Título: American Horror Story
Temporada: 1ª Temporada
Episódios: 12 episódios
Querido leitor,
American Horror Story sempre me chamou a atenção. Sempre gostei do aspecto surreal e mórbido do marketing que via de vez em quando. Mas, quando finalmente tive a oportunidade de assistir, comecei por engano por American Horror Stories e pensei que a série não era tudo aquilo.
Mas, ao passar para a primeira temporada correta, entendi tudo o que falavam. É viciante.
A história acompanha uma família formada por Vivien, Dr. Ben e a filha Violet, que tenta reconstruir seus laços se mudando para uma casa assombrada.
Lá, Vivien é estuprada por um misterioso fantasma vestido com uma roupa de borracha.
Mais tarde, descobre-se que esse homem de borracha está ligado a Tate Langdon, a paixão fantasmagórica de Violet.
Tate se passava por paciente do Dr. Ben, que era psiquiatra, e seduzia a pobre Violet, enquanto Vivien lidava com uma gravidez estranha, acreditando que o homem de borracha fosse o próprio marido.
Acompanhamos a história de cada fantasma que vive na casa. E a família, ignorando a presença espiritual daqueles que morreram ali, acredita que os resultados de seus traumas e abalos emocionais são naturais.
Mas, quando as provas incontestáveis da convivência com os espíritos aparecem, já é tarde demais.
Tate, levando Violet à loucura, acaba contribuindo para sua morte.
Hayden, uma ex-amante do Dr. Ben, também morta na casa, passa a assombrar Vivien, até que ela morre durante o parto. Enquanto isso, Dr. Ben também acaba sendo vítima da mansão quando tenta fugir com o bebê.
Quando Violet descobre a verdade sobre seu grande amor, Tate, tenta se afastar dele. Mas, sendo também um fantasma preso à casa, acaba permanecendo com os pais na mansão.
Juntos, eles decidem encarar sua nova existência e ajudar outras famílias a não sucumbirem à influência dos fantasmas mais perversos.
Enquanto isso, o filho sobrevivente de Vivien é criado por Constance Langdon, a vizinha que sempre acompanhou de longe as tragédias da mansão.
Após perder Tate, Constance se refugia na criação do neto, concebido entre um vivo e um morto. Porém, ela não imaginava que aquela criança era o Anticristo e que seu primeiro ato de violência seria assassinar a própria babá.
Resenha
A história nos envolve com fatos tão cativantes sobre a vida além da morte que chega a nos fazer desejar que ela fosse da forma como é narrada, mesmo com um tom tão macabro. O ciclo eterno de mortes e tragédias nada mais é do que a própria morte. E a ideia de que continuamos a viver e a manter nossas rotinas como se nada tivesse acontecido me prendeu àquela história de uma maneira que foi além do que um roteiro comum costuma fazer.
Cada história nos aproxima de algo extremamente fora do convencional. Aproxima-nos dos fantasmas, daquilo que antes temíamos. Faz com que nos tornemos próximos deles. Faz com que nos coloquemos em seus lugares e nos perguntemos como agiríamos se vivêssemos presos nessa eternidade.
Tate nos cativou de um jeito que nos faz perguntar se não estávamos enlouquecendo junto com Violet. Acho que a atuação de Evan Peters vai além do personagem escrito. Ele transformou Tate em um verdadeiro crush mundial. Todos se apaixonam por aquela aparência melancólica e pelo jeito de cachorro abandonado. Queremos que Tate nos acolha, nos mate e nos deixe vivendo ao lado dele eternamente. Eu mesmo já o perdoei por ser um assassino psicótico.
E Dr. Ben sempre será, para mim, o padrasto bondoso de Milagre na Rua 34. Os atores foram brilhantemente escolhidos. Vê-lo interpretando um psiquiatra de índole traiçoeira, que tenta reconstruir a própria família, cria um contraste enorme com aquele outro personagem. Sempre acabamos lhe dando mais uma chance.
Connie Britton e Taissa Farmiga, como Vivien e Violet, apresentam uma contenção em suas atuações que é necessária para representar o comum, aquilo que está próximo de nós, o cotidiano e o trágico. Elas atuam muito bem justamente nisso. Tornam-se pessoas próximas. Parecem uma vizinha, uma amiga, uma conhecida.
A vizinha Constance, interpretada por Jessica Lange, é um espetáculo à parte. Ela transita pelo grotesco de uma forma profundamente humana. Não é um fantasma, mas desperta tudo de ruim que existe em nós. Faz-nos perceber como uma pessoa pode ser terrível sem precisar ser um monstro. É um terror passivo, capaz de tornar assustador aquilo que é real.
Acho que o mórbido e o gore acontecendo em meio a coisas tão cotidianas tornam tudo ainda mais chocante. E esse choque assusta. É quase físico. Porque vemos algo comum do nosso dia a dia e, de repente, coisas perturbadoras acontecem.
E, logo depois, os personagens voltam a viver normalmente, como se nada tivesse acontecido ou os abalado.
Acho que é justamente essa receita do roteiro que torna a temporada tão cativante e nos faz terminar um episódio querendo assistir imediatamente ao próximo.
O que mais me perturbou durante a temporada foi perceber como a falta de diálogo dentro da família os transformou em vítimas dos fantasmas. Em nenhum momento eles compartilharam verdadeiramente seus segredos, medos e ambições. E o Dr. Ben era justamente o profissional que deveria compreender isso. Eles só perceberam o peso dos segredos não ditos quando já era tarde demais.
E acho que essa é a grande mensagem por trás da história.
Tanto que o ser mais assustador da série é alguém que não tem rosto, não tem expressão e está completamente escondido. O Homem de Borracha. Uma sombra. Alguém oculto. Uma sombra dentro da família. O próprio Tate. Algo que se infiltrou em cada membro da casa e os destruiu de maneiras diferentes.
Mas o que mais admirei foi que a família permaneceu unida mesmo depois de ser destruída. Acho que, por mais que esse silêncio os tenha matado, eles conseguiram se reconstruir e tiveram uma nova oportunidade para serem uma família.
Nota:
Principal Roteiro e Direção: Ryan Murphy e Brad Falchuk
Atores:
Connie Britton como Vivien Harmon
Dylan McDermott como Dr. Ben Harmon
Taissa Farmiga como Violet Harmon
Jessica Lange como Constance Langdon
Evan Peters como Tate Langdon
Denis O'Hare como Larry Harvey
Frances Conroy e Alexandra Breckenridge como Moira O'Hara
Zachary Quinto como Chad Warwick

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