Ficha técnica
Título: Cidade do fogo celestial
Autora: Cassandra Clare
Página: 640
Série: 6° volume - Os instrumentos mortais
Editora: Record
Querido leitor,
Finalizei a série Os Instrumentos Mortais, de Cassandra Clare.
A série
Nesta série acompanhamos a história de Clary Fray, uma jovem que descobre pertencer ao mundo dos Caçadores das Sombras. Ela também descobre que seu pai, Valentim Morgenstern, era um extremista que desejava promover um genocídio contra os seres do Submundo — vampiros, lobisomens, feiticeiros e fadas — apesar da convivência pacífica que muitos deles mantinham com os humanos.
Após a morte de Valentim, Clary descobre que ele deixou um filho, Jonathan Morgenstern, mais conhecido como Sebastian.
Sebastian pretende concluir os planos do pai, mas deseja ter Clary ao seu lado. Sua obsessão pela irmã beira o incesto e se torna uma das facetas mais perturbadoras do personagem.
Quando Clary finalmente deixa claro que jamais aceitará governar com ele, Sebastian começa a atacar as lideranças dos povos do Submundo para colocá-los contra os Caçadores das Sombras.
Mas os aliados da Clave se mostram mais fortes do que ele imaginava.
Emma e Julian
Logo no início do livro somos apresentados a Emma Carstairs e Julian Blackthorn, personagens que abrirão caminho para as próximas séries do universo.
Julian vive em Los Angeles com seus irmãos. Entre eles está Mark Blackthorn, filho de uma fada e, por isso, pertencente parcialmente aos dois mundos.
Quando Sebastian ataca o Instituto de Los Angeles, Andrew Blackthorn acaba transformado em um dos Caçadores das Sombras Obscuros. Mark, por ser meio fada, é levado pela Caçada Selvagem.
Emma e Julian precisam então proteger os irmãos menores e seguir para Alicante.
Mais tarde, ambos se tornam parabatai.
Os parabatai são companheiros ligados por um vínculo sagrado entre os Nefilins, mais forte que uma amizade comum, mas sem conotação romântica.
Maia e Jordan
Jordan Kyle é um lobisomem que, em sua primeira transformação, acabou transformando Maia Roberts também.
Arrependido, foi acolhido pelo Praetor Lupus, organização responsável por ajudar novos seres do Submundo a se adaptarem à nova realidade.
Quando surge a oportunidade de trabalhar próximo de Maia, Jordan tenta conquistar novamente seu perdão.
Ela o perdoa, mas ainda não sabe se deseja retomar o relacionamento.
Antes que possam descobrir isso, Sebastian destrói o Praetor Lupus.
Jordan morre.
Após a tragédia, Maia assume a liderança dos licantropos e ajuda a unir os povos do Submundo em favor da Clave.
Irmão Zachariah e Tessa Gray
Irmão Zachariah é um Irmão do Silêncio, uma ordem de curandeiros dos Nefilins.
Durante a guerra, parte do fogo celestial presente em Jace o transforma novamente em humano.
Assim, ele volta a ser Jem Carstairs.
Isso lhe permite reencontrar Tessa Gray, personagem do passado dos Caçadores das Sombras e protagonista de As Peças Infernais.
Essa história permanece envolta em mistério, indicando que ainda terá grande importância nos livros seguintes.
Clary e a batalha final
Clary, Jace, Isabelle, Alec e Simon atravessam um portal para Edom, o reino demoníaco onde Sebastian mantém seus reféns, entre eles Magnus Bane e Jocelyn.
Após inúmeros desafios, Jace encontra Gloriosa, a espada presa na estátua de Jonathan Shadowhunter.
Com ela, destrói grande parte do exército demoníaco.
Mesmo assim, Sebastian ainda possui os Caçadores das Sombras Obscuros, criados através da Taça Infernal.
Ele oferece a Clary a possibilidade de governarem juntos e promete fechar os portais demoníacos em troca de sua companhia eterna.
Clary aceita.
Mas tudo fazia parte de um plano.
Utilizando a mesma runa observada na espada celestial, ela consegue retirar o sangue demoníaco de Sebastian.
