Querido leitor,
Hoje finalmente pude assistir à parte 2 do filme Wicked. Estava muito emocionado e ansioso com esse final, pois, como já mencionei em várias postagens, gostei muito do livro que deu origem ao musical da Broadway e que, por sua vez, deu origem ao filme.
O filme Wicked – Parte 2 foi lançado no dia 21 de novembro de 2025, nos cinemas.
Winnie Holzman é a responsável pela construção e roteirização da história.
Já Stephen Schwartz foi o responsável pela composição e pela direção da parte musical do filme. Ele também compôs as músicas de Pocahontas, O Corcunda de Notre Dame e O Príncipe do Egito. Vivo cantando as músicas desses dois primeiros filmes. Acho que preciso rever O Corcunda de Notre Dame.
A segunda parte do filme tem duração de 2 horas e 17 minutos.
Resumo
A segunda parte do filme conta a história de Elphaba, que passa a viver escondida em Oz por ser vista como bruxa e malvada por toda a sociedade, após ter sua imagem manipulada pelo Mágico, líder da cidade. Isso acontece porque Elphaba descobre que o Mágico, diferente do que todos acreditavam, não possuía poder algum.
Ela então, incentivada por sua amiga Glinda, dá uma segunda chance ao Mágico, acreditando que estar ao lado do líder poderia favorecer Elphaba e ajudá-la a unir o povo novamente.
No entanto, Elphaba descobre que o Mágico não apenas expulsava os Animais Falantes da cidade, como também os mantinha presos em jaulas. Isso desperta sua revolta, ao perceber que não havia redenção possível para aquele líder.
O pior acontece quando sua irmã a obriga a lançar uma magia contra o amor de sua vida, transformando-o em um homem de lata sem coração, apenas porque ele amava Glinda.
Paralelamente, um tornado traz uma garotinha, junto com sua casa, que acaba esmagando a irmã de Elphaba. Glinda entrega à garota os sapatos mágicos de sua irmã, fazendo nascer, aos olhos do mundo, a Bruxa Má do Oeste.
Elphaba decide ir atrás da garota, Dorothy. Durante a fuga, Fiyero, noivo de Glinda, decide abandonar a noiva e viver seu grande amor ao lado da fugitiva.
Eles se entregam ao amor.
O Mágico de Oz, revoltado com a fuga dos Animais Falantes e com os Macacos Alados se voltando contra ele, resolve se vingar de Elphaba, enviando novos viajantes para persegui-la e jogar água sobre ela — seu ponto fraco, capaz de matá-la.
Glinda, ao saber que sua ex-amiga foi encurralada, vai até o castelo de Elphaba para se despedir.
Ela presencia o momento em que Elphaba é atingida pela água e acredita que ela morreu. Porém, a imagem de vilã precisa permanecer para que Glinda consiga realizar o bem que a amiga acreditava ser possível: trazer de volta os Animais Falantes à sociedade e expulsar o Mágico de Oz da cidade.
Resenha
O filme e o livro
Eu estava mais ansioso pela segunda parte do filme porque, como mencionei na minha postagem sobre o livro, a primeira parte — que corresponde ao primeiro filme — apresenta uma Elphaba protagonista, ganhando empoderamento em meio ao bullying que sofria por ser “verde” ou “diferente”. É também nesse momento que ela descobre a corrupção e a enganação do líder da cidade, o Mágico de Oz, e decide lutar contra isso, em vez de ficar parada e se submetendo a uma sociedade hipócrita, como faz sua amiga Glinda.
Ou seja, me identifiquei muito com Elphaba. Também sofri certo grau de bullying na escola por ser diferente e, em vez de me submeter às escolhas dos outros — mais aceitáveis socialmente — decidi lutar pelo que eu gosto e ser quem eu sou, mesmo sendo um pouco fora do convencional.
Já na segunda parte do livro, o que me decepcionou foi o autor tentar encaixar a primeira história com o final de O Mágico de Oz. Ele transforma Elphaba na vilã que conhecemos, e essa segunda parte do livro acaba sendo apenas uma explicação de como ela se tornou isso, quase como se o mal precisasse ter uma justificativa lógica.
O musical — e principalmente o filme — não faz apenas uma emenda ou uma explicação do que Elphaba se tornou em O Mágico de Oz. Ele traz uma nova visão do que seria o “mal” nessa história, dando a entender que talvez ele não exista de forma absoluta, mas sim como diferentes pontos de vista sobre um mesmo acontecimento — algo bem diferente do livro.
E tudo isso é apresentado de forma belíssima, por meio de uma poesia que o livro não tem nessa segunda parte, traduzida principalmente pelas músicas.
Elphaba e Glinda
A amizade entre Elphaba e Glinda continua na segunda parte do filme, algo que praticamente não acontece no livro. Lá, Glinda se torna apenas uma coadjuvante, enquanto Elphaba passa a existir apenas como a Bruxa Má.
No filme, porém, há tanto amor entre as duas que a química das atrizes chegou a ser confundida com algo mais íntimo. Mas a troca de olhares e a amizade são lindas — e por que isso não pode ser valorizado também?
Por que apenas o amor romântico precisa ser tão intenso?
Por que uma amizade não pode ser?
