Querido leitor,
Li o quarto volume da série Os Instrumentos Mortais, escrito pela autora Cassandra Clare.
Dessa vez, o livro traz um protagonismo maior para Simon.
O nerd e melhor amigo da protagonista Clary segue mergulhando cada vez mais no universo sobrenatural e acaba se tornando um vampiro.
Quando Jace lhe dá seu sangue para salvá-lo de um ataque do vilão Valentim, Simon se transforma em um vampiro diurno, capaz de sobreviver à luz do sol. Além disso, Clary, que possui o poder de criar novas runas, desenha em sua testa a Marca de Caim para protegê-lo. A maldição funciona da seguinte forma: qualquer pessoa que tente matá-lo sofre um castigo sete vezes pior.
Assim, Simon se torna um vampiro extremamente poderoso.
Apesar disso, ele tenta manter uma vida relativamente normal, afastando-se dos clãs vampíricos e se aproximando ainda mais de Clary e dos Caçadores de Sombras.
Junto com essa nova condição, também surge o “charme vampiresco”, que desperta o interesse de Isabelle e da lobisomem Maia. Simon, por comodismo e imaturidade, acaba levando os dois relacionamentos ao mesmo tempo sem que uma saiba da outra.
Além disso, ele continua tentando fazer sua banda crescer. A entrada de um novo integrante, Kyle, acaba sendo a solução perfeita quando Simon é expulso de casa pela própria mãe ao descobrir que ele é um ser do Submundo.
Simon vai morar com Kyle e descobre que ele também é um lobisomem e membro de um grupo que ajuda criaturas recém-transformadas a sobreviver nesse universo sobrenatural.
E Simon realmente precisava dessa ajuda, já que vinha sendo constantemente perseguido por criaturas que desconheciam a Marca de Caim. Assim, sempre que tentavam atacá-lo, acabavam sofrendo consequências terríveis.
Simon também descobre, da pior forma possível, que Kyle era ex-namorado de Maia e que foi ele quem a transformou em lobisomem durante sua primeira transformação.
Enquanto isso, Jace tenta se afastar de Clary por causa de sonhos perturbadores nos quais assassinava a própria namorada. Para manter distância dela, decide ajudar Simon a se defender das tentativas de sequestro que vinha sofrendo. Era uma maneira de continuar protegendo Clary, mesmo longe.
Mas, na verdade, esses sonhos eram consequência da influência de Lilith, uma demônia extremamente poderosa que tentava ressuscitar Sebastian.
Para isso, ela precisava manipular Simon para que ele mordesse Sebastian e lhe desse sangue vampírico. Porém, como Simon estava protegido pela Marca de Caim, Lilith usa Jace como instrumento, manipulando seus sonhos e sequestrando Clary.
Com Clary em seu poder, Lilith obriga Simon a transformar Sebastian em vampiro.
No entanto, Clary consegue remover a marca que Lilith havia colocado em Jace para controlá-lo, libertando-o da influência demoníaca. Quando Lilith tenta atacar o casal, Simon se coloca na frente deles, fazendo com que a própria demônia seja destruída pela maldição da Marca de Caim.
Quando todos acreditam que finalmente estão seguros, acontece a grande revelação: a ligação sombria de Jace não havia desaparecido. Sebastian ainda permanecia conectado a ele.
Resenha
O quarto livro traz o meu personagem favorito como protagonista, e isso é muito bom.
Simon vivendo sua vida pós-vampiresca lembra muito a série Crônicas Vampirescas, de Anne Rice.
Cada vez gosto mais dos personagens. Parece que eles realmente são colegas e amigos próximos. O medo deles diante dessa nova fase da história, com novos perigos e inseguranças, ficou muito interessante. Tudo parece mais maduro agora.
A ideia de viver eternamente é algo que sempre me fascinou muito. O personagem Simon — e até Alec, em seu relacionamento com Magnus — vive justamente esse impasse: ver as pessoas ao seu redor envelhecendo e morrendo enquanto eles continuam existindo.
Principalmente Simon, que agora possui essa espécie de superproteção da Marca de Caim. Isso é algo impressionante. Fico imaginando qual será o destino dele e se Cassandra Clare realmente mostrará as consequências disso no futuro.
A história em si ficou mais macabra. Está se aproximando muito mais do estilo de Anne Rice. Cassandra Clare não parece ter medo de abandonar um pouco do humor irônico para explorar temas mais obscuros, como a própria história agora exige. E confesso que tenho curiosidade — e até certo receio — sobre até onde essa atmosfera sombria vai chegar.
Também estou gostando muito das camadas emocionais que os relacionamentos vêm ganhando. Cassandra Clare dedica páginas e mais páginas ao desenvolvimento sentimental dos personagens, mesmo em meio a demônios tentando dominar o mundo. E o pior — ou melhor — é que ela faz isso muito bem.
O roteiro da história está caminhando para um rumo excelente. A autora conseguiu “tirar leite de pedra” ao desenvolver uma nova trama tão bem construída depois de uma história que já parecia completamente fechada no terceiro livro. E nós, fãs, acabamos querendo cada vez mais.
A vilã Lilith era exatamente o tipo de antagonista que faltava para a série. Transformar o feminino e o maternal em algo assustador e demoníaco foi uma ideia sensacional. Gostaria de ter visto ainda mais da personagem, embora ache que o ciclo dela na história já tenha se encerrado.
Espero que a série continue expandindo suas camadas e explorando melhor cada personagem, porque Cassandra Clare consegue fazer o leitor se apegar a praticamente todos eles.
Também vemos Simon se abrindo para um mundo completamente novo e sendo forçado a aceitar que sua vida mudou para sempre. Talvez isso funcione como uma metáfora para o amadurecimento e a entrada na vida adulta. E tudo isso fica ainda mais forte porque Simon poderia facilmente representar qualquer um de nós tentando lidar com mudanças inevitáveis.

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