Querido leitor,
Eu vi o filme Eternidade, estrelado por Elizabeth Olsen, Callum Turner e Miles Teller.
O filme conta a história de Joan, que, após viver uma vida feliz ao lado do marido, Larry, morre e, além de reencontrá-lo, reencontra também seu primeiro marido, Luke.
Nesse pós-morte, ela precisa decidir com quem vai passar a eternidade: com Larry, seu marido, com quem viveu 65 anos, ou com Luke, com quem nunca teve a oportunidade de construir uma vida, pois, logo após o casamento, ele precisou lutar na Guerra da Coreia.
Com a ajuda de seus orientadores, eles recebem uma prévia de como seria essa eternidade, tendo encontros com seus possíveis companheiros. Isso gera muita confusão, porque um tenta boicotar os encontros do outro.
No fim, Joan percebe que nunca conseguiria escolher entre os dois e decide viver a eternidade sozinha.
Ao perceber que a esposa passaria a eternidade em solidão, Larry abre mão de seu grande amor para que ela tenha a chance de viver ao lado de Luke.
Luke e Joan tentam viver a eternidade que ele idealizou. Porém, ela logo percebe que nada é como imaginava. Aos poucos, fica frustrada ao descobrir que Luke não era tão perfeito quanto havia idealizado e decide fugir daquela eternidade para voltar a Larry.
Larry, por sua vez, espera pelo retorno dela. Em vez de seguir para uma nova etapa da eternidade, permanece trabalhando como barman para receber aqueles que chegam ao pós-morte. Quando reencontra Joan, que fugiu dos guardiões daquele lugar, ele aceita imediatamente viver a eternidade ao lado dela.
Resenha
O filme traz uma pergunta que sempre me intrigou sobre a vida após a morte: como seria para as pessoas reencontrarem seus cônjuges caso tivessem sido casadas mais de uma vez?
Muitos acreditam que, após a morte, seremos todos como irmãos, e não mais maridos e esposas.
Mas eu não sei se nosso espírito estaria preparado para abrir mão de um vínculo muito mais profundo do que os desejos carnais.
Essa ligação entre marido e mulher, pelo menos no meu casamento, nasce do companheirismo. É uma conexão tão forte que o corpo, a mente e os sentimentos de um acabam se tornando uma extensão do outro.
Por isso, imaginar que, na eternidade, meu cônjuge deixaria de ser minha companheira, da forma como é hoje, é algo muito difícil de aceitar.
Acho que o filme mostra justamente isso: a ligação de um casal que passou mais de 65 anos junto é muito maior do que a perfeição idealizada que Joan enxergava em Luke.
Como o próprio filme demonstra, de perto ninguém é perfeito. E conviver com alguém vinte e quatro horas por dia só é suportável quando existe um amor muito profundo.
O filme trabalha essa reflexão de forma leve e bem-humorada, mas, ao mesmo tempo, transmite uma mensagem muito bonita.
É claro que ficamos ansiosos para descobrir quem Joan vai escolher. Até chegar ao final, confesso que fiquei frustrado, imaginando que o roteiro seguiria um caminho completamente diferente.
Pensei que Joan escolheria Luke para defender a ideia de que precisamos viver novas experiências para descobrir o que queremos; de que não devemos nos prender a alguém para sempre; de que ninguém pertence a ninguém e de que as pessoas são descartáveis em nossas vidas. São mensagens que vejo com frequência em algumas produções atuais, mas com as quais não concordo.
Em alguns momentos, cheguei até a imaginar que o filme terminaria de uma forma bem moderna, com Joan escolhendo viver com os dois, ainda mais depois de Luke assumir sua bissexualidade.
Mas o filme terminou de forma linda e emocionante. Larry foi o escolhido. E o detalhe que mais gostei foi que ele não hesitou nem por um instante quando Joan voltou para ele. Imagine se, antes de aceitá-la novamente, ele resolvesse fazer um grande discurso moralista. O impacto emocional da cena teria sido completamente diferente.
A atuação de Elizabeth Olsen como Joan é excelente. Ela consegue construir uma química convincente tanto com Callum Turner quanto com Miles Teller, e isso é essencial para que o conflito do filme funcione.
No fim das contas, a pergunta que o filme me deixou foi: como seria a minha eternidade?
A resposta eu já tenho.
Seria ao lado da minha esposa, com todas as nossas dificuldades, defeitos e imperfeições.
NOTA: ⭐⭐⭐⭐⭐
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