The Innocents - 1º temporada


 Querido leitor,

Procurando outra série inspirada nos livros de Harlan Coben, pesquisei pelo título Os Inocentes. Por engano, acabei me deparando com esta série, que não é Os Inocentes de Harlan Coben, mas foi um grande achado, mesmo que tenha parado na primeira temporada.




A série conta a história de June e Harry, um casal de adolescentes que decide fugir após o pai de June resolver levá-la para uma ilha isolada da Escócia. Ela finge aceitar a mudança e foge com o namorado, com quem tinha pouco contato presencial, já que a maior parte da interação deles acontecia por meio de cartas românticas.

Durante a fuga, eles passam a ser perseguidos por homens perigosos, e Harry acaba acreditando que matou um deles. Quando June retorna sozinha ao local do ocorrido para verificar o que aconteceu, ela simplesmente se transforma no homem que estava desacordado no chão.

Harry lida surpreendentemente bem com o fato de a namorada ter se transformado em um homem gorducho, barbudo e de meia-idade. Ele a acalma e, pouco depois, June volta a ser a jovem loira que sempre foi.

Mas existe um mistério paralelo a essa fuga.





O pai de June, um tanto possessivo, parte atrás dela com a ajuda do irmão.

Logo também descobrimos que a mãe de June está envolvida em toda a situação. Além disso, os perseguidores haviam sido enviados pelo líder de uma comunidade isolada onde ela vivia.

Descobrimos que June consegue se transformar em outras pessoas quando assume a aparência de uma garota que a beijou durante uma festa. Porém, a vítima da transformação permanece inconsciente até que June devolva sua imagem.



Esse dom — ou maldição — é genético. A mãe de June também possuía essa habilidade. Ela fugiu de casa deixando várias pessoas não apenas inconscientes, mas em coma.

A mãe de June acaba nas mãos de Bendik Halvorson, um pesquisador que estuda esse fenômeno em diversas mulheres e que mantém uma ilha isolada para realizar suas pesquisas.



Bendik descobre que cada mulher se transforma após um gatilho emocional diferente. No caso de June, é o medo. No caso da mãe dela, é o amor.

Ao pesquisarem comentários na internet sobre um vídeo em que June foi flagrada se transformando, ela e Harry descobrem outra metamorfa chamada Kam.

Kam ensina June a usar seu dom, mas de maneira irresponsável, chegando a utilizá-lo em Harry contra a vontade dele. Isso assusta os dois, e June decide se entregar aos seus perseguidores para encontrar a mãe e Bendik.

Harry, acreditando que foi manipulado pela própria namorada, volta para casa revoltado. Porém, Kam entra em contato com ele e alerta sobre o perigo que June corre na ilha.

Harry e John, pai de June, partem para resgatá-la.



Na ilha, June reencontra a mãe. O choque do reencontro faz com que June se transforme nela, permitindo que Bendik descubra algo inédito: diferente das outras, June consegue absorver também as memórias das pessoas cujas aparências assume.

Isso, porém, provoca uma enorme confusão mental. June passa a acreditar que é a própria pessoa em quem se transformou, correndo o risco de perder sua identidade.

Ao assumir a aparência da mãe, June acessa suas memórias. Descobre que ela foi amante do pai de Harry e que, ao despertar seu gatilho emocional, acabou causando graves danos neurológicos nele.



Pior ainda: quanto mais acessa essas memórias, mais June passa a agir como a própria mãe. Somente quando Harry a encontra e consegue alcançá-la emocionalmente é que ela volta a ser ela mesma.

Enquanto convivem com Bendik e sua comunidade, John e Harry começam a perceber que há algo profundamente errado naquele lugar.

Harry tenta convencer June a fugir, mas ela deseja aprender a controlar seus poderes. Quando Bendik percebe que o rapaz pretende tirá-la dali, manda prendê-lo em um dos quartos de pesquisa.

June acredita que Harry a abandonou.

Mais tarde, Kam retorna à ilha usando a aparência de um dos perseguidores de June e força Bendik a admitir que ela própria viveu ali quando era criança, tendo sido submetida a testes terríveis e sessões de eletrochoque.



A mãe de Kam, que ainda estava na ilha, mata Bendik. Em seguida, June, Harry, John e a mãe de June conseguem escapar.

A temporada — e a série — termina com Harry e June fugindo da polícia, liderada pela mãe de Harry. Durante a perseguição, o carro do casal sai da estrada e eles sofrem um grave acidente.

Para sobreviver aos ferimentos, June assume a aparência de Harry a pedido dele. Porém, ao se transformar também na mãe de Harry, acaba deixando o rapaz com graves sequelas neurológicas.

E assim termina a história.


Resenha

A série teve um final? Não exatamente. Mas pode ser encarada como um final trágico e melancólico.

Com um roteiro que prende a atenção do começo ao fim, um romance fofo e apaixonante entre os protagonistas e diversos mistérios que vão sendo revelados aos poucos, a série me fez assistir aos oito episódios em poucos dias.



Achei a ideia da metamorfose extremamente original para uma série de fantasia. Os roteiristas conseguiram desenvolver esse conceito de forma criativa, construindo uma história cheia de camadas e reviravoltas.

Sorcha Groundsell e Percelle Ascott formam um casal extremamente carismático. Eles conduzem um romance bonito, cheio de esperança e companheirismo. Como acompanhamos a história pelos olhos deles, descobrimos os mistérios ao mesmo tempo que os protagonistas, o que aumenta nossa conexão emocional com o casal.

Guy Pearce, conhecido por filmes como O Conde de Monte Cristo e A Máquina do Tempo, interpreta um vilão complexo. Em alguns momentos, ele chega a nos fazer acreditar que suas intenções podem ser boas. Porém, aos poucos, percebemos que existe algo profundamente errado na forma como ele mantém aquelas mulheres sob seu controle.

Quando finalmente descobrimos que seu objetivo era usar June para recriar a esposa, que sofria de Alzheimer, entendemos o quanto sua obsessão era perturbadora. O impacto dessa revelação atinge o espectador da mesma forma que atinge os protagonistas.



Também consigo compreender parte da motivação de June. A transformação funciona como uma forma de fuga e proteção emocional. Existe algo sedutor na ideia de abandonar temporariamente seus próprios problemas e assumir a identidade de outra pessoa.

O fato de a série não ter recebido uma continuação foi decepcionante. Ainda assim, considero que a temporada consegue encerrar sua história de maneira satisfatória. Não é um final feliz, mas pode ser visto como um final trágico.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

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