Terminei meu segundo livro da autora Susan Hill e não sei como nunca tinha ouvido falar dela antes. Não sei como esse nome não é tão celebrado quanto Stephen King ou George R. R. Martin.
Quando terminei Eu Sou o Rei do Castelo, não consegui imaginar outra coisa senão pegar o próximo livro da autora que estava na minha meta de leitura.
Nesse novo romance, Susan Hill nos apresenta uma história de fantasmas.
E realmente esse é o enredo.
O protagonista, Arthur Kipps, durante uma tradição familiar de contar histórias de fantasmas na véspera de Natal, recebe o convite para participar da conversa. Porém, Arthur considera esse assunto extremamente desagradável e, isolando-se, decide escrever uma carta contando por que esse tema desperta lembranças tão dolorosas em sua vida.
Quando era mais jovem e ainda noivo de Stella, Arthur recebe do escritório de advocacia onde trabalhava a responsabilidade de cuidar dos documentos e do espólio de sua cliente, a senhora Alice Drablow, falecida em uma mansão isolada no interior da Inglaterra.
Ao chegar à cidade, ele descobre que a residência da senhora Drablow era cercada por um pântano e que a maré alta tornava o único caminho até a casa completamente intransitável.
Arthur precisa permanecer sozinho na propriedade para organizar toda a documentação e retornar apenas no dia seguinte, quando o cocheiro pudesse buscá-lo.
Já no velório da senhora Drablow, Arthur percebe que existe um grande mistério envolvendo aquela casa. Os moradores evitam falar tanto da mansão quanto da mulher que viveu ali sozinha durante tantos anos.
Uma estranha mulher vestida de preto aparece na cerimônia, fazendo Arthur acreditar que testemunhou uma aparição.
Durante sua primeira noite isolado na casa, Arthur acredita ouvir uma charrete e os gritos desesperados de uma criança afundando no lodo do pântano.
Objetos começam a se mover sozinhos, ruídos inexplicáveis ecoam pelos corredores e Arthur decide levar consigo a pequena cachorra do dono da pensão para lhe fazer companhia.
Mesmo com a presença da cadela, a Mulher de Preto continua aparecendo e aterrorizando Arthur.
Ele encontra um quarto infantil perfeitamente preservado, onde uma cadeira de balanço continua balançando sozinha.
Novas aparições da Mulher de Preto e uma tentativa de atingir a cachorra no lodo fazem Arthur perceber que lutar contra aquela assombração seria inútil.
Ao examinar antigos documentos da propriedade, Arthur descobre cartas que revelam a verdadeira história da fantasma.
Jennet Humfrye teve um filho fora do casamento e foi obrigada a entregá-lo para que sua irmã, Alice Drablow, o criasse.
Alice acabou adotando o menino e se recusou a devolvê-lo.
Quando finalmente Jennet iria reencontrar o filho, uma tragédia aconteceu: a charrete em que viajavam o menino, a babá e o cocheiro afundou no lodo durante uma noite de intensa neblina, causando a morte de todos.
Jennet presenciou a tragédia da janela da casa sem poder fazer absolutamente nada.
Depois disso, ela morreu e sua aparição passou a anunciar a morte de uma criança da região.
Arthur acredita que conseguiu escapar daquela maldição ao deixar a cidade.
Anos depois, já casado com Stella e pai de um menino, ele leva uma vida feliz até que, durante uma feira, vê novamente a Mulher de Preto.
Logo em seguida, a charrete onde estavam sua esposa e seu filho perde o controle, bate contra uma árvore e provoca a morte de ambos.
Resenha
Mais um choque veio com o segundo livro que li de Susan Hill.
Mais uma vez, ela destrói o leitor com a morte de uma criança, depois de construir durante toda a narrativa uma atmosfera de ansiedade, expectativa e medo para, então, aplicar seu golpe final.
A escrita é lenta.
Mas Susan Hill transforma essa lentidão em uma qualidade.
Ela desenha um ambiente tão fascinante que nunca sentimos falta de acontecimentos rápidos.
Queremos observar cada detalhe que ela descreve.
Porque cada detalhe importa.
Cada descrição acrescenta uma nova camada ao terror.
E, pouco a pouco, uma história aparentemente simples revela uma profundidade enorme.
Primeiro, preciso destacar o medo.
Susan Hill sabe construir uma atmosfera como poucos escritores.
Estamos praticamente presos dentro daquela casa.
Acompanhamos Arthur caminhando até o quarto infantil, olhando para aquela cadeira de balanço que se move sozinha, e temos a sensação de que somos nós que estamos atravessando aquele corredor.
Sentimos o mesmo frio, o mesmo arrepio e a mesma insegurança.
Também somos conquistados pela companhia da cachorrinha.
Ela passa a representar um pequeno conforto para Arthur em meio ao horror, e acaba representando exatamente isso para nós, leitores.
Os longos parágrafos jamais se tornam cansativos.
Cada palavra parece ter a função de nos transportar para aquele lugar.
E então chega o sentimento que mais me destrói.
O amor de um pai por um filho.
Descobrimos o motivo do desespero da Mulher de Preto.
Tudo começou porque ela foi impedida de criar o próprio filho.
Sua vingança consiste justamente em provocar nos outros pais a mesma dor que ela sofreu.
Arthur vive aquilo que considero uma das piores tragédias possíveis.
Perder o próprio filho e, logo depois, a esposa.
Achei devastador o momento em que Arthur vê novamente a Mulher de Preto e compreende, naquele exato instante, o que está prestes a acontecer.
Susan Hill nos colocou tão profundamente dentro da mente dele que aquele segundo também se torna nosso.
Justamente quando acreditávamos que tudo havia terminado, ela desfaz qualquer esperança.
Foi uma reviravolta que ficou na minha cabeça durante muito tempo.
Nem consegui escrever esta resenha logo após terminar o livro, como costumo fazer.
Essa é a verdadeira magia de uma grande autora.
Ela consegue provocar reações tão intensas que parecem reais.
E ainda me peguei pensando em Arthur reconstruindo sua vida ao lado da família Aubrey.
Deve ter sido um processo profundamente doloroso.
Agora entendemos por que ele nunca achou graça em contar histórias de fantasmas.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐❤️





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