Príncipe mecânico - Cassandra Clare

 


Querido leitor,

Li o segundo volume da série As Peças Infernais, escrito pela autora Cassandra Clare.

A história, que se passa na Era Vitoriana — e que gosto de imaginar com uma estética meio punk futurista — conta a trajetória de Tessa, que, ao ir para Londres em busca do irmão, descobre um mundo sobrenatural e também que é uma transmorfa.

Os Caçadores das Sombras a ajudam. Nesse processo, ela acaba se apaixonando por dois deles.

Um é Will, que acredita ter sido amaldiçoado por um demônio quando criança. Segundo a maldição, todas as pessoas que o amassem morreriam, e por isso ele afasta todos com sua grosseria.

O outro é Jem, que foi envenenado pelos pais quando criança com uma droga demoníaca. Desde então, depende dela para sobreviver.

Os dois são parabatai, parceiros ligados por um vínculo mágico, e, junto com os demais membros do Instituto, ajudam Tessa a descobrir que seu irmão Nathaniel era um traidor.

Nathaniel trabalhava para Axel Mortmain, um inimigo da Clave que desejava se vingar dos Caçadores das Sombras pela morte de seus pais.

Mortmain estava construindo um exército de autômatos e pretendia fortalecê-los por meio de uma invocação demoníaca na próxima lua cheia.

Nathaniel permanecera no Instituto apenas para recapturar Tessa e levá-la de volta para Mortmain, que, além de seus planos de conquista, demonstrava uma obsessão possessiva por ela.

Durante o confronto com os habitantes do Instituto, Nathaniel acaba morrendo, mas não antes de revelar que existe um mistério envolvendo a origem de Tessa.

Paralelamente, Benedict Lightwood tentava tomar de Charlotte a liderança do Instituto.

Seus filhos, Gabriel e Gideon, são enviados pela Clave para auxiliar no treinamento de Tessa e Sophie.

Gabriel é frio e arrogante. Já Gideon demonstra ser mais sensato e começa a reconhecer os erros do próprio pai.

Will, Tessa e Jem descobrem que Benedict estava colaborando com Mortmain. Charlotte então utiliza um segredo da família Lightwood para neutralizar sua influência.

Benedict havia infectado a esposa com uma doença demoníaca adquirida por meio de suas relações com demônias.

Com isso, Charlotte consegue enfraquecer sua posição política e garantir a permanência do Instituto sob sua liderança.

Enquanto isso, Will procura Magnus Bane para ajudá-lo a encontrar o demônio responsável por sua suposta maldição.



Ao finalmente encontrá-lo, descobre a verdade devastadora: a maldição nunca existiu.

Tudo não passava de uma mentira.

As mortes que aconteceram ao seu redor eram coincidências, e ele havia passado anos afastando as pessoas que amava sem necessidade.

Desesperado, corre para contar a verdade a Tessa.

Mas chega tarde.

Jem já havia pedido Tessa em casamento.

Por acreditar que talvez aquela fosse a única oportunidade de felicidade para Jem, Tessa aceita o pedido.

Mesmo reconhecendo seus sentimentos um pelo outro, Will e Tessa agora estão separados por uma promessa que nenhum dos dois deseja quebrar.



O livro termina com a chegada de Cecily ao Instituto, abrindo a possibilidade de Will reconstruir os laços com sua família.

Resenha

Resenha

O que mais me chamou atenção neste segundo livro foram, sem dúvida, os enredos paralelos à aventura principal dos Caçadores das Sombras contra Mortmain.

Will revelando o motivo de agir de forma agressiva com Tessa e a descoberta de que a maldição era falsa formam um arco emocionante.

Colocar-se no lugar dele é terrível: afastar todas as pessoas que poderiam amá-lo para protegê-las de uma morte que ele acreditava inevitável.




Achei muito criativa a forma como Cassandra Clare construiu esse mecanismo de defesa. Will não afasta as pessoas sendo cruel de maneira direta. Ele usa um humor ácido, irônico e cortante, que muitas vezes machuca mais do que a simples maldade.

As cenas em que ele descobre a verdade e corre para contar a Tessa estão entre as mais emocionantes do livro.

Também considero muito forte a temática de Jem. Sua dependência da droga demoníaca, necessária para mantê-lo vivo, é um assunto complexo para uma obra de fantasia.

Ainda assim, Cassandra Clare trata o tema com delicadeza e humanidade, tornando-o acessível sem perder seu peso dramático.



Outro ponto marcante é a história de Benedict Lightwood e a forma como suas ações destruíram a própria família. É um tema pesado, mas inserido de maneira natural dentro da narrativa.

O que mais admiro é a capacidade da autora de trabalhar assuntos difíceis sem deixar que eles dominem completamente a fantasia. A magia, os mistérios e a aventura continuam presentes, mas servem também como pano de fundo para dramas muito humanos.



Acredito que o terceiro e último livro ficará responsável por resolver os grandes mistérios deixados em aberto: a guerra de Mortmain, o segredo da origem de Tessa e o destino dos protagonistas.

Por alguns momentos cheguei a imaginar uma revelação semelhante à da trilogia literária de Five Nights at Freddy's, em que a protagonista possui uma origem artificial. A teoria parece improvável, mas Cassandra Clare deixou perguntas suficientes para alimentar esse tipo de especulação.



Agora resta ao terceiro livro responder essas questões sem perder a força emocional que transformou os personagens no verdadeiro coração da série.

Também espero que a autora consiga abrir caminho para as futuras séries dos Caçadores das Sombras sem prejudicar a conclusão desta trilogia.

Se conseguir equilibrar tudo isso, terá encerrado uma das melhores histórias que já li dentro desse universo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐❤️

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