar a rebeldia contra os pais.

A cena de Francis devorando as próprias entranhas do pai para se alimentar e se sentindo satisfeito com isso, banalizando o horror do que está fazendo, pode ser vista como uma metáfora extrema do que se sente durante essa fase de transição.

Depois vem a rebeldia na escola.

E, por fim, a própria autoridade do governo.

Francis termina o conto voando, livre, mesmo depois de ter cometido tantas atrocidades.

Pode-se, sim, enxergar a história dessa maneira.

Mas acho que a primeira opção foi a certa mesmo.

Depois de ler tanto Stephen King, que tem tanto gore, eu não deveria me abalar ao ver um pouquinho do filho.

Mas acho que gore desse jeito não é mais para mim.

Ainda mais depois de ler dois contos tão tocantes e sensíveis como os anteriores.

Nota ⭐ ⭐ ⭐ 
 

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