A lista da minha vida


Querido leitor


Vi o filme A Lista da Minha Vida.

O filme conta a história de Alex, que perde a mãe para o câncer. Antes de morrer, ela deixa uma série de DVDs com mensagens. O advogado da família, Brad, só pode entregar cada gravação se Alex cumprir uma lista de objetivos que ela mesma escreveu quando era adolescente.

Manipulada por essa lista que a mãe a obriga a cumprir mesmo após sua morte, Alex deixa de viver de forma acomodada e passa a tomar iniciativas para ser feliz, como terminar o relacionamento com um namorado que não era o grande amor de sua vida, fazer as pazes com o pai e realizar o sonho de se tornar professora.




No meio do caminho, ela descobre que os pais se separaram porque a mãe havia traído o pai e que ela não era filha do homem que sempre acreditou ser seu pai biológico. Alex tenta encontrar o verdadeiro pai, mas ele praticamente a rejeita.

Durante essa jornada, Alex também acaba se apaixonando por Brad, o advogado que a acompanha durante todo o processo.

Ao concluir a lista, ela percebe que o verdadeiro objetivo nunca foi simplesmente cumprir cada item, mas aprender a viver plenamente, sem se contentar com a falta de iniciativa que limitava sua vida.

 Resenha


O filme nos apresenta mais uma história de romance que, na verdade, não é sobre um casal. A narrativa é sobre Alex e sua redescoberta da vida.




Entretanto, achei superficial a forma como o filme define a necessidade de uma transformação na vida dela. Alex parecia já ter uma vida relativamente estruturada. O que o roteiro apresenta como comodismo me parece muito mais uma inquietação da mãe do que um problema real da filha. Claro, essa é apenas uma visão particular sobre o que significa ter uma vida bem definida.

Alex trabalhava na empresa da família, tinha um namorado que parecia ser uma boa pessoa e não aparentava ser profundamente infeliz.

O ponto mais forte do filme, para mim, é a forma como ele retrata o luto.

As diferentes camadas de sentimentos que cada personagem demonstra diante da morte de Elizabeth são muito reais e, neste momento da minha vida, tocaram-me profundamente. O filme vai além do sentimentalismo típico de muitos romances e apresenta emoções bastante humanas.

Também foi muito bom rever Connie Britton interpretando outra grande mãe, tão diferente da personagem que fez em American Horror Story.

Acho que Sofia Carson também esteve muito bem. Ela consegue transmitir todas as camadas emocionais da protagonista e construir uma personagem que está longe da mocinha perfeita dos romances tradicionais. Afinal, ela se envolve com três homens ao longo da história, o que traz uma dose maior de realismo e foge da imagem da protagonista excessivamente idealizada.




Também gostei de ver Alex compreender que sua mãe não era perfeita. Existe uma tendência de santificar as pessoas depois que elas morrem, mas, na vida real, ninguém deixa de cometer erros apenas porque faleceu.

Isso levanta uma pergunta interessante: além da traição, será que Elizabeth também não errou ao obrigar a filha a cumprir essa lista mesmo após sua morte?

Se encararmos o filme não apenas como um romance, mas também como um estudo psicológico dos personagens, essa lista pode ser interpretada como uma forma de Elizabeth continuar exercendo certo controle sobre a vida da filha, da mesma maneira que parecia fazer quando ainda era viva.

Os próprios irmãos de Alex comentam que mãe e filha tinham uma relação quase exclusiva, um pequeno "clube" só delas. Alex também passou a trabalhar com a mãe, o que reforça essa proximidade.

Por isso, acredito que o filme vai além de uma simples história sobre cumprir uma lista de desejos. Ele fala sobre luto, amadurecimento e sentido da vida, mas também pode ser interpretado como uma reflexão sobre a dificuldade de romper com o controle exercido pelos pais, mesmo depois que eles já não estão presentes.

Nota: 2,5/5 ⭐ 

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