Por alguns instantes, Jonathan finalmente se torna a pessoa que poderia ter sido.
Mas o portal de Edom se fecha.
E os heróis ficam presos naquele mundo.
A perda das memórias de Simon
Simon começou essa jornada apenas acompanhando sua melhor amiga.
Tornou-se vampiro, ganhou a Marca de Caim e se transformou em um vampiro diurno graças ao sangue angelical presente em Jace.
No entanto, para que todos conseguissem escapar de Edom, Simon aceita abrir mão de sua imortalidade e de todas as suas memórias do mundo das sombras.
Magnus invoca seu pai demoníaco, Asmodeus, e aceita a barganha.
Todos retornam para casa.
Mas Simon esquece tudo.
Clary, Isabelle e os demais se recusam a desistir dele.
E, pouco a pouco, Simon começa a recuperar fragmentos de quem foi.
O livro termina deixando inúmeras portas abertas para as próximas séries, como os conflitos com as fadas e as histórias de Emma, Julian e outros personagens.
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Resenha
Cassandra Clare me presenteou com uma bela farofa que, aos poucos, foi se transformando em um prato refinado, com entrada, prato principal e sobremesa.
Foi como sair de um restaurante cinco estrelas.
Este livro trouxe tudo o que eu sempre quis.
Magia, um universo complexo e um mundo tão rico que parece poder ser explorado para sempre.
Estou ansioso para conhecer o passado de Alicante em As Peças Infernais e para descobrir mais sobre Emma e Julian.
A liberdade que Cassandra Clare tem para expandir esse universo me lembrou séries dos anos noventa, como Buffy, Angel e Supernatural.
A tensão romântica continua sendo uma das maiores forças da série.
Clary dividida entre Simon e Jace.
Depois, acreditando que Jace era seu irmão e mesmo assim incapaz de deixar de amá-lo.
E, por fim, a obsessão perturbadora de Sebastian por Clary.
Os romances secundários também foram excelentes.
Maia e Jordan tiveram poucas páginas juntos, mas foram suficientes para me fazer torcer pelos dois. Confesso que gostaria de um destino mais feliz para eles.
Magnus e Alec também continuam maravilhosos.
O medo de Magnus de sobreviver para sempre e o medo de Alec de ser apenas mais uma lembrança na longa existência do namorado tornaram o relacionamento dos dois ainda mais humano.
Os vilões merecem destaque.
Valentim representava o lado mais clássico da série: um vilão grandioso e quase caricato, mas extremamente divertido.
Já Sebastian é muito mais complexo.
Sua maldade nasce da solidão, da carência e da necessidade desesperada de pertencer a alguém.
Ele concentra tudo isso em Clary.
Pode parecer estranho que um vilão seja movido pela carência.
Mas, no fundo, talvez seja justamente isso que move boa parte da humanidade.
A necessidade de amar.
De ser amado.
De ser importante para alguém.
Sebastian levou essa necessidade ao extremo, e isso acabou se tornando sua própria destruição.
As cenas da viagem por Edom foram as partes mais difíceis de ler. São importantes para o desenvolvimento dos personagens, mas achei que o ritmo ficou mais lento do que nos livros anteriores.
Em compensação, o epílogo com Simon recuperando lentamente suas memórias foi uma das partes mais emocionantes de toda a série.
Simon sempre foi meu personagem favorito.
E Cassandra Clare foi cruel com ele.
Retirou seus poderes, sua imortalidade e suas lembranças.
Mas, aos poucos, devolveu tudo isso em pequenas doses.
Ela sabe exatamente como fazer o leitor sofrer.
É impossível não sentir um aperto no coração ao terminar a série.
Esses personagens se tornaram uma família.
Espero que os novos protagonistas consigam conquistar meu coração da mesma maneira.
Se Os Instrumentos Mortais me ensinou alguma coisa, foi que amar e ser amado talvez sejam as coisas mais importantes da vida.
E que devemos lutar com unhas e dentes para preservar aquilo que amamos.
Termino com a frase final do livro:
"Livres servimos, porque livremente amamos, conforme nosso arbítrio. De amor ou não. Assim nos erguemos ou caímos."
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐♥️








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