Essa é uma pergunta que transcende o filme e alcança a vida real, trazendo reflexões e contextos que talvez nem estivessem totalmente conscientes, mas que emergem em um filme tão cheio de camadas — camadas essas que tento transmitir aqui.
Políticas metafóricas da Segunda Guerra Mundial
Não há como deixar de mencionar a metáfora clara da Segunda Guerra Mundial. O filme retrata os Animais Falantes de forma muito semelhante à perseguição sofrida pelos judeus naquele período. O líder político levanta a autoestima da população enquanto rejeita seres intelectualmente superiores, promovendo uma segregação disfarçada de proteção.
O líder mente ao dizer que está apenas “repatriando” esses seres, quando, na verdade, os mantém presos em condições desumanas, levando inclusive à morte.
Não tem como não explicar isso aos meus filhos — os horrores da Segunda Guerra Mundial — usando as metáforas que o filme apresenta, e dizer que algo tão terrível aconteceu de verdade com uma população inteira.
Dizer que comparar seres fantásticos e superiores aos humanos seria errado? Não acho. Pelo contrário: considero uma comparação belíssima. Pena que, no livro, o destino dos Animais Falantes não seja tão esperançoso quanto no filme — assim como na vida real também não foi.
Partidos políticos — direita e esquerda
O filme aborda algo que normalmente não me agrada muito: política. Mas aqui isso é feito de forma interessante. Além da segregação, vejo refletida a grande dificuldade que enfrentamos hoje, especialmente no nosso país: a polarização entre direita e esquerda.
Elphaba representa a urgência de se posicionar. Ela é vista como extremista porque luta por causas que impactam diretamente a vida — e muitas vezes a morte — de minorias. Para ela, isso não é uma escolha. E, por isso, precisa se tornar vilã aos olhos de quem está confortável no topo da pirâmide social — Glinda, ou melhor, as “Glindas” por aí. Sim, os de direita.
Glinda representa esse grupo: pessoas pobres, assalariadas, que defendem a direita porque a política impacta pouco suas vidas imediatas. O pão de cada dia não vai faltar, então podem esperar promessas e mudanças acontecerem.
Já as Elphabas não podem esperar. Elas veem pessoas passando fome, sendo excluídas, sem oportunidades. Estão junto das minorias, lutando.
Mas surge a dúvida: será que o meio-termo, como Glinda tenta fazer, não ajudaria Elphaba a realmente mudar algo? Estar no sistema para transformá-lo? É aí que a política se torna mais difícil de compreender. Líderes que se dizem do povo acabam envolvidos em situações que abalam essa imagem.
Uma grande ilusão — como o próprio filme mostra — usada para transformar lutas legítimas em motivos para queimar a “bruxa”.
A transformação de Elphaba
Diferente do livro, o filme mostra o outro lado da história. Elphaba não se transforma em má; o filme nos faz entender por que ela faz o que faz.
Ela aceita ser a vilã para que Glinda possa promover mudanças.
É curioso como a imagem de Dorothy também é transformada: de uma menina doce e encantadora para alguém vista como ingênua, quase tola. No fundo, ela só quer voltar para casa.
Ver os personagens de Wicked se transformando nos de O Mágico de Oz foi emocionante.
O Leão se revolta contra Elphaba por ela libertá-lo de sua “casa” e expô-lo a um mundo maior. Ele passa a ter medo — e, por isso, a odeia. Ela se torna sua inimiga por tê-lo libertado.
Boq se transforma no Homem de Lata sem coração. Sua história com Nessarose é incrível. No livro, ela volta a andar por causa dos sapatos mágicos. No filme, isso não acontece porque os autores quiseram valorizar o fato de que ela poderia ser realizada sendo cadeirante.
Mas Nessarose usa sua condição para manipular, prende Boq como assistente sem ser amada e, quando contrariada, prefere arrancar o coração de quem diz amar. Essa trama paralela é riquíssima em camadas.
Por fim, temos Fiyero se transformando no Espantalho. Achei emocionante. Elphaba faz isso para poupá-lo das torturas dos soldados que antes eram seus amigos. Quando ele se vê transformado, aceita quem se tornou — e Elphaba finalmente entende a beleza que ele via nela.
No livro, não lembro dessas transformações tão claras. Também não havia esse amor final entre Fiyero e Elphaba. A história se concentrava mais na luta política da protagonista.
O livro teve dois momentos excelentes:
a guerra romântica entre Elphaba, Fiyero e Glinda;
e a luta política e o empoderamento da protagonista.
Mas o final me decepcionou: a transformação dela em Bruxa Má do Oeste foi mal executada, tornando-a vilã sem profundidade.
O filme, ao contrário, trouxe um “porquê”.
E será que existe mesmo uma vilã?
SUZI:
Entendi que a Bruxa Má do Oeste não é má.
Ela lutava para que os Animais tivessem voz novamente.
Aprendi que todos podem ser maus ou bons, dependendo do ponto de vista.
LEONARDO:
Essa é uma história que me marcou pela luta e crescimento de Elphaba — por ela se entender, entender a política, a situação crítica de sua cidade e, principalmente, entender Glinda e sua postura aparentemente imparcial.
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