Querido leitor,
Vi ao filme Backroom, incentivado por meus filhos. Até agora, ainda tento entender a origem dessa história.
Mas vamos por partes. Primeiro, é preciso entender o filme, que é bastante confuso.
O filme conta a história de Clark, um homem divorciado que faz terapia e trabalha em uma loja de móveis, onde interpreta um pirata em propagandas comerciais.
Certo dia, ele encontra, dentro da loja, uma passagem para um labirinto de salas construídas de maneira completamente incomum. Há portas e corredores tortos, passagens em locais impossíveis de alcançar e móveis ou objetos aleatórios espalhados pelos ambientes. O pior de tudo é que criaturas aterrorizantes passam a persegui-lo.
Quando consegue sair de lá, Clark tenta explicar o que aconteceu para sua psicóloga, Mary Kline, mas ela não acredita em sua história.
Para provar que está dizendo a verdade, ele decide filmar as Backrooms. Convida alguns amigos para acompanhá-lo, mas tudo dá errado quando eles são atacados pelos monstros.
Antes de desaparecer, Clark consegue usar um rádio amador para enviar uma mensagem de socorro a Mary.
Ela vai até a loja e acaba entrando nas Backrooms.
Clark então a ataca e a obriga a participar de uma espécie de sessão de terapia psicodélica diante dos monstros, que acabam se revelando manifestações dos traumas de seu passado.
Ele utiliza a mesma técnica que Mary costumava aplicar em suas sessões, imaginando que ela é sua ex-esposa.
Desta vez, porém, Mary reage de maneira diferente. Ela confronta Clark com verdades duras, que dificilmente seriam ditas em uma sessão de terapia convencional.
Esse confronto desperta um monstro ainda mais terrível: um pirata deformado, que representa aquilo em que Clark acredita ter se transformado ao abandonar seus sonhos para sustentar o casamento enquanto sua esposa estudava.
Mary destaca que Clark sempre culpava outras pessoas por seus fracassos. Na realidade, viver como aquele pirata era consequência das próprias escolhas dele. Essa percepção culmina na metáfora mais impactante do filme: Clark sendo devorado pelo seu próprio Pirata Mórbido.
Depois disso, o monstro passa a perseguir Mary, e as Backrooms começam a revelar também seus próprios traumas.
Ela revive lembranças da infância, como a demolição da casa onde morava, sugerindo que sua família tenha sido vítima de um despejo.
Ao enfrentar o pirata, Mary simboliza como os traumas dos pacientes podem influenciar emocionalmente o terapeuta.
Após derrotar a criatura, ela é capturada por agentes misteriosos, que a levam até o cientista Phil. Ele pede sua ajuda para estudar as Backrooms, mas não garante sua segurança.
No desfecho, vemos Mary aparentemente transformada em mais um dos monstros daquele lugar.
Resenha
O filme realmente transmite ansiedade em vários momentos, principalmente pelos caminhos percorridos pelos protagonistas dentro daquele ambiente labiríntico. Em alguns trechos, essa sensação chega a ser curiosamente satisfatória. Pelo que entendi, essa parece ser justamente a proposta das Backrooms: despertar reações psicológicas e emocionais em quem passa por elas.
Entretanto, o terror acaba tomando conta da narrativa. As criaturas, as alucinações e as crises de pânico acabam prejudicando a experiência e transformam o ambiente em um verdadeiro pesadelo.
O mais interessante é que tanto os personagens quanto nós, espectadores, compartilhamos sensações semelhantes graças às cenas em primeira pessoa, ao uso das câmeras e às escolhas de direção.
Por outro lado, senti que as metáforas começam a se afastar demais da realidade. As inúmeras cenas psicodélicas acabam prejudicando o entendimento da história.
O final também me incomodou. Mary se transformar em um monstro pode simbolizar um terapeuta que absorve tanto os traumas de seus pacientes que acaba sendo consumido por eles. Como metáfora, a ideia funciona. Porém, como conclusão da história, achei insatisfatória.
Fiquei com a impressão de que o filme deixa espaço para uma continuação, embora o encerramento não seja totalmente convincente.
Nota: ⭐⭐ (1,2/5)